quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vavá Afiouni - Baixo Solo


Colaboração do companheiro, poeta, baixista, compositor Vavá Afiouni ou Wava El Afiouni.
Eis alguns vídeos de suas músicas em concepção baixo-solo.

Bom Proveito !!

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Em abril de 2009, agora mesmo, eu tive a oportunidade de estrear meu novo trabalho no teatro da Brasil Telecom, Vavá Jets e a Memória Rã, músicas de minha autoria tocadas por mim no instrumento que eu mais gosto de tocar, o baixo elétrico. A idéia começou com música instrumental, tocando choros e música popular, até que eu consegui entender que dava para aliar a minha vontade de fazer um baixo interessante a vontade suprema de tocar minhas composições – tudo bem, tem gente que é mais lento – superado o preconceito com a gravidade da situação, apresento aos leitores baixadores assíduos do Acervo Origens, alguns vídeos domésticos, gravados em minha humilde morada manicomial, que demonstram um pouco do que a qualquer momento entrará em cartaz numa casa perto de você. 

O Sistema é Bruto 

Essa canção mostra a cara da mulher moderna, que sabe o que quer e não se deixa induzir pelos mandamentos da sociedade convencional. Ela é a dona do apê, lhe manda embora, junto com as contas, não, não entre em contato, se ela aparenta que não sabe pra onde vai, por outro lado, deixa claro pra onde não vai (até você), e o que ela não quer, (que é mais te ver). Essa música faz parte de meu repertório conjugal, de minhas músicas de amor, ou da falta dele. O sistema não é mais o mesmo, agora você percebe que o controle que nunca teve, mais que achava que tinha, realmente você não tem – o sistema agora é bruto.  


Alice 

O país das maravilhas é habitado pelo ego, que deve ser banido para que a maravilha real impere. Convenções, valores sociais e crises de personalidade devem ser empurradas de cima do muro para que tomem posição, desmascaradas pelo individualismo – puts!  


Ai ai ai Niemai 

Esse é meu hit! Essa música é muito tocada pela minha banda, o Toró de Palpite. Todo compositor deve falar algo de sua própria cidade, bem ou mal, ajuda a contextualizar a arte e o artista. Essa música fala um pouco de Brasília, suas retas e curvas e suas figuras mitológicas - apesar de tão moça essa terrinha já dá muito!  

Essa composição surgiu num momento interessante: depois de um dia de muita cachoeira na Chapada dos Veadeiros, tava eu no camping com uma idéia fixa, que vim desenvolvendo na trilha. Passados uns 47 minutos de muito suor e fumaça, o que eu tinha era um pequeno trecho de 6 palavras. Eu cantava: ai ai ai Niemai, nossa arquitetura... desafinando isso repetidamente por 47 minutos ininterruptos de dentro de minha barraca amarela, devo ter provocado a ira de alguns dos campistas, foi quando um deles gritou em alvoroço: - reta, curva, Lúcio Costa. Pelo menos foi isso o que entendi. Tenho fama de surdo, e ele pode ter me xingado de qualquer coisa, mas era tudo o que eu precisava para terminar o refrão: Ai ai ai , Niemai, nossa arquitetura, reta, curva, Lúcio Costa.  

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