O Acervo Origens é uma iniciativa do violeiro, pesquisador e produtor musical Cacai Nunes e visa pesquisar, catalogar, divulgar e compartilhar conteúdos musicais na internet e em atividades culturais das mais diversas como shows, saraus, bailes de forró e programas de rádio. Ao identificar, articular e divulgar a música brasileira, sua história e elementos – entendidos como o conjunto entrelaçado de saberes, experiências e expressões de pessoas, grupos e comunidades, sobre os mais diversos temas – o ACERVO ORIGENS visa contribuir para a geração e distribuição de um valioso conhecimento, muitas vezes ignorado e disperso pelo território nacional.
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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Do lado de lá - Maracatu (Adelino Rivera - Antonio Barros)

O salão estava cheio e o baile fervendo.
Era mulher rodopiando dum lado pro outro e um danado dum rapazote serelepe nas sandálias, parecendo que estava matando uma centena de baratas no chão. Ah, e tinha gente incomodada com essas estaladas no chão.
Então, uma moça estrangeira pede para o DJ a música Maracatu do RAPadura Xique-Chico. Daí, rapidamente ele avisa que vai tocar a versão que deu origem à tal música do Rapentista.
E foi, então, que ele sacou o LP da RCA de 1960 com Marinês e sua gente + Regional do Canhoto interpretando um maracatu pra lá de atual.
E a moça estrangeira foi vista com sua pele branca e o rosto rosado de tanta alegria e suor. Era um sorriso verdadeiro e contagiante. Só um maracatu zabumbado para fazer isso.
Já pensou na atualidade dessa música que foi gravada há mais de 50 anos ??
Já pensou aonde essa música está chegando por meio de recriação de nossos artistas ?
Viva Rapadura Xique-Chico, Viva Marinês e sua Gente
Viva nossa música nordestina !
Curta o Forró de Vitrola


DO LADO DE LÁ (Adelino Rivera - Antonio Barros)
"Va batendo o zabumba
Que eu balanço o ganzá
Vamos formar um batuque
Pro povo dançar
Maracatu, do lado de lá
Nós já temos zabumba
Nós já temos ganzá
Ta faltando um gongue
Mais mandei buscar
Não quero que sai ninguém
Sem ver meu batuque pesar
Porque o meu maracatu
É bom de dançar
É do lado de lá,
É bom de dançar "

quinta-feira, 8 de maio de 2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Cultura da Logomarca e o silêncio dos instrumentos, por Cacai Nunes

Texto: Cacai Nunes

Eis que vivemos na cidade planejada, Capital da Esperança. Criada a partir dos traços do arquiteto e do urbanista. Pura arte ! Como já dizia o poeta: “Gosto tanto dela assim”. Sei não ! De uns tempos pra cá, tenho deixado de gostar tanto da cidade onde fui criado. Cheguei em 84 aos 5 anos de idade e me sinto brasiliense de corpo e alma. Só que a cidade tá explodindo. Carros, muitos carros, falta de educação, expansão desordenada, corrupção descarada (precisava falar??) e outras mazelas tão comuns em outras grandes cidades que, até então, a gente achava que Brasília estaria imune, #sqn. Tanto é que me mudei pro interior de Sobradinho, bem na Casa do Chapéu.
Mas o fato é que, quando a cidade foi concebida, esqueceram de planejar algo inevitável na vida das pessoas: diversão. E o que isso inclui ? Um boa música.
Chegamos ao ponto principal deste texto.   
      Estamos, músicos e profissionais da cultura, sendo excluídos do nosso fazer cotidiano, por conta de proibições que eu chamaria de ridículas, já que estamos numa grande cidade e como toda grande cidade, a música é parte dela. E Brasília é notória por seus artistas que se consagraram com sua música, criada aqui.  E como estes artistas começaram sua carreira ? Na noite, no fazer diário, em rodas de amigos, de choro, de forró, jams de rock e tudo que sempre coube por aqui...Afinal, não somos aquele turbilhão cultural, mistura de todos os Estados e blá blá blá? Mas e cadê a tolerância nessa mistura? Será que ela se perdeu geneticamente? Nem estou falando de uma diversão desregrada, porque também tenho minhas ressalvas (a idade vai chegando, a preguiça aumentando...rs), mas sim de uma participação de uma classe que mobiliza boa parte da população que consome, que faz notícia, que forma opinião e assim, multiplica o (restrito) mercado da capital.

            Aí, chego à uma conclusão, já compartilhada com algumas pessoas mais próximas, que cada vez mais Brasília tem sido a capital da política. Até pra se fazer cultura e/ou música. Ultimamente, os eventos na Esplanada têm sido os mais aclamados. Só se faz cultura na Esplanada. Mas porque só lá ? Certamente pela institucionalização da cultura. A cultura da logomarca. Pra ficar bonitinho pros 3 Poderes. Mas no entanto, a meu ver, os eventos na Esplanada são pouco criativos (salvo raras exceções). Tem quase sempre a mesma estrutura de palco, som (quase sempre alto pra porra), luz, tendas, perfil de público. Parece até que o evento da semana que vem será uma continuação do evento da semana retrasada. E ainda tem a “invasão” da música de fulano do Norte, de beltrano do Nordeste. Tudo isso pode, mas e nós que aqui estamos, pra onde vamos ? Mofar na cidade-planejada-fiscalizada-vigiada, das regras rígidas, bem cumpridas, onde reina a paz e o silêncio dos cemitérios, e nem pássaros, nem cigarras, nem crianças e nem músicos podem brincar, cantar e tocar? Pra sair daqui também tá difícil.
          
            Precisamos repensar modos de fazer, ocupar os pequenos botecos, os parques, a rua, a beira do lago. Mas aí, voltamos à tolerância. Será que o senhor e a senhora podem dar uma brecha pra quem faz e vive de música na capital ? Saia de casa e venha ouvir os acordes dos nossos bandolins, violas, violões, guitarras, os sons dos nossos pandeiros, das baterias e tudo que soa nesse cerrado do céu de nuvens doidas.
Ou será que é necessário sair da capital pra termos o devido reconhecimento ? Eu prefiro acreditar que ainda é possível. Estou exercitando minha tolerância.

Cacai Nunes é violeiro, compositor e pesquisador.

Apresenta o Programa Acervo Origens todo sábado às 19h na Rádio Nacional Brasília FM 96,1 e também coordena o Blog Acervo Origens www.acervoorigens.com