terça-feira, 18 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

Programa Acervo Origens - 15jun13



1) Moleque Sarará (Joubert de Carvalho - Murillo Fontes), com Gastão Formenti
2) Cabocla malvada (Waldemar Henrique - Wladimir Emanoel), com Gastão Formenti
3) Maringá (Joubert de Carvalho), com Gastão Formenti
4) Sanfona de Barbino (João Silva - Abelardo "Chacrinha" Barbosa), com Gerson Filho
5) Não é mole não (Aguiar Filho - Oldemar Magalhães) Gerson Filho
6) Forró no Claro (João Silva - Aguiar Filho), com Gerson Filho
7) Tradição de Penedo (Penedo), com Gerson Filho
8) Cachimbo da Vovó (Zezito - Zico), com Zico e Zeca
9) Caboclinha Sertaneja (Nhô Chico - José Toledo - Getúlio Toledo), com Zico e Zeca
10) Terreiro de Zé Pilintra (Zezito - Zeca), com Zico e Zeca
11) Barra Pesada (Craveiro - Zeca - Vicente P. Machado), com Zico e Zeca
12) Rei do Gatilho (Miguel Gustavo), com Moreira da Silva
13) Doze anos (Chico Buarque), com Moreira da Silva e participação de Chico Buarque
14) Acertei no milhar (Wilson Baptista - Geraldo Pereira), com Moreira da Silva
15) Rio Antigo (Altamiro Carrilho), com Pernambuco do Pandeiro
16) Delirando (P. Sobrinho - Luiz Gaúcho - Rossini Pacheco), com Pernambuco do Pandeiro
17) A dança da moda (Luiz Gonzaga - Zé Dantas), com Pernambuco do Pandeiro
18) Baião da garoa (Luiz Gonzaga - Hervê Cordovil), com Pernambuco do Pandeiro
Programa Acervo Origens, todo sábado às 19h na Nacional Brasília FM 96,1mhz ou no www.acervoorigens.com
Pesquisa, produção e apresentação: Cacai Nunes
Redação: Gabriela Tunes
Digitalização do Acervo: Renato Menguele

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dona Ivone Lara - Samba Minha Verdade, Samba Minha Raiz (1979)


DONA IVONE LARA – SAMBA MINHA VERDADE, SAMBA MINHA RAIZ (1979)
 Eis um disco fenomenal, tanto em respeito ao seu conteúdo musical, quanto em relação à artista em questão, e à sua bela e emocionante história de vida. Sobre Dona Ivone Lara, existe uma excelente Tese de Doutorado, escrita respeitando os cânones acadêmicos, mas com emoção e poesia, como deve ser o texto que trata de uma grande poeta do samba. A Tese se chama “Dona Ivone Lara: Voz e Corpo da Síncopa do Samba”, e é de autoria de Katia Regina da Costa Santos. Quem quiser saber mais sobre Dona Ivone Lara, acesse o trabalho aqui. Foi esse magnífico trabalho a fonte para o textinho dessa postagem.


