terça-feira, 26 de outubro de 2010

Manézinho Araújo - O cabeça Chata - (26.10.2010)

Manuel Pereira de Araújo nasceu em 1910, na cidade do Cabo, em Pernambuco. Na adolescência, ingressou na vida boêmia, freqüentando os botecos da Casa Amarela, bairro da cidade. Na boemia, conheceu um mestre embolador de côco, Minona Carneiro, que o ensinou a cantar, improvisar e compor. Na ocasião da Revolução de 30, Manezinho embarcou, como voluntário, em um navio do exército que rumava para o Rio de Janeiro. Mas a revolução acabou antes que o navio chegasse ao destino. O navio, mesmo assim, chegou ao Rio. Na volta, embarcaram no navio alguns artistas famosos, como Carmem Miranda, Almirante e Josué de Barros. Manezinho acabou se apresentando no navio. Agradou, e conseguiu a promessa, de Josué de Barros, de levantá-lo como artista.  Manezinho voltou ao Recife, e, três anos depois, foi-se embora novamente para o Rio. Lá, com ajuda de Josué de Barros, conseguiu contatos na Rádio Mayrink Veiga, e, posteriormente, um contrato no Programa do Casé, apresentado por um dos radialistas mais importantes do rádio brasileiro, Ademar Casé (que era avô de Regina Casé). De 1933 até meados da década de 1950, gravou diversos discos de frevos, cocos, sambas e, claro, emboladas. Seus maiores sucessos foram "Segura o Gato", "Sá Turbina", "Como Tem Zé na Paraíba (com Catulo de Paula), sucesso na voz de Jackson do Pandeiro, "Cuma É o Nome Dele?", "O Carrité do Coroné", "Tadinho do Manezinho" "Quando Eu Vejo a Margarida" e "Pra Onde Vai, Valente?”.  Manezinho foi, ainda, um dos primeiros garotos-propaganda da televisão brasileira. Em 1954, desiludido com o meio artístico e suas mesquinharias, abandonou a carreira de cantor e compositor. Como despedida, realizou uma apresentação que reuniu mais de 10 mil pessoas. Com o dinheiro que ganhou, abriu um restaurante, chamado “O cabeça chata”, e, Copacabana, no Rio de Janeiro.  Lá, servia comida típica nordestina e realizava apresentações modestas. Na década de 1960, começou a dedicar-se à pintura.  Em 1962, fechou o restaurante no Rio, e montou outro, com mesmo nome, em São Paulo. No mesmo ano, desistiu do restaurante para dedicar-se à pintura. Esse disco, gravado em 1974, é uma tentativa de retorno à carreira artística, como o próprio Manezinho declara, no texto que está na contracapa.  Mas o talento de pintor, desenvolvido de forma autodidata, prevaleceu, e ele se tornou um artista conceituado no chamado “estilo primitivo”. Ele realizou mais de trinta exposições e os seus quadros sempre foram bem vendidos. Algumas de suas pinturas se encontram em museus regionais, como o de São Luís (MA), o de Araxá (MG), de Feira de Santana (BA). Duas telas do autor, inclusive, estão expostas no museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal. Manezinho Araújo faleceu em São Paulo, no dia 23 de maio de 1993. Abaixo, um de seus quadros.


Ouro Preto, de Manezinho Araújo


MANÉZINHO ARAUJO – O cabeça chata

Lado A

01 – Dia 40 - Samba Partido Alto
02- Seo Mané é um homen – Samba Partido Alto
03-  Pipira - Sambinha
04 - Quando eu vejo a margarida - Embolada
05 - Olha o buraco  cavalheiro - Embolada
06 - Tadinho do Manézinho - Embolada

Tempo total: 14’40”

Lado B

01 - Como é o nome dele - Embolada
02 – Festa no Arraial - Embolada
03 - Sulandá - Côco
04 - Juntou a fome - Sambinha
05 - Futebol na Roça - Embolada
06 – Pra onde vai valente – Embolada

Tempo total: 15’15”

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