terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Xangai Qué qui tu tem canário (21/12/2010)

Eugênio Avelino nasceu em Vitória da Conquista, Bahia, em 1948. Ainda criança, mudou-se com a família para a Zona da Mata de Minas Gerais. Lá, seu pai montou uma sorveteria, na cidade de Nanuque, cujo nome era Xangai. Daí o artista tirou, mais tarde, seu nome artístico. Sua família era ligada à música. O avô era sanfoneiro, e Xangai iniciou os estudos musicais na sanfona, passando, posteriormente, ao violão. No início da década de 1970, viveu na fazenda de seu primo, o compositor Elomar. Com ele, conheceu a cultura e a música caipira, e aprendeu a cantar aboiando o gado. Essa convivência foi fundamental para sua formação musical. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro. Chegou a começar uma faculdade de economia, que largou para dedicar-se à música. Em 1976, gravou seu primeiro disco. Xangai chama a atenção não só pelo talento, mas também porque faz críticas abertas à cultura de massa, e ao monopólio musical instituído pelas grandes gravadoras. Ele faz questão que sua música seja uma resistência a isso. E notemos que seus primeiros discos, gravados em meados da década de 70 e no começo da década de 80, coincidiram com o apogeu das grandes gravadoras. Ele fala da mídia de massa, que impõe a todo o mundo a música de alguns poucos artistas, como um rolo compressor que massacra as culturas populares locais, que, por mais que tenham qualidade e consigam resistir, ficam em estado de extrema vulnerabilidade. Mas ele alerta que existem pessoas que não se deixam enganar pelo canto das “pseudo-sereiras”, a quem ele denomina “guerrilheiros culturais”, e entre os quais ele mesmo se inclui. Apesar disso, Xangai alcançou grande sucesso, e hoje é um artista muito conhecido. Mas sua postura, fiel à música de qualidade, não permitiu que ele ficasse rico. Segundo ele, dá para pagar as contas, mas nunca tem dinheiro sobrando. Qué qui tu tem canário é o terceiro disco da carreira de Xangai, gravado em 1981. Apesar de Xangai não rotular sua música, sua obra evidencia claramente sua afinidade com os sons e os temas do sertão. Nesse disco, ele mostra o grande compositor que já era em início de carreira, e seu enorme talento como intérprete. Destaco as faixas Estampas Eucalol, de Hélio Contreiras, e Matança, de Jatobá.


Lado A

1-      Cantoria do galo (Xangai-Jatobá)
2-     Qué qui tu tem canário (Xangai-Capinan)
3-     Curvas do Rio (Elomar)
4-     Pés de milho (Jatobá)
5-     Galope beira mar (Fragmentos soletrados) (Ivanildo Villanova-Xangai)

Lado B

1-      Estampas Eucalol (Hélio Contreiras)
2-     Matança (Jatobá)
3-     Os carneirinhos (Hélio Contreiras-Xangai, s/Poema de Cecília Meireles)
4-     Água (Xangai-Jatobá)
5-     Esquindó de Zombaria (Xangai-Capinan)

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3 comentários:

Paulo Horta disse...

Caro, não consigo baixar a música nr. 2 do disco do Xangai. NA verdade ela não está no arquivo. Obrigado.

Wil'son Granja disse...

Que delícia! Já ouvi muito este LP durante a minha infância em Conquista ;)

Acervo Origens disse...

Link já corrigido, Paulo.

Obrigado pelo alerta
grande abraço