 Yvonne Lara da Costa é seu nome de batismo. Ela nasceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de Abril de 1921, negra, pobre, filha de empregada doméstica. Quase não conheceu o pai, e perdeu a mãe aos doze anos de idade. Antes disso, porém, quando a pequena menina completava nove anos, a boa patroa da mãe resolveu bancar-lhe os estudos, e Yvonne ingressou como aluna interna na Escola Orsina da Fonseca. Era para ficar no colégio interno até os 18 anos, mas seu tio, Dionísio Bento da Silva, resolveu levar a adolescente órfã para casa quando ela tinha 16 anos. Ao contrário da maioria dos alunos ex-internos, Yvonne não se queixa de ter passado tanto tempo no internato. Ela percebia que sua condição de negra e pobre a deixariam longe dos estudos, e, no colégio, aprendeu a ler, escrever, e teve formação digna dos filhos das melhores famílias. Reconhece, também, que isso foi fundamental em sua trajetória de vida. Mesmo no internato, ela freqüentava a casa dos parentes nas folgas, de forma que tinha contato intenso com cantores, compositores, batuqueiros, jongueiros, e tudo o mais que fazia parte da rica cultura da comunidade dos sambistas cariocas. Assim, então, na pessoa de Yvonne, fundiram-se os mundos apartados dos brancos ricos e dos negros pobres. Era negra com educação de branca.  Quando saiu do internato, o tio avisou que, como todo mundo, ela teria que trabalhar. Ele conseguiria um emprego na fábrica, porque, de fato, as colocações dos negros, na época, eram de empregados domésticos, operários, e outros empregos considerados baixos. Obediente que era, Yvonne acatou a decisão do tio. Mas inteligente que também era, pediu a ele permissão para tentar outra coisa, afinal, ela havia estudado tanto, era letrada, e isso haveria de ajudar. E ajudou. No Jornal do Brasil ela leu que estavam abertas inscrições para um curso na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto. Ela pediu ao tio, se inscreveu e passou entre as dez primeiras colocadas, o que lhe garantia uma ajuda de custo mensal. Desde então, ela contribuía com as despesas da casa. Yvonne passou seis anos trabalhando como enfermeira. Ela largou a enfermagem porque ingressou em um curso de Serviço Social, e formou-se assistente social, ofício que exerceu por trinta e sete anos. Foram enormes os seus feitos: foi uma das primeiras assistentes sociais do país e uma das primeiras mulheres negras a adquirirem formação no nível de terceiro grau. Mais incrível ainda, porém, é que não foi por isso que Yvonne ganhou lugar de destaque na história. Toda a educação formal que recebeu, ainda que de primeira qualidade, juntamente com seus dignos empregos, não deram a ela nem um décimo do que ela recebeu do samba.
Porém - aaaaaaaai, porém -, a pedagogia do samba, meu bem, é outra. Ela não precisa das salas fechadas, dos muros altos, dos cadeados nos portões, e nem dos quadros- negros com professores enfiando conteúdos goela abaixo dos alunos. Ela não requer nem o tempo nem o espaço escolares, separados da vida vivida comum de todos os dias. Acontece junto. Dona Ivone Lara se lembra muito bem disso. Ela conta que os primeiros sambas aprendeu ainda criança, por causa de uma prática comum na época, quando - em um tempo em que não existiam gravadores, nem iPods, nem rádio, nem nada, e nem os sambistas sabiam muito bem registrar melodias no papel -, os adultos compositores usavam as crianças para ajudarem na memorização dos sambas que compunham.  Eles botavam as crianças para fazer coro, chamavam-nas para ajudarem a relembrar o samba que cantaram outro dia. Desse modo, as crianças envolviam-se naturalmente no samba, e aprendiam. Daí, alguns se interessavam pelos instrumentos, outros pelo canto, outros pela arte de compor. E os adultos ensinavam as posições no cavaquinho, as levadinhas no pandeiro, e tudo o mais que sabiam. Yvonne pegava o cavaquinho, acompanhava o tio. Aos doze anos, compôs a primeira música, em homenagem ao Tiê, seu pássaro de estimação, que ela amava, e fazia dezenas de versos para ele.
A vida de Ivone encontrou um equilíbrio entre o trabalho como Assistente Social, sendo ela funcionária exemplar, que nunca faltava, e nem fazia questão das licenças a que tinha direito, e a vida de sambista. Só que vida de sambista mulher não era tão simples. No começo, sua família não gostava que uma moça de família, prendada e educada, ficasse se metendo com samba e malandragem. Além disso, Ivone era compositora, mas quem daria qualquer coisa para um samba composto por mulher? Os sambas dos homens certamente teriam acolhida melhor do que os dela, que talvez nem chegassem a ser tocados. Então, ela ficava mais quieta, no canto dela, embora sempre perto do samba. Só que, às vezes, as coisas mudam. Em 1965, quando ela já estava casada, e seguia compondo, e apresentando seus sambas em rodas de pagode domésticas, a Império Serrano, escola de samba fundada em 1947, resolveu mudar algumas coisas no carnaval, e uma delas incluía a Dona Ivone Lara. Ela conta que  era a única mulher entre 400 homens, e ela passou oficialmente a fazer parte da ala de compositores da escola. Ela agradece a aceitação, algo inusitado na época (talvez hoje também, se a gente for olhar a quantidade de mulheres integrantes das alas de compositores das escolas de samba).
Depois de aposentada, depois de todas as obrigações cumpridas, a vida de Dona Ivone haveria de mudar novamente. Tudo começou no ano de 1978, em um gurrufim, no enterro regado a música e bebida do compositor Silas de Oliveira. Lá ela conheceu Délcio Carvalho, seu grande parceiro musical, com quem ela compôs as obras que nunca deixarão de ser tocadas e cantadas. O samba, que vinha na linha paralela ao trajeto profissional da vida de Dona Ivone, passou a ser sua ocupação principal. Finalmente, chegamos ao momento da postagem do disco de hoje. Quando Dona Ivone já era uma senhora de 56 anos de idade, aposentada, feliz da vida, gravou seu primeiro disco solo, justamente esse Samba, Minha Verdade, Samba Minha Raiz. Adelzon Alves foi o produtor. Na ficha de apresentação da artista, no encarte do disco, está assim:  Dona de casa, mãe de dois filhos, enfermeira e assistente social há 37 anos. Somente agora, aposentada, é que dona Ivone pôde começar sua carreira artística, coisa que já fazia domesticamente, e no Império Serrano desde os 12 anos de idade. Já na capa percebemos que o disco queria mostrar Dona Ivone Lara como sambista de raiz, mulher respeitada entre os bambas do samba, também retratados na capa do disco. Na bela fotografia, ela aparece no meio desses homens de aparência simples, mas cheios de reputação no universo do samba. A imagem é perfeitamente coerente com o conteúdo musical do disco. Samba de primeira, feito por uma grande poeta e sambista, mulher que será eternamente reverenciada.

