quarta-feira, 23 de março de 2011

Adauto Santos - Triste Berrante Part. Especial do Bando Macambira (23/03/2011)

Adauto Santos é um dos nomes mais importantes da música caipira contemporânea. Ao lado de Renato Andrade, Zé Mulato e Cassiano, Almir Sater, Roberto Correa e vários outros, Adauto foi uma importante resistência da autêntica música caipira frente à sua degeneração, representada pela música brega-sertaneja. Ele nasceu em 1940, no interior de São Paulo, mas ainda cedo se mudou para Londrina, no Paraná, onde cresceu. Foi lá que começou a carreira musical, com o Duo Havaí, formado por ele e sua irmã. O Duo já começou botando para quebrar, e venceu o Festival Roda de Violeiros, do lendário Capitão Furtado, realizado em Londrina. Em 1962, Adauto foi para São Paulo, e começou a cantar na noite paulistana. Durante muitos anos, ele se apresentou no famoso Bar Jogral. Duas coisas chamavam a atenção nas apresentações de Adauto: sua linda e afinadíssima voz e a viola caipira. Ele misturava coisas contemporâneas da MPB com as levadas e o repertório da viola, com grande talento, a ponto de começar a ganhar prestígio e espaço em rádios, televisões e jornais. E numa dessas, ele foi parar no Programa Som Brasil, apresentado por Rolando Boldrin, e isso abriu para ele muitas portas. Uma de suas composições, Triste Berrante, foi incluída na novela Pantanal, da Rede Manchete. Adauto faleceu em 1999, deixando uma obra de inestimável valor. O disco de hoje é o primeiro da carreira de Adauto, e tem, logo na primeira faixa do Lado A, seu maior sucesso, Triste Berrante, que merece ser ouvido com reverência. O disco tem a participação do Bando de Macambira, que  acompanhou Adauto Santos durante 20 anos. Esse conjunto é um grupo de choro e samba (vocês ouvirão, no disco, bandolins e cavaquinhos aqui e acolá), formado em 1969, na cidade de São Paulo, por vários irmãos migrantes do Ceará. Eram tantos irmãos que deu para montar um regional inteiro: João Pereira Lima (bandolim), Luiz Pereira Lima (violão de 7 cordas), Francisco Pereira Lima (cavaquinho-percussão) e Francisco Assis de Lima (percussão). Por incrível que pareça, o Bando continua tocando nas rodas de choro da terra da garoa.


* PS: recebemos algumas mensagens sobre a discografia do Adauto Santos.  
Na realidade, este disco, de 1978, não é o primeiro disco do Adauto Santos. Antes, em 1974, ele havia lançado, pela discos Marcus Pereira, o disco "Nau Catarineta" que está disponível no  http://300discos.wordpress.com/2010/12/19/mp36-adauto-santos-nau-catarineta-1974


Lado A

1-      Triste berrante (Adauto Santos)
2-     Caminhante do universo (Adauto Santos-Paulo Elias Machado)
3-     Devoção (Nonô Brasilio)
4-    Flor do cafezal (Luiz Carlos Paraná)
5-     Pousada (Adauto Santos)
6-    João Pretinho (Adauto Santos-Paulo Elias Machado)

Lado B

1-      Adeus viola (Adauto Santos)
2-     Doce de cidra (João Pacifico)
3-     Cantiga a moda mineira (Raymundo Prates)
4-    Vento bateu (Adauto Santos)
5-     O baile (Adauto Santos)
6-    Anoitecer na quaresma (Adauto Santos- Raymundo Prates)

3 comentários:

300 Discos Importantes disse...

Excelente disco, Cacai.
Se me permite, só um pequeno reparo. Na realidade, este disco, de 1978, não é o primeiro disco do Adauto Santos. Antes, em 1974, ele havia lançado, pela discos Marcus Pereira, o disco "Nau Catarineta", http://300discos.wordpress.com/2010/12/19/mp36-adauto-santos-nau-catarineta-1974/ .

Abraço.

Mauro Sérgio Crestani disse...

Cacai, boa tarde

Eu de novo. Só pra dizer que este não é o primeiro disco da carreira do Adauto, como consta de seu post. Este é de 1978 e há pelo menos um anterior, lançado em 1974 pelo Marcus Pereira, com produção de arranjos de Théo de Barros, chamado "Nau Catarineta".

Um abraço

Mauro Crestani

Cacai Nunes disse...

olá amigos.

obrigado pela correção. já corrigi na postagem

Grato
Cacai