quarta-feira, 29 de junho de 2011

Geraldo Vandré - 5 anos de canção (29/06/2011)

Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nasceu na Paraíba, no dia 12 de setembro de 1935. Quando tinha 14 anos, participou de seu primeiro programa de calouros. Com 16, foi-se embora para o Rio de Janeiro, para tentar a carreira artística. No começo, ele ficava daqui e dali, tentando espaço para cantar. Aos 20 anos, com o pseudônimo de Carlos Dias, participou de um concurso musical promovido pela TV-Rio, defendendo a canção Menina, de Carlos Lyra. Logo depois, ele teve oportunidade de se apresentar em um programa de rádio da Roquete Pinto, e foi aí que começou a usar o nome Vandré, que surgiu a partir de uma abreviatura do nome de seu pai, José Vandresigilo. Na faculdade de Direito, ele conheceu o primeiro parceiro, Carlos Lyra, e desistiu de ser cantor para dedicar-se à composição.  No começo dos anos 60, fez as primeiras gravações, e, em 1964, gravou seu primeiro LP. Foi nesse período que Vandré começou a participar dos festivais da canção, conseguindo destaque em vários deles. Foi também nesse período, precisamente em 1965, que ele gravou esse LP da postagem de hoje, que contém lindas músicas que, de certa maneira, prenunciavam o sucesso, a polêmica e a trajetória única desse grande compositor. O primeiro festival ele ganhou em São Paulo, com a música Porta-estandarte, defendida por Tuca e Airto Moreira. Em 1966, ele ganhou o Festival da Música Popular Brasileira da TV Record com a música Disparada, feita em parceria com Téo de Barros, interpretada por Jair Rodrigues, Trio Novo e Trio Maraia. Em 1967, ele ganhou um programa próprio na TV Record, de nome Disparada.

Nos próximos anos, Vandré iria participar de vários festivais. O mais importante deles, porém, ocorreu logo em 1968, quando ele causou imenso impacto no III Festival Internacional da Canção, com a música Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, que marcou Geraldo Vandré como compositor de músicas de protesto. A música ficou em 2º lugar, a contragosto do público, que vaiou a vencedora, a belíssima Sabiá, de Tom Jobim e Vinícius de Morais. Nesse dia, o Maracanazinho lotado cantou em uníssono: caminhando e cantando e seguindo a canção.... Sua música virou um dos maiores hinos da resistência à ditadura militar, e acabou sendo censurada. Por conta disso, Vandré seguiu para o exílio (na verdade, os mesmos agentes que prenderam Caetano iriam prender Vandré, mas, avisado antes, ele saiu do país). Ele voltou ao país quatro anos e meio depois, e simplesmente sumiu dos palcos, desapareceu da vida artística. Recentemente, ele deu uma entrevista à GloboNews, e lá disse que vive em um Hotel que fica no clube da Aeronáutica, que pertence à FAB, a Força Aérea Brasileira. Disse ele, também, que, nos últimos anos, vem trabalhando em uma obra em homenagem à Força Aérea, cujo nome é Fabiana, em homenagem à FAB. Disse também que nunca foi antimilitarista, e nem nunca fez canção de protesto, apenas fazia música brasileira. Suas posições são estranhas, aparentemente incoerentes com os fatos que o tornaram famoso, mas de uma lucidez desconcertante. Vale a pena conferir a entrevista. Mas, melhor do que isso, é ouvir esse disco, cheio de belas músicas, em que Vandré demonstra o grande compositor que sempre foi.


Lado A

1-Porta Estandarte (G. Vandré – Fernando Lona)
2-Depois é só chorar (Geraldo Vandré)
3-Tristeza de amar (G. Vandré – Luiz Roberto)
4-Réquiem para Matraga (Geraldo Vandré)
5-Canção do breve amor (G. Vandré – Alaíde Costa)
6-Fica mal com Deus (Geraldo Vandré)

Lado B

1-Rosa Flor (Baden Powel – G. Vandré)
2-Pequeno concerto que ficou canção (Geraldo Vandré)
3-Se a tristeza chegar (Baden Powel – G. Vandré)
4-Canção Nordestina (Geraldo Vandré)
5-Ninguém pode mais sofrer (G. Vandré – Luiz Roberto)
6-Quem quiser encontrar o amor (Geraldo Vandré – Carlos Lyra)

2 comentários:

Elias Tomaz disse...

Obgd por dar fim a tal busca

yuri padial disse...

Muito Obrigado!