Lado A
     1.     Minha Verdade – Yvonne Lara/ Délcio Carvalho
2.    
Com Ele É Assim - Yvonne Lara

3.    
O Império Tocou Reunir – Silas de Oliveira/Mano Décio
     4.     Espelho da Vida – Yvonne Lara/Délcio Carvalho
     5.     Chegou Quem Faltava – Nilson Gonçalves
   6.   Em Cada Canto Uma Esperança - Yvonne Lara/Délcio Carvalho


Lado B
       7.     Samba, Minha Raiz - Yvonne Lara/Délcio Carvalho
       8.     Andei Para Curimã - Yvonne Lara
       9.     Quando A Maré – Antônio Caetano
      10.  Nas Sombras da Vida - Yvonne Lara/Délcio Carvalho
11. 
Prazer da Serrinha – Helio dos Santos/Rubens da Silva
 12.  Aprendi a Sofrer - Yvonne Lara/Délcio Carvalho

terça-feira, 11 de junho de 2013

DJ Set - Forró de Vitrola

eitaaaaaaa !!!

olha o que trazemos pra vocês aqui !!

5 horas e 35 minutos de baile, gravados durante o DIA NACIONAL DO FORRÓ em 2012. 

Foi lá na UNB, lembram ?

Baixe, compartilhe e curta o Forró de Vitrola no www.facebook.com/forrodevitrola

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Programa Acervo Origens - 08jun13

Está no ar o Programa Acervo Origens da semana com com o violão de Sebastião Tapajós, a tradição mineira na voz de Téo Azevedo, os carimbós, lundus e xamegos deEmilia Monteiro e a magnífica parceria de Sivuca com a Orquestra SInfônica 

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR

1) Consolação (Vinícius de Moraes - Baden Powell), com Sebastião Tapajós
2) Pontiado (Guerra Peixe), com Sebastião Tapajós
3) Ganga (Sebastião Tapajós), com Sebastião Tapajós

4) Coletânea de Folguedos (Domínio Público), com Téo Azevedo
5) Jogo de bicho (Domínio Público), com Téo Azevedo
6) Lamento de Vaqueiro (Téo Azevedo), com Téo Azevedo
7) Calix bento (Domínio Público), com Téo Azevedo

8) Mão de Couro (Joãozinho Gomes - Val Milhomem), com Emília Monteiro
9) Cheia de Graça (Ângela Brandão), com Emília Monteiro
10) Veneno de Cobra (Dona Onete), com Emília Monteiro

11) João e Maria (Sivuca - Chico Buarque), com Sivuca + Orquestra Sinfônica do Recife
12) Quando me lembro (Luperce Miranda), com Sivuca + Orquestra Sinfônica do Recife
13) Feira de Mangaio (Sivuca - Glória Gadelha), com Sivuca + Orquestra Sinfônica do Recife
Programa Acervo Origens, todo sábado às 19h na Nacional Brasília FM 96,1mhz ou no www.acervoorigens.com
Pesquisa, produção e apresentação: Cacai Nunes
Redação: Gabriela Tunes
Digitalização do Acervo: Renato Menguele

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Forró de Vitrola - 08 jun 13


FORRÓ DE VITROLA
Pé de Serra ao som do Vinil com o DJ Cacai Nunes 

sábado . 8 jun . 21h até 01h
Balaio Café . 201 Norte . R$ 10

Realização: Acervo Origens
Apoio: Musical-Center Sebo de Discos

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terça-feira, 4 de junho de 2013

domingo, 2 de junho de 2013

Programa Acervo Origens - 01jun13

Está no ar o Programa Acervo Origens com o bandolim de Joel Nascimento, os sambas  do Trio de Ouro, as modas de viola e pagodes de Kleuton e Karen, os forrós de Osvaldo Oliveira e a beleza da música do Ponto BR

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR

1) Evocação de Jacob (Avena de Castro), com Joel Nascimento
2) Sambista Chorão (Mané do Cavaco), com Joel Nascimento
3) Ecos (Joel Nascimento), com Joel Nascimento

