O Acervo Origens é uma iniciativa do violeiro, pesquisador e produtor musical Cacai Nunes e visa pesquisar, catalogar, divulgar e compartilhar conteúdos musicais na internet e em atividades culturais das mais diversas como shows, saraus, bailes de forró e programas de rádio. Ao identificar, articular e divulgar a música brasileira, sua história e elementos – entendidos como o conjunto entrelaçado de saberes, experiências e expressões de pessoas, grupos e comunidades, sobre os mais diversos temas – o ACERVO ORIGENS visa contribuir para a geração e distribuição de um valioso conhecimento, muitas vezes ignorado e disperso pelo território nacional.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Otacílio Batista e Oliveira de Panelas - Só Deus improvisa mais (14/09/2011)

Está aqui um disco que une dois grandes nomes do repente e da cantoria. Otacílio Batista  nasceu no dia 26 de setembro de 1923, na Vila de Umburanas, município de Itapetim, em Pernambuco. Hoje, essa antiga vila é a cidade de São José do Egito. Na infância, Otacílio trabalhava na agricultura, e, por isso, estudou só até a quarta-série. Mas sua enorme família tinha mais de 100 repentistas. Sua mãe era sobrinha de um cantador ancestral do nordeste, chamado Ugolino do Sabugi, que era irmão dos poetas Nicandro Nunes da Costa e Agostinho Nunes da Costa Filho, que era primo dos poetas Francisco das Chagas Batista, Antonio Batista Guedes e Pedro Batista. Dois irmãos de Otacílio, Lourival Batista e Dimas Batista, foram também repentistas de grande reconhecimento em Pernambuco e em todo o nordeste. Então, tamanho vínculo com a arte do repente, juntamente com grande talento, produziram um homem cuja história de vida se confunde com a história dessa arte no Brasil. Então, é difícil precisar a idade com que Otacilio começou a fazer repente, porque pode-se dizer que ele nasceu fazendo. Mas, profissionalmente, o repente começou em sua vida em 1940. Logo depois, teve que servir o Exército por dois anos. Saindo do Exército, Otacilio voltou ao improviso para ficar. Em 1946, por iniciativa de Ariano Suassuna, que era ainda estudante de Direito, Otacilio participou de uma apresentação beneficente no Teatro Santa Isabel, que até então nunca tinha tido, em seu palco, um artista popular. Essa apresentação alavancou a carreira de Otacilio, e aí ele não parou mais. Foram dezenas de viagens, programas de televisão, cantorias com os mais célebres artistas. Otacilio se destacou também como pesquisador da música tradicional, notadamente do repente e da viola. É de sua autoria, juntamente com Francisco Linhares, a publicação “Antologia ilustrada dos cantadores”, uma obra de referência para pesquisadores e estudiosos da viola e do repente. Otacílio fez dupla com vários artistas consagrados. Mas a que durou mais tempo foi com Oliveira das Panelas: foram 25 anos de cantoria.
Oliveira das Panelas, bem mais novo do que Otacílio, nasceu em 24 de maio de 1946, no município de Panelas, em Pernambuco. Seu nome era Oliveira Francisco de Melo. Juntando o nome (que parece um sobrenome) com o local de nascimento, ele criou sua alcunha artística. Seu pai era lavrador e pedreiro, e ninguém da família tinha veio nas artes da cantoria e da poesia, a não ser pelo gosto de ouvir os cantadores da região. O garoto, então, cedo se apaixonou pela arte, e ainda criança já brincava de cantar e compor, incentivado pela família. Ele não chegou à quarta série primária, mas devorava os livros que lhe caíam nas mãos. Aos 12 anos, passou a acompanhar o poeta ambulante Zé Rufino em suas andanças e cantorias, e assim aprendeu. Aos 14, iniciou a carreira de cantador profissional. Em 1962, foi morar em Garanhuns, Pernambuco. Dividia o tempo entre as cantorias e o ofício de pedreiro, junto ao seu pai, porque somente a cantoria não era suficiente para garantir o sustento. Em 1971, foi para São Paulo, tentar a sorte como artista. Lá, fazia apresentações em bares e restaurantes no Brás, bairro onde morava. Também participava de concursos e festivais de viola, que lhe deram boa projeção. Chegou até a participar do “Fantástico”.  Participou da gravação de  trilhas sonoras de filmes nacionais e de três LPs. Mas foi em 1975 que sua vida deu uma guinada. Ele conheceu o Otacilio, que o convidou para voltar para o nordeste. Foram 25 anos de parceria. Otacilio transmitiu a ele os segredos do repente como se fosse a um filho. A dupla, durante muitos anos, foi titular do programa “O Nordeste Canta”, na Rádio Tabajara de João Pessoa, campeão de audiência local. Por sua história e talento, Oliveira é um dos nomes mais importantes da cantoria nordestina.
O disco de hoje mostra o resultado incrível da dupla. Tem composições de Otacilio e de Oliveira das Panelas. Destaco Oração da Paz, que, embora tenha sido feita na década de 1970, parece que foi composta ontem, tamanha sua atualidade.


