segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Lançamento do álbum CASA DO CHAPÉU - 19nov13

A Casa do Chapéu fica um pouco longe, exigindo um bocadinho de estrada para se chegar lá. Tem ares rurais, pés de pequi, articum, cagaita, murici, cobra, siriema, araras, tucanos, papagaios. Mas não fica tão longe a ponto de deixar totalmente para trás os perímetros urbanos da capital do Brasil, nem é tão rural que esteja alheia ao cosmopolitismo brasiliense. A Casa do Chapéu tem base de pedra, estrutura de eucalipto e seus tijolos de adobe foram feitos por um Kalunga, homem quilombola, vindo de Monte Alegre, em Goiás. A simplicidade da arquitetura popular, na Casa do Chapéu, consegue abrigar uma considerável parafernália tecnológica. São microfones, pré-amplificadores, computadores, monitores, cabos, fones, tocadores digitais e vitrolas, que, juntos, formam um moderno estúdio de gravação.
Foi no ano de 2011, precisamente no dia de seu aniversário, que Cacai Nunes, brasiliense, violeiro, pesquisador e produtor musical, iniciou, com cuidado e carinho, a construção de sua Casa do Chapéu, localizada nas proximidades da cidade de Sobradinho; perto, também, do terreiro onde Cacai atua como Ogã. Junto com ela, alimentava a idéia de gravar um novo disco, o que aconteceu em 2013. O disco, gravado em casa, ganhou o nome do lugar. Assim como a construção, que imita as antigas casas populares, o disco Casa do Chapéu foi feito nos moldes de antigamente: gravado ao vivo, captando as sutilezas das interações entre os músicos. Todas as músicas são de Cacai, com as únicas exceções de uma música de autoria de Roberto Corrêa e uma versão de Eleanor Rigby, de Lennon e McCartney. Cacai teve, também, a luxuosa ajuda de André Magalhães na produção, trazendo, para a Casa do Chapéu, a vasta experiência que ele teve alhures, nas mais de 300 produções que realizou, incluindo Ponto BR, A Barca, Kiko Dinucci, Barbatuques, e muitos outros.
No novo trabalho de Cacai, suas múltiplas influências, do rock, do choro, do samba, da música instrumental universal, e tantas outras a que todo músico brasiliense é amplamente exposto, estão agora presentes, não com a mesma força do primeiro disco, mas temperando a substância do álbum, feita de música nordestina e ponteados de viola. Cacai explora a viola nas mais variadas nuances, indo da alegria do samba e do frevo à doçura da guarânia, do balanço do forró à densidade dos toques de candomblé; do mesmo modo, vai da simplicidade dos toques tradicionais à ousadia moderna dos acordes dissonantes.
A primeira faixa, Casa do Chapéu, de fato abre suas portas e alegremente convida a entrar. Com a vitalidade do samba de roda do recôncavo baiano, avisa aos que chegam à Casa do Chapéu: que entrem dançando e rodando a saia. Em seguida, inspirado nas aparições fugazes de um Lobo-Guará seu vizinho, que costumava encontrar de madrugada, Cacai compôs para ele a bela Lobo-Guarânia, que tem uma parceria muito feliz entre a viola de Cacai e a sanfona de Marcos Farias; Cabaceiras é uma volta à ancestralidade materna, pois é o nome da cidade natal de Dona Rosalba, a mãe de Cacai. Sopro, a quarta faixa do disco, é momento marcante do álbum, em que um trio de atabaques executa o vigoroso toque para Oyá, acompanhando a viola.
O álbum tem, ainda, a doçura da viola de cocho, tocada em Inhuma de Cocho, e o forró bom de arrastar sandália em Forró sem Aperreio. Em Tudo Alterado, Cacai mostra como a viola caipira digere a música contemporânea, e, em acordes dissonantes, diferentes e tensos, a viola fala modernês, sem enrolar a língua e sem esquecer suas referências originais. Cacai faz, em Eleanor Rigby, de Lennon e McCartney, um retorno ao começo de sua trajetória musical, na adolescência guitarrística e roqueira. Ele escolheu a bela Perobeira-Maria, de autoria de Roberto Corrêa, para homenagear o homem que foi seu mestre nas artes da viola. Casa do Chapéu encerra com Tá Com Pressa, Boiada ?, uma curraleira tradicional de Goiás e Minas Gerais, que se mistura com pagode de viola, o ritmo usado na catira. Então, assim como a chegada, a partida da Casa do Chapéu é alegre e vibrante.
Eis, então, um disco de viola brasileira brasiliense: caipira e cosmopolita, com sabor de tradição e cheiro de futuro.


TEXTO: Gabriela Tunes


















SERVIÇO


Show de Lançamento do álbum CASA DO CHAPÉU
CACAI NUNES - Viola Brasileira

Terça-feira . 19nov13 . 20h30
Teatro Sesc Garagem . 713/913 Sul

R$ 30 (inteira ) . R$ 15 (meia)
INGRESSOS ANTECIPADOS:  Musical Center Sebo de Discos (215 norte)

Info: (61) 8130.0594


Músicos Convidados:

Vavá Afiouni: Baixo Acústico
George Lacerda: Percussão
Marcos Farias: Acordeon
Davi Farias: Zabumba
Alagbe Elton: Atabaque Rum
Obá Deco: Atabaque Rumpi
Ogã Bruno: Atabaque Lé 

REALIZAÇÃO: Acervo Origens

APOIO: Balaio Café , Brasil Vexado

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