4) Calado venci (Ataulfo Alves - Herivelto Martins), com Trio de Ouro + Raul e Regional
5) Adeus Estácio (Benedito Lacerda - Gastão Viana), com Trio de Ouro + Grupo da Odeon

O ACERVO É SEU, atendendo ao pedido do Julio Pontes (Riacho Fundo-DF)
6) A viola permanece (Kleuton - Karen), com Kleuton e Karen
7) Tradição da Viola (José Calixto Rodrigues - Valdemar Reis), com Kleuton e Karen
8) Lição de Vida (João Miranda - Carrerito), com Kleuton e Karen

9) Zé do Santo (Luiz Guimarães), com Osvaldo Oliveira
10) Secretária do diabo (Osvaldo Oliveira – Reinaldo Costa), com Osvaldo Oliveira
11) Va lá vá (Elino Julião – Dilson Dória), com Osvaldo Oliveira
12) Carrero Carreá (Assumpção Correa – Nelson Macedo), com Osvaldo Oliveira

13) Santo Antônio me avisou (Zezé Menezes), com Ponto BR, canta Zezé Menezes
14) Terra de Caboclo (Tradicional), com Ponto BR, canta Pai Euclides e Henrique Menezes
15) Nossos tambores (Walter França) / Água Fria (Tradicional), com Ponto BR, canta Walter França

Programa Acervo Origens, todo sábado às 19h na Nacional Brasília FM 96,1mhz ou no www.acervoorigens.com

Pesquisa, produção e apresentação: Cacai Nunes
Redação: Gabriela Tunes
Digitalização do Acervo: Renato Menguele

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Programa Acervo Origens - 25maio13


está no ar o Programa Acervo Origens da semana com o som do Quarteto Novo, Folias de Reis do RJ, Belmonte e Amaraí, maxixes do século 19 e Jair Rodrigues.

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR 

1) Fica mal com Deus (Geraldo Vandré), com Quarteto Novo
2) Misturada (Airto Moreira - Geraldo Vandré), com Quarteto Novo
3) Ponteio (Edu Lobo), com Quarteto Novo
4) Chegada (Tradicional), com o Grupo Estrela de Jacó anunciada por Balaão
5) Despedida (Tradicional), com o Grupo Penitentes de Santa Maria
6) Saudade de minha terra (Belmonte - Goiá), com Belmonte e Amaraí
7) Morrendo de amor (Maximino Parizze - Canarinho), com Belmonte e Amaraí
8) Morena Cheirosa (Nenete - Dorinho), com Belmonte e Amaraí
9) Tango maxixe (Anônimo), com banda montada pra gravar o LP Maxixes - Três séculos de música brasileira
10) Só capoêra (Anônimo), com banda montada pra gravar o LP Maxixes - Três séculos de música brasileira
11) Como é belo o carnaval anônimo (Anônimo), com banda montada pra gravar o LP Maxixes - Três séculos de música brasileira
12) O morro acordou (Dida – Ubirany), com Jair Rodrigues
13) Bereketê (Ederaldo Gentil Pereira), com Jair Rodrigues
14) Pra lá e pra cá (Geraldo Nunes – Venâncio)
Último pau de arara (Venâncio - Corumba - José Guimarães), com Jair Rodrigues
15) Mundo Velho (Sérgio Ricardo), com Jair Rodrigues
Programa Acervo Origens, todo sábado às 19h na Nacional Brasília FM 96,1mhz ou no www.acervoorigens.com
Pesquisa, produção e apresentação: Cacai Nunes
Redação: Gabriela Tunes
Digitalização do Acervo: Renato Menguele



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Luperce Miranda - Já te digo

Sexta-feira será dia de postar músicas de artistas diversos aqui no Acervo Origens, já que reativamos nossa conta no Soundcloud

Hoje, vamos de Luperce Miranda.



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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Abdias e sua sanfona de 8 baixos - Forrófunfá (1976)



Abdias e sua sanfona de 8 baixos - Forrófunfá (1976)

           Nem sempre é fácil encontrar referências sobre os artistas do forró, pois o nordeste ainda hoje padece com a praga do preconceito, que rotula como coisas menores, menos nobres, aquelas que saíram de lá; não mereceriam, portanto, a atenção dos homens sérios que cuidam de registrar e contar a história do mundo. Tolos são esses homens, porque Tom Jobim, o homem reverenciado até na Europa e em locais supostamente superiores do que o Nordeste, e a América Latina,  disse uma vez:  Se eu fosse editor, ia buscar as coisas no Nordeste, porque as coisas mais geniais do mundo estão lá. Essa frase é a epígrafe do genial livro O Fole Roncou: Uma História do Forró, de Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues (Editora Zahar), que em boa hora veio preencher a lacuna de informação que existe em relação à história do nosso tão amado gênero musical, e É LEITURA OBRIGATÓRIA PARA OS APRECIADORES DE FORRÓ.


