quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pinduca No embalo do carimbó e sirimbó (03/08/2011)

O Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luiz da Camara Cascudo, define o Carimbó como dança negra, brasileira, de roda, em Marajó, arredores de Belém, no Pará (...). A dança do carimbó ocorre na área pastoril de Soure (Marajó), nas zonas de lavradores do Salgado (Curuçá, Marapanim, Maracanã), tanto na terra firme, como nas praias. A palavra Carimbó é de origem tupi: curi que significa pau oco, e mbó que significa furado. Com o passar do tempo, o termo foi sofrendo variações: curimbó, corembó, corimbo, curimã.. O Carimbó é um gênero musical que, como muitos outros, surgiu juntamente com uma dança. Ele era, originalmente, um ritmo indígena dos índios tupinambás, que habitavam o norte do Brasil, e tinha mesmo aquela monotonia típica das danças indígenas. Os negros, que foram em grande quantidade para o norte, no ciclo da borracha, então, começaram a introduzir alterações no ritmo, para que pudesse ser dançado com mais ginga, e inseriram coisas dos batuques africanos, tanto na música quanto na dança. Os portugueses, por sua vez, inseriram elementos das musicas e danças europeias como, por exemplo, os dedos castanholando e marcando o ritmo. Então, o carimbó é um gênero brasileiríssimo, porque surgiu a partir da mistura de elementos indígenas, africanos e europeus, os três tendo igual influência e importância.
A alma do Carimbó, como o próprio nome já diz, são os tambores. Eles são feitos de troncos de árvores escavados, com uma abertura lateral em toda a extensão para emissão do som, e fechados numa das extremidades por pele de animal silvestre. Os outros instrumentos que tocam o Carimbó são reco-reco, violá, ganzá, banjo, maracás e flauta.  O Carimbó tem uma vestimenta típica. Os homens com blusas lisas ou estampadas sobre calças lisas; lenço no pescoço, chapéu de arumã. As mulheres usam blusas que deixam ombros e barriga à mostra, muitos colares e pulseiras feitos de sementes da região, e saias rodadas ou franzidas coloridas ou estampadas. Elas usam flores ou arranjos na cabeça, e vários enfeites. Homens e mulheres dançam descalços.
O Carimbó saiu do contexto rural amazônico, urbanizou-se e é hoje uma expressão da cultura nortista da maior relevância. Pinduca, conhecido como o Rei do Carimbó, é um de seus representantes mais célebres. Esse disco, gravado em 1976, é de enorme importância em sua carreira, porque se transformou em uma das principais referências do gênero Carimbó. Mais interessante é constatar que a origem da lambada, ritmo brasileiro de grande sucesso nas décadas de 1980 e 1990, é associada a esse disco, que tem uma música denominada Lambada. Essa é considerada a primeira gravação de uma lambada.


Lado A

1-Lári lári ê – Lári Lári (Pinduca – Maria Isabel Pureza).
2-Minha Maria – Sirimbó (Pinduca)
3-Carimbo do Pará – Carimbo (Pinduca)
4-Passarinho – Carimbo (Pinduca – João Antonio de Oliveira)
5-Vaqueiro – Carimbo (Pinduca – João Antonio de Oliveira)
6-Lambada – Sambão (Pinduca)

Lado B

1-Comancheira – Yô, yô, yá, yá (Comancheira) (Pinduca)
2-Lá lariá – Lári, lári(Pinduca – Edualvaro Magno Marques)
3-Coisa boa do Pará – Carimbo(Pinduca – Carlos Santiago Mamede)
4-Boca de forno – Carimbo (Pinduca)
5- Comprando fiado – Sirimbó (Pinduca – Carlos Santiago Mamede)
6- Mutirão – Carimbo (Pinduca – Nauar)

2 comentários:

Azevedo Dias disse...

Andei pesquisando na Internet, e em praticamente todos os sites, nos textos que li e que tratam das origens do Carimbó, consta a informação que o ritmo do carimbó deriva do batuque africano. Explique-me como a pessoa que escreveu isso pode afirmar com toda certeza que o ritmo é africano. Não haveria a possibilidade de o ritmo ser indígena, já que o tambor é indígena. Ou será que somente o povo africano tem ritmo?

Outra pergunta: Quem é que criou esse mito que os ritmos brasileiros são todos de origem africana? Será que tanto os portugueses quanto os indígenas são seres incapazes?
Se isso for verdade, chegaríamos à conclusão que sem os africanos, no Brasil não essa grande variedade de rítmica. Será???

Vale lembrar que estamos falando de um ritmo da região próxima a Belém do Pará , cuja cultura e traços típicos característicos de população são totalmente diferentes de Salvador, Recife, Rio de Janeiro e por aí vai....

J Thyme...kind disse...

Thank you!