Lado A

1-O poeta e o passarinho (Otacilio Batista)
2-Advertência (Oliveira de Panelas)
3-O homem de Belém (Otacilio Batista)
4-Conformação (Oliveira de Panelas)
5-Coisas do sertão (Otacilio Batista)

Lado B

1-Filho renegado (Oliveira de Panelas)
2-Engenho de pau (Otacilio Batista)
3-Conflito das nações (Oliveira de Panelas)
4-Oração da paz(Oliveira de Panelas)
5-12 horas, 12 dias, 12 meses, 12 anos (Otacilio Batista)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ciclo do Padre Cícero - A arte da cantoria Vol 3 - (09/11/2010)

Padre Cícero nasceu na cidade do Crato, no Ceará, em 24 de março de 1844, e foi batizado como Cícero Romão Baptista. Como todo mundo sabe, foi um dos padres mais famosos do Brasil, que angariou uma legião de devotos. Sua atuação levanta polêmica até hoje. Diz-se que as polêmicas começaram quando, em 1889, uma beata que assistia sua missa não conseguiu engolir a hóstia da comunhão porque ela se convertera em sangue. Esse fato se repetiu várias vezes, e o fenômeno atraiu milhares de fiéis. Assim, Juazeiro do Norte se transformou em centro de romaria. As autoridades eclesiásticas não gostaram disso, e impuseram retrações ao Padre Cícero. O Padre chegou a ir para Roma, mas acabou sendo obrigado a deixar a ordem. Ele passou a atender os romeiros em sua própria casa. Começou a  participar intensamente da vida política da região, juntando-se ao movimento pela emancipação da cidade de Juazeiro, então sob jurisdição do Crato. No dia 4 de outubro de 1911, padre Cícero Romão tornou-se o primeiro prefeito de Juazeiro. No ano seguinte, tornou-se também vice-presidente do Estado. Padre Cícero faleceu aos 90 anos, de problemas renais. Expulso da Igreja, ele é o verdadeiro  santo do povo, venerado em todo o Nordeste Brasileiro. Por isso, sua vida é contada e recontada em músicas, cordéis, poemas, pinturas, e em todo o tipo de arte popular. Esse disco, organizado pelo Instituto Nacional do Folclore, em 1986, recolheu cantos, benditos, poemas, cordéis e folhetos, tradicionais, em várias localidades do nordeste, que retratam a devoção de seu povo em relação ao Padre Cícero.


Lado A

1- Os sacrifícios de São Cícero Romão (canção) Rouxinol do Norte
2 – Homenagem ao Padre Cícero Romão Batista, Patriarca de Juazeiro (canção) Caetano Cosme da Silva
3 – Promessa ao Padre Cícero (canção) João Bandeira
4 – Em Junho/ em Janeiro (benditos) Cleonice dos Santos, Manoel dos Santos, Maria do Socorro e Maria Quitéria dos Santos
5 – Sextilhas João Furiba e Sílvio Grangeiro

Lado B

1 – Oito pés a quadrão/dez pés a quadrão João Bandeira e Sílvio Grangeiro
2 – Vida, sofrimento e glória do Padre Cícero Romão (poema) Geraldo Amâncio
3 – Em defesa do Padre Cícero, o apóstolo do Nordeste (folheto) Expedito Sebastião da Silva
4 – Baião de viola (vinheta) João Furiba

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Beija-Flor e Rouxinol


É hora do desafio de emboladores aqui no Acervo Origens


Rapa de Pipa

Este Lp foi recém adquirido em viagem a Recife.
Não conhecia os dois repentistas, mas ouvindo o disco, foi uma ótima escolha.
Destaque para "Cuidado Cantor", "Farrape não" e "Paraná, Paraná" que é um verdadeiro desafio de cantadores.















Pesquisando na Net sobre os dois repentistas, achei este vídeo em que Beija-Flor se apresenta com outro repentista, Oliveira.
Estas imagens fazem parte do documentário "Nordeste: Cordel, Repente E Canção (produção de Tânia Quaresma, 1975)". Este também é o nome de um belo e raro LP com produção da mesma Tânia Quaresma e que conta com participação de Caju e Castanha (respectivamente com 12 e 7 anos), Cego Oliveira, Otacílio Batista, Zé Ramalho, Diniz Vitorino e outros.

Bom Proveito !