É justamente desse livro que extraímos o trecho abaixo, que deliciosamente narra o começo da história musical do nosso Abdias, o sanfoneiro de oito baixos que gravou o disco da postagem de hoje.
“Não era só no Rio que estava tudo mudado. Os serviços de alto-falantes e os transmissores potentes das rádios se encarregavam de espalhar a voz de Luiz Gonzaga pelo interior nordestino. Chegou, por  exemplo, a Taperoá, cidade paraibana na região do Cariri. Assinado por Humberto Teixeira, Miguel Lima e Zé Dantas, aquele conjunto de músicas bateu forte nos moradores da região. Caso do menino José Abdias de Farias, que morava em sítio próximo à cidade e, contagiado, começou a se engraçar para o fole de oito baixos do pai. Só que o dono do instrumento, também chamado Abdias, não queria nem saber da possibilidade de ter um filho tocador.
- Se eu te pegar tocando os meus oito baixos, vou te dar uma coça, rapaz.
Mas não tinha jeito: o menino adorava música. Sabia de cor o repertório de Gonzaga e também de Augusto Calheiros. Queria mais. Com a cumplicidade da mãe, arriscava-se a tocar com o instrumento do pai quando este não estava em casa. Até que um dia a combinação não deu certo, e o velho Abdias surpreendeu o filho esmerilhando no fole. Surpresa: surra? Não. Sorriso. Mais que a bênção do pai para continuar tocando, o garoto passou a acompanhá-lo nos forrós pelo sertão paraibano. O menino ‘sambudo, buchudo, cabeça meio chata’, como lembram os amigos, tocava triângulo enquanto o pai debulhava o fole Koch, executando músicas de domínio popular e composições próprias,  como ‘O Forró do Pé Rapado’.
Com a adolescência, chegou o desejo de Abdias de sair de Taperoá. Contou à madrinha, dona Silu:
- Vivo muito triste vendo que minha mãe não tem condição de ter uma toalha boa, uma bacia de rosto. Vou viajar pra ela poder ter dinheiro e comprar tudo que ela precisa.
Não sabia bem para onde ir, mas sabia bem o que não queria: continuar sogrendo com a seca; sua terra não via chuva havia quatro anos. Queria morar em um lugar com muita água, muito verde. Ouviu falar que encontraria tudo isso em Maceió. No caminho, a menos de 150 quilômetros da capital alagoana, parou em Palmeira dos Índios. Participou de audição para sanfoneiros no serviço de alto-falantes da cidade. Tocou e agradeu até o prefeito. Foi ficando. E a sorte o ajudando: um dia, o radialista e compositor Aldemar Paiva, autor de frevos em parceria com Nelson Ferreiro, foi se apresentar em Palmeira dos Índios. Os músicos que o acompanhariam perderam a condução. Aldemar, desesperado atrás de um solista, recebeu a indicação de que tinha um ‘garoto muito bom, um sanfoneiro bom danado: era Abdias. Tocou e agradou. 
A segunda parte da jornada alagoana ocorreu na capital. Chegou a Maceió e, aos doze anos, só conseguiu um lugar para dormir: a soleira da porta de uma feirante. Em troca de ajuda na feira, ela o deixou ficar. Abdias topou e ainda auxiliava a mulher a atrair a clientela, tocando a sanfona em frente à barraca de peixes. Foi contratado para tocar acordeom na regional da Rádio Difusora de Maceió, onde acabara de brilhar Hermeto Paschoal. Tocava cada vez melhor; dava aulas de acordeom para as madames da sociedade, ganhava dinheiro nos cabarés. Um tempo depois, já era chefe do regional, o grupo de músicos responsáveis pelo acompanhamento das atrações principais da emissora. Comprou bicicleta, sanfona. Ganhou concurso interno que tinha como prêmio uma passagem de avião para qualquer lugar do Brasil. Surpreendeu todo mundo ao escolher seu destino: Campina Grande. A volta para o estado natal foi em grande estilo. Apresentou-se na Rádio Borborema, participou dos programas de Gil Gonçalves e Nilton Motta. Acolhida ótima, tão boa que ganhou o apelido de ‘O Mago da Sanfona’. Recebeu convite para ficar em Campina, agora como artista contratado. E, mais importante que a acolhida, teve um encontro que mudaria sua vida. Um encontro não: um esbarrão.
Marinês subia as escadas do primeiro andar do edifício São Luiz, na esquina das ruas Cardoso Vieira com Venâncio Neiva, quando tropeçou em Abdias, que visitava o diretor da emissora. De cara, a moça chamou a atenção do sanfoneiro, que perguntou aos colegas:
- Quem é essa caboclinha tão ajeitadinha?
- É cantora, nova contratada da rádio.
- Eu quero ela.” 
(Marcelo, C, Rodrigues R. O Fole Roncou: Uma História do Forró. Rio de Janeiro: Zahar, 2012, páginas 47-49).

