quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Forró movido a Jazz

1976 - Domingo Menino Dominguinhos


Um dia desses eu mostrei esse disco prum grande colega e sanfoneiro americano, o Robert Curto que toca música brasileira como poucos e na mesma hora ele disse: "Caralho, o que o Dominguinhos estava ouvindo nessa época pra gravar este disco ? Será que ele ouvia Charlie Parker, John Coltrane ?
Eu também me pergunto a mesma coisa. Até já encontrei com o próprio Dominguinhos ( Vcs podem ver pelo autógrafo na capa ), mas não tirei essa dúvida com ele.
Primeiramente a banda que o acompanha neste disco é da pesada: Wagner Tiso no piano, Toninho Horta nas guitarras, Jackson do Pandeiro na percussão, Altamiro Carrilho na flauta (não tem na ficha técnica, mas o Dominguinhos que me disse), Gilberto Gil no violão e outros músicos completam essa "gig" jazzística.
O repertório é de primeira também. Dominguinhos e sua parceira Anastácia assinam grande parte da autoria das músicas do disco. Quero um Xamego. O Babulina (um samba-rock de sanfona), Destino Traquino, De Mala e Cuia, Tenho Sede (maravilhosa !!!), Forró do Sertão, Veja, Cheguei pra ficar e Canto de Acauã são da dupla. Algumas são le
ntinhas e tem uma cadência que emociona com Dominguinhos brincando com sua sanfona nos intervalos dos versos. Tem um samba muito bonito da Anastácia chamado Minha Ilusão, em que Altamiro Carrilho coloca sua flauta numa introdução belíssima e Dominguinhos canta com uma leveza e facilidade incríveis. O mesmo Altamiro Carrilho é autor de Gracioso, um choro invocado e com um groove anos 70. A última faixa do disco é Baião Violado, do Dominguinhos, que pra mim é a melhor. Wagner Tiso arrebenta num solo e Dominguinhos com seus contrapontos incríveis mostra seu lado improvisador.
Dominguinhos é um músico completo. Em 1949 / 1950 conheceu Luiz Gonzaga que na mesma hora lhe deu 300 mil réis e seu endereço no Rio de Janeiro. Foi bater na porta do Mestre Lua em 1954 aos 13 anos no Rio de Janeiro. Na mesma hora o Mestre Lua lhe deu uma sanfona de 80 baixos. No RJ foi servente de pedreiro, tintureiro e tocava nos fins de semana com seu pai e irmãos nas festas.
Passou muitos anos da sua vida tocando em boates e cabarés no Rio de Janeiro. Nos cabarés ele tocava de tudo: Jazz, Bolero, Samba-Canção, Bossa Nova, choros e claro alguns forrós. E ainda por cima, substituía nada mais nada menos que Orlando Silveira no regional do Canhoto e Chiquinho do Acordeon na Rádio Nacional, Rádio Tupi, Rádio Mayrink Veiga. Nas rádios acompanhava Caubi Peixoto, Nelson Gonçalves, Ciro Monteiro, Dalva de Oliveira e qualquer um que aparecia.
Não queria gravar discos, até que em 1964, Pedro Sertanejo (pai de Oswaldinho do Acordeon) o levou pra gravar na sua gravadora, a Cantagalo, sediada em São Paulo. Foi lá e gravou Fim de Festa. O primeiro de uma série de discos consagrados desse grande compositor e versátil instrumentista da Música Brasileira.
Ouçam este disco e aproveitem o melhor da música brasileira.
Bom proveito !!!


8 comentários:

Terrivel , perigoso disse...

Primeiramente acho q é um disco raro de se ver por ai...acho q nem em alguns sebos a gente acha um disco como esse...

daniel disse...

amigos, alguém tem a senha para descompactar esse disco?!

Vixe, tô com muita curiosidade e vontade de ouví-lo.

Abraços...

daniel disse...

Bom demais, sô.

O dominguinhos surpreende a gente em quase tudo que faz.

Valeu por mais esse disco maravilhoso.

E parabéns pelo blog. A proposta tá ótima e os posts sãõ sensacionais...

Abraços...

Anônimo disse...

Muito, bom. Aliás, sensacional.
você tem muito bom gosto. Valeu acessar seu blog. Parabéns

Anônimo disse...

maravilhoso

Celina disse...

simplesmente maravilhoso...
=~~

Tuiuiu disse...

Grande Cacai... parabens pelo Blog.
Tenho um blog tambem nos mesmos moldes, onde comento uma musica de cada vez, e sou pesquisador de musicas brasileira tambem. Da uma passada por la depois: www.sebomusical.com.br.

Realmente esse disco é foda, mas pra mim o disco que ele faria em seguida que é totalmente "extraterreste", o "Oi la vou eu" de 1977, aquilo sim é disco absurdo, e é com a mesma galera que gravou este ai.

Um grande abraço,
Tuiuiu.

G. Tomé disse...

parabéns e obrigado pelo blog.
Esse do dominguinhos é de chorar