sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Henrique Annes e Rossini Ferreira - 1981 - Chorinhos do Capibaribe (24.09.2010)

Esse disco é um registro importantíssimo das composições de Rossini Ferreira, um fenomenal bandolinista pernambucano. Nascido na pequena, porém culturalmente rica, Nazaré da Mata, esse bandolinista, juntamente com Luperce Miranda, colocam Pernambuco como criador de virtuoses do Choro, um gênero instrumental fortemente associado ao Rio de Janeiro, pelo menos até a primeira metade do século XX. Mas o que Luperce e Rossini nos mostram é que, em uma época em que os meios de comunicação eram incipientes, se comparados com o cenário atual, o Choro ultrapassou as fronteiras do Rio de Janeiro e fincou raízes em muitos outros lugares do Brasil. Mas, é preciso dizer, os chorões do Rio de Janeiro, por estarem exatamente no centro de produção e difusão cultural do país, tiveram mais chances de serem registrados e eternizados. Isso, porém, não reduz o papel de figuras como Rossini Ferreira. Pelo contrário, ampliam ainda mais a importância dos poucos registros que existem. Esse disco foi gravado em 1981, depois que Rossini já havia saído de Pernambuco para residir no Rio de Janeiro, o que aconteceu em 1959. Sobre essa viagem, existe uma história pitoresca, típica do ambiente dos chorões, que costumam sempre dar uma “melhoradinha” nas histórias. Assim, às vezes, a mesma história tem uma dezena de versões, cada uma aperfeiçoada por alguém diferente. Com essa história de Rossini, ocorre isso, Não se sabe até onde é verdade, mas que aconteceu, aconteceu. Contam (e isto está no livro de Henrique Cazes: Choro, do quintal ao municipal) que, em 1959, um grupo grande de instrumentistas pernambucanos, inclusive Rossini, acompanhados de esposas e outros chegados, foram em caravana ao Rio de Janeiro com destino certo: a casa de Jacob do Bandolim, onde aconteciam famosos saraus freqüentados pela fina-flor do Choro. Eis que, quando a caravana lá chegou, o maestro Radamés Gnatalli, muito impressionado com a performance de Canhoto da Paraíba, arremessou um copo de cerveja no teto, ficando lá uma mancha, que Jacob nunca deixou que fosse retirada, para comprovar a história. O maestro Radamés sempre negou a autoria do feito, e, segundo a versão de Rossini, não foi ele quem arremessou o copo, mas sim Pixinguinha. Verdades ou mentiras, o que sabemos é que a casa do Jacob era mesmo O lugar. 

Bom, voltando ao disco, ele tem a Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco, da qual Rossini Ferreira e Henrique Annes são parte, tocando com músicos cariocas, na clarineta e flauta sintética (tocada com teclado – isso poderia ter sido diferente, vamos convir). Sobre o disco, a contracapa traz comentários feitos pelo saudoso Roberto M. Moura, estudioso do samba e do choro, que retratam bem sua atmosfera, e acho difícil que alguém faça melhor. Portanto, quem quiser, leia, vale a pena.


  HENRIQUE ANNES E ROSSINI FERREIRA – 1981 – CHORINHOS DO CAPIBARIBE

Lado A

1-      Lembranças de Gravatá ( Henrique Annes)
2-      Foi um sonho ( Rossini Ferreira)
3-      Mesclado ( Henrique Annes)
4-      Cinema mudo ( Rossini Ferreira)
5-      Chorando pra Hélia ( Henrique Annes)
6-      Fim de ano ( Henrique Annes)

Lado B

1 – Abraçando Avena (Rossini Ferreira)
2 – Arte-e-manhas do Marquinho (Rossini Ferreira)
3 – Choro no natal ( Rossini Ferreira/ Henrique Annes)
4 – Raio de sol ( Rossini Ferreira)
5 – Devaneio ( Rossini Ferreira)
6 – Você não sabe o que perdeu ( Henrique Annes)

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