O resto da história do Abdias está brevemente contada aqui, na postagem de outro disco do sanfoneiro.
Nesse disco Forrofunfá, Abdias, como sempre, mostrou que entende de forró. Ele debulha os oito baixos no disco inteiro, que tem vários temas instrumentais, como Choro Brejeiro, de Dominguinhos e Anastácia, e Estraga Sapato, de Baú dos Oito Baixos. O destaque é Forrofunfá, de Vital Farias e Livardo Alves, música composta em homenagem ao grande Abdias. O restante do álbum, como diz a primeira faixa do Lado B, é tudo forró bom do chinelo avoá.




LADO A
1. Forrofunfá (Vital Farias – Livardo Alves)
2. Balanço Bom (Naldinho)
3. Choro Brejeiro (Dominguinhos - Anastácia)
4. Estraga Sapato (Baú dos Oito Baixos - Zezé Martins)
5. O Lado de Lá (Naldinho – Abdias)
6. Forró do Meu Brasil (Naldinho – Abdias)






LADO B
7. Do Chinelo Avoá (Baú dos 8 Baixos – Lídio Cavalcante)
8. O Reizado (Adapt: Ivan Bulhões)
9. No Tempo de Namoro (Julinho)
10. Forró do Pé de Lã (Assizão – Dorinha)
11. Fole Empoeirado (Luiz Dande Dorinha)
12. Jeito Sem Jeito (Naldo Aguiar – Abdias)




segunda-feira, 20 de maio de 2013

Programa Acervo Origens - 18maio13

Está no ar o Programa Acervo Origens da semana com o violão de Toquinho, a viola de Fábio Miranda, os forrós do Trio Nordestino, o carimbó de Majó e os improvisos de Otacílio Batista e Diniz Vitorino

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR


1) Ingênuo (Pixinguinha - Benedito Lacerda), com Toquinho
2) Asa Branca (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira), com Toquinho
3) Uma rosa em minha mão (Toquinho - Vinícius de Moraes), com Toquinho

4) Conversa pra boi dormir (Adalberto Rabelo Filho - Fábio Miranda), com Fábio Miranda
5) Folguedo (Adalberto Rabelo Filho - Fábio Miranda), com Fábio Miranda

O ACERVO É SEU, atendendo ao pedido do Antônio Farias, de Taguatinga Sul
6) Amor pra dar (Cecéu - Lindolfo Barbosa), com Trio Nordestino, canta: Lindú
7) Não pise no pé dela (Jacinto Limeira - Lindolfo Barbosa), com Trio Nordestino, canta: Lindú
8) Gogó de Ouro (Antonio Barros), com Trio Nordestino, canta: Genaro

9) A morte do papagaio (Hudson Antonio - Mita), com Majó
10) Mariá (Messias Holanda - João Gonçalves) 
Severina xique xique (João Gonçalves - Genival Lacerda), com Majó
11) Carapirá (Pinduca - Vivaldo da Silva)
Sinhá Pureza (Pinduca)
Vamos beber cachaça (Pinduca), com Majó

12) Exaltação ao Brasil em sextilha (Otacílio Batista - Diniz Vitorino), com Otacílio Batista e Diniz Vitorino
13) Gemedeira (Otacílio Batista - Diniz Vitorino), com Otacílio Batista e Diniz Vitorino
14) Beira Mar descrevendo peixes em letras (Otacílio Batista - Diniz Vitorino), com Otacílio Batista e Diniz Vitorino

Programa Acervo Origens, todo sábado às 19h na Nacional Brasília FM 96,1mhz ou no www.acervoorigens.com

Pesquisa, produção e apresentação: Cacai Nunes
Redação: Gabriela Tunes
Digitalização do Acervo: Renato Menguele

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ary Lobo - Quem é o Campeão (1966)

Eita !!!  
Agora que nós efetivamente estamos de volta, publicando discos inéditos, me sinto na obrigação de voltar a escrever pro Blog. Já tenho a colaboração da amiga e parceira Gabriela Tunes, mas não posso colocá-la no tronco, não é ? Ou posso ? Hehehehhe

Brincadeiras à parte, aqui vai uma das raridades do nosso universo forrozístico.

