quinta-feira, 19 de maio de 2011

Paulinho Nogueira - Moda de Craviola (19/05/2011)

Paulo Mendes Pupo Nogueira nasceu em Campinas, em 1929. Foi lá mesmo que, aos 10 anos, começou a tocar violão com o pai, nas rodas de cantoria que aconteciam em sua casa. Ainda muito jovem, foi para São Paulo tentar a vida como desenhista. Na capital, começou a tocar como solista em boates e nas Rádios Bandeirantes e Gazeta. Suas influências eram os violonistas chorões, principalmente Canhoto da Paraíba e Garoto; era de se esperar, então, que seu estilo de tocar violão fosse cheio das modernidades que deram origem à bossa-nova, e é justamente por elas que Paulinho é considerado o precursor da bossa-nova em São Paulo. Seu primeiro LP, instrumental, chamado “A Voz do Violão”, mostra que, além de tocar bem, Paulinho também tinha um talento especial na escolha do repertório. No disco, entre outras, tem a guarânia "Índia", de Guerrero, o samba "Agora é cinza", de Bide e Marçal; "Luar do sertão", de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense e "O orvalho vem caindo", de Noel Rosa e Kid Pepe. Daí em diante, foram são 26 LPs, seis CDs, e várias turnês no mundo inteiro. Ele faleceu recentemente, em 2002. Além disso tudo, Paulinho Nogueira é o inventor da craviola, instrumento de 12 cordas com formato parecido com o do violão, mas cujo som parece uma mistura do cravo com a viola. A craviola é produzida pela Giannini conforme o projeto original de Paulinho Nogueira. Abaixo, uma foto do instrumento:


Sobre a craviola, o próprio Paulinho falou uma vez: “Eu mesmo antes de tocar violão já gostava muito de desenhar. Eu fazia muito desenho com crayon. Eu cheguei até a ganhar um prêmio no Salão da Primavera em Campinas, de tanto que eu gostava de pintar. Então, depois que eu tomei outro rumo e passei a ser músico, violonista, me deu uma idéia de fazer um violão que fosse desenhado por mim. Eu fiz alguns desenhos e como era muito amigo do Giannini ,o fabricante de violão, levei pra ele que achou a idéia ótima. Escolheram um modelo e me fez assinar um contrato como inventor, eu até achava graça pois tinha virado inventor agora. Então, para resumir a história, a craviola foi exportada para os Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Foi um negócio que na época, já faz um tempão, me deu muita satisfação. É um violão com uma forma diferente." (entrevista extraída da página http://www.redetec.org.br/inventabrasil/craviola.htm). Até Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, já utilizou a craviola várias vezes ao executar o hino hippie Stairway to Heaven.  Nesse disco da postagem de hoje, Paulinho interpreta, no instrumento projetado por ele, obras belíssimas, como Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e Disparada, de Théo Barros e Geraldo Vandré.


Lado A

1-Moda de craviola (Paulinho Nogueira)
2-Valsa de Euredice (Vinicius de Moraes)
3-Dez Bilhões de neurôneos (Paulinho Nogueira – Zezinha Nogueira)
4-Asa Branca (Luiz Gonzaga – Humberto Teixeira)
5- Se verdade fosse(Paulinho Nogueira)

Lado B

1-Prelúdio em contracanto (Paulinho Nogueira)
2-Disparada (Théo Barros – Geraldo Vandré)
3-Linhas tortas (Stenio Mendes)
4-Kaleidoscópio (Paulinho Nogueira)
5-Craviolissíma (Paulinho Nogueira)

3 comentários:

Aparecido Cintra disse...

Poderia repostar este disco.amigo.Agradeço"

Acervo Origens disse...

Link já corrigido, Aparecido.

Obrigado pelo alerta !

Abraços

Alan Silus disse...

Belíssimo LP. Toco craviola há uns 5 anos. Influenciado pela Tetê Espíndola, pessoa que dedica há 30 anos de composições nesse instrumento. Ela não se acostumou com violão ou outro tipo de instrumento de corda, até hoje utiliza a craviola.