terça-feira, 8 de março de 2011

Elza Soares - (08.03.2011)

Elza Soares nasceu em 1937, no núcleo residencial Moça Bonita, uma das primeiras favelas do Rio de Janeiro. Era filha de uma lavadeira e um operário tocador de violão nas horas vagas. Tudo, na vida dela, começou cedo. O pai obrigou-a a casar aos 12 anos com Lourdes Antônio Soares, conhecido como Alaúrdes. Aos 13, era mãe. Aos 15, viu a morte do segundo filho. Com vinte anos, era mãe de cinco filhos. Aos 21 anos, ficou viúva e foi trabalhar em uma fábrica. Mas, antes disso, com 16 anos, ela já tinha feito um teste na Rádio Tupi, no programa de calouros do Ary Barroso, e ficou em primeiro lugar. Depois, trabalhou em uma orquestra de bailes. Um dia, foi ver a peça Jour-jour-fru-fru; lá, conheceu Mercedes Batista, que a convidou para integrar o elenco de bailarinas. Em 1958, foi para a Argentina com Mercedes. Logo na volta, conheceu o Moreira da Silva, que levou Elza para cantar em um bar, onde ela fez outros contatos que a levaram a gravar seu primeiro 78 rpm, em 1959, com “Se acaso você chegasse” (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins), que até hoje faz sucesso. Daí, já gravou o primeiro LP. Até aí, foi tudo rápido. E continuou rápido e intenso. Em 1962, ela foi se apresentar como representante do Brasil na Copa do Mundo no Chile, onde conheceu Louis Armstrong (representante artístico dos Estados Unidos), que lhe propôs fazer carreira nos EUA. Mas ela conheceu também o Garrincha, e logo casou. Enquanto isso, ela gravava discos.  Foram mais de cem discos, entre 78 rpm, compactos, LPs e vinis, em toda a carreira até hoje. Elza morou na Itália com Garrincha, onde continuou cantando e gravando. Passou por altos, muito altos, e baixos, muito baixos. Mas nunca deixou de produzir. O disco de hoje foi gravado em 1974, em uma das fases de menos prestígio de Elza, pela gravadora Tapecar. Mas, musicalmente, ela estava com os dois pés no samba. No início da carreira, quando gravou pela Odeon, seus discos eram mais orquestrados. A partir da década de 1970, passaram a ter arranjos mais percussivos. Inclusive foi nessa época que ela fez uma parceria com o sambista Roberto Ribeiro, e daí surgiram discos de samba espetaculares. Então, esse disco de hoje é samba de primeira. Continuando o resumo biográfico de Elza, na década de 1980, ela perdeu tudo, ficou sem emprego e quase desistiu de cantar. Mas, em 1984, Caetano a convidou para gravar e ela voltou. Gravou mais dois discos que não fizeram muito sucesso, e então tomou outra porrada da vida, com a perda do filho Garrinchinha. Foi para a Europa, entrou em depressão, voltou. Continuou a cantar e a gravar, e nas décadas de 1990 e 2000 tem gravado muito, e aparecido constantemente na mídia, quer porque canta divinamente, quer pelas suas extravagâncias malucas. Parece que ela viveu mil vidas. Se a idade se medisse pela intensidade da vida, Elza teria uns oitocentos anos; Está certa, então, em escondê-la.


Lado A

1-Bom dia Portela (David Corrêa – Bebeto de S. João)
2-Pranto livre (Dida – Everaldo da Viola)
3-Não é hora de tristeza
(Lino Roberto – Wilson Medeiros – Walter da Imperatriz)
4-Meia noite já é dia (Norival Reis – David Corrêa)
5-Desabafo (Tatu – Nezinho – Campo)
6-Partido do Lê lê lê (Otilo Gomes)

Lado B

1-Deusa do rio Niger (Walter Norambê – Motorzinho)
2-Quem há de dizer (Lupiscinio Rodrigues – Alcides Gonçalves)
3-Louvei Maria (Elza Soares)
4-Xamêgo de Crioula (Zé Di)
5-Falso papel (Dario Marciano)
6-Giringonça (Josealdo Fraga)

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