Ary Lobo - Quem é o campeão (1966)

Trata-se de um fantástico Lp de Ary Lobo e, com certeza, o disco mais excêntrico da trajetória deste paraense que tão bem cantou o Nordeste.

A sonoridade deste disco se aproxima muito do samba jazz, principalmente pela presença de uma banda formada por um piano, bateria, baixo acústico, violão, entre outros instrumentos. Aliás, é provável de termos neste disco, ainda, o Regional do Canhoto, pelo fato de ser mais um Lp da fase de Ary Lobo na gravadora RCA, onde ele lançou outros discos. Em algumas músicas, podemos ouvir a sanfona, o 7 cordas, o cavaco e a flauta.

É neste disco que temos a belíssima Pra evitar de lê lê lê, de Osvaldo Oliveira e Alexandre Mello e a balançada Vendedor de Sururu, de Jaime Silva e Neuz Teixeira. Inclusive, nos selos eles descrevem o ritmo de cada música. Esta última, é classificada como um sambaião. É balanço puro, móra ?
Enfim, é um disco fundamental para qualquer apreciador de música nordestina, até para quebrarmos paradigmas quanto ao que os intérpretes eram capazes de cantar. Neste Lp, Ary Lobo se mostra um cantor muito versátil e com um potencial incrível.

Bom proveito !!



LADO A

01- Terra de Ninguem
02- O canto do cardeal
03- Falaram tanto
04- Recordando a copa de 58
05- Fui batizado
06- Negô São




LADO B


07- Quem é o campeão
08- O vendedor de sururú
09- Mulher ciumenta
10- Sá Lica de Marajó
11- Pra evita de Lê-lê-lê
12- Deixa a onça passar



quinta-feira, 16 de maio de 2013

Forró de Vitrola - Pé de serra ao som do vinil - 19 de maio de 2013


FORRÓ DE VITROLA
Pé de serra ao som do vinil com o DJ Cacai Nunes 

domingo . 19 maio . 20h até 0h
Balaio Café . 201 norte . R$ 10

Infos: (61) 9545.2662

Realização: Acervo Origens
Apoio: Musical-Center Sebo de Discos

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mestre Manelim (Urucuia-MG) ponteia uma Inhuma brôca - Vídeo

Mais um belo vídeo que disponibilizamos para vocês

uma coisa linda que o Mestre Manelim, lá de Urucuia(MG), gravou pra gente em 2010 !!

COMPARTILHEM ESTE BELO REGISTRO DA TRADIÇÃO DA VIOLA DE MINAS GERAIS




Registro exclusivo do Acervo Origens para o Projeto Um Brasil de Viola


www.umbrasildeviola.blogspot.com

terça-feira, 14 de maio de 2013

Copinha - Jubileu de Ouro (1975)


Amigos, estamos atualizando os links dos discos aqui do Acervo Origens.
Pedimos a compreensão, caso ainda tenham alguns quebrados, e colaboração, para nos avisar quais links ainda não estão funcionando.

Além de tudo isso, voltamos a postar novos discos, shows e vídeos inéditos aqui no Blog.

Vamos compartihar, afinal o ACERVO É SEU !

Hoje, colocamos este disco do Copinha com texto maravilhoso da parceira Gabriela Tunes, que também é responsável pelos textos do nosso Programa na Nacional FM.


 Copinha - Jubileu de Ouro (1975)

Se Altamiro Carrilho é o nome mais conhecido da flauta brasileira, Copinha é provavelmente a flauta mais escutada. Embora fosse chorão benemérito, de carteirinha, com registro de interpretações antológicas, e assinando algumas composições, a carreira flautística de Copinha não se restringiu ao choro. Era ele dotado de imensa versatilidade que, aliada ao invejável bom gosto, fazia-o músico requerido para fazer as flautas de acompanhamento de cantores de diversos estilos. Em vários dos grandes álbuns de cantores e compositores brasileiros está lá a flauta de Copinha, em magníficas introduções e inteligentes contrapontos. Assim, quem quer que seja que tenha um pouco de apreço por música brasileira, e um mínimo de memória, será capaz de cantarolar uma frasezinha da flauta de Copinha, ainda que não tenha a menor idéia de quem tenha sido o flautista. O exemplo clássico é a abertura, em solo de flauta, de “Chega de Saudade”, de João Gilberto, música que lançou a bossa nova em 1957.

Nicolino Copia nasceu em São Paulo, no dia 03 de março de 1910, em uma grande família de pai e mãe italianos e nove filhos, todos músicos. Copinha começou a estudar aos 7 anos de idade, trilhando os árduos caminhos do estudo da música erudita, que inclui solfejo, harmonia, leitura, teoria. Com nove anos de idade começou efetivamente a prática com a flauta. Ainda com essa idade, já fazia serenatas com o luxuoso acompanhamento do violonista Canhoto (Américo Jacomino). Além da flauta, Copinha dominava também a clarineta e o saxofone, que aprendeu no Conservatório Dramático Musical de São Paulo. Copinha fez reconhecida carreira como músico de orquestra e de grandes conjuntos. A primeira orquestra de que fez parte foi a Orquestra Irmãos Cópia, liderada por seu irmão mais velho, Vicente. Depois, participou da Orquestra Juca e Seus Rapazes, e, posteriormente, participou da Orquestra do Maestro Gaó, chamada Orquestra Colúmbia, que se apresentava em rádios paulistas. No ano de 1930, Gaó e sua orquestra mudaram-se para o Rio de Janeiro, para tocar em boates, cabarés, teatros, cassinos. Tocaram no Cassino do Copacabana Palace e no Cassino da Urca; nesse período, Copinha teve contato com Pixinguinha. Na década de 1940, Copinha criou a primeira orquestra sob sua liderança, com o nome de Copia e Sua Orquestra. Foi com ela que, ao longo de 20 anos, Copinha foi acompanhador dos maiores cantores da MPB, incluindo Silvio Caldas, Francisco Alves, Mário Reis, Carmem Miranda, Aracy de Almeida, Orlando Silva, Dorival Caymmi, entre outros. Em 1958, sua Orquestra foi enriquecida com Hermeto Paschoal, que tinha acabado de chegar ao Rio de Janeiro, e João Donato.  

Na década de 1960, porém, as mudanças na indústria fonográfica, no rádio de na TV forçaram o desaparecimento de várias orquestras, cujo custo de manutenção era elevado demais quando comparado aos custos de pequenos conjuntos. Isso acertou em cheio a carreira de Copinha, que era centrada em sua orquestra. Ele fechou sua orquestra, indo trabalhar nas orquestras da TV Tupi e da Rede Globo. Em pouco tempo, ambas também tiveram suas atividades encerradas. Copinha foi salvo, porém, pela sua incrível versatilidade. Nesse mesmo período, surgia uma nova safra de cantores e compositores brasileiros, que gravavam um disco atrás do outro. Lá estava, então, o grande Copinha, enflautando as canções de gente como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Cartola e Ivan Lins, apenas para citar alguns. E assim foi com centenas de músicas, arranjadas e enflautadas por Copinha, o que fez dele um músico muito escutado, porém pouco conhecido, porque músicos acompanhadores nem sempre têm o reconhecimento que efetivamente merecem. Possuidor de tanto conhecimento musical, é de se esperar que Copinha se destacasse também como compositor. Mas a falta de tempo não permitiu que ele se dedicasse à composição, e o resultado disso é que tem apenas 20 composições gravadas. Como solista de choro, realizou algumas dezenas de gravações, demonstrando estilo interpretativo de extremo bom gosto. Copinha conseguiu também arrumar tempo para ensinar, e, entre seus discípulos, está o flautista e saxofonista Eduardo Neves. Copinha faleceu um dia depois de completar 74 anos, no dia 4 de março de 1984, um domingo de carnaval.

Esse disco que postamos hoje fornece uma pequena amostra do talento e da versatilidade de Copinha. Ele traz vários gêneros, como bossa-nova, choro, samba e baião; tem também arranjos tanto para orquestras quanto para regionais. O disco também evidencia o absurdo prestígio que Copinha tinha. Participaram deles, sem exagero, algumas dezenas dos melhores músicos brasileiros de todos os tempos.


LADO A
  1.  Pimavera (Carlos Lyra e Vinícius de Morais)
  2. Chega de Saudade (Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Morais)
  3. Samba de Uma Nota Só (Antônio Carlos Jobim)
  4. Saia do Caminho (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy)
  5. Cadência (Joventino Maciel)
  6. Reconciliação (Copinha)
  7. Lambada (Copinha)

    LADO B

  8.  Kalú (Humberto Teixeira)
  9.   Derramaro o Gai  (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
  10. Trepa no Coqueiro (Ary Kerner)
  11.  Chegando Mais (Luiz Bandeira Távora e Fernando)
  12. Agora é Cinza (Bide e Marçal)
  13. O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa e Kid Pepe)
  14. 14.  Apito no Samba (Luiz Bandeira)
  15. Naquele Tempo (Pixinguinha e Benedito Lacerda)
  16.  Primeiro Amor (Pattapio Silva)
  17. Notícia (Nelson Cavaquinho, Nourival Bahia e Alcides Caminha)
  18. Mariana (Paulinho da Viola)