quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Patápio Silva - (01.09.2010)

O flautista Patápio Silva (1880-1907) protagonizou uma das histórias mais incríveis da música brasileira. Ele é um daqueles que, se sua vida tivesse sido diferente, boa parte da música brasileira também teria sido diferente.   Ele é considerado um dos maiores flautistas brasileiros de todos os tempos. Conseguiu  reconhecimento não apenas como instrumentista, mas  também como compositor . Até hoje, os flautistas gostam de executar suas composições. 

Ele foi, também, um pioneiro da indústria fonográfica nacional, porque foi o primeiro instrumentista solo a realizar gravações no país. Patápio, um mulato oriundo de uma família humilde do interior do Rio de Janeiro, que viveu numa época imediatamente após o fim da escravidão, realizou a proeza de alcançar a condição de aluno de destaque do Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, a mais importante escola de música do país à época, de onde saiu como um flautista reconhecido em todo o Brasil. Terminado o curso de flauta, Patápio iniciou turnê pelo Brasil, com pretensões de ir à Europa. Foi por isso, inclusive, que ele tirou a foto que está na capa desse disco: para poder ir à Europa e divulgar decentemente seu trabalho, era preciso uma foto boa. Ela foi tirada em São Paulo, em 1906. Ele realizou apresentações e concertos pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro, e foi juntando dinheiro para realizar o sonho de ir para a Europa. Dando prosseguimento à turnê, Patápio esteve em Florianópolis, onde foi pego por uma gripe muito forte, à qual não resistiu, falecendo no dia 24 de abril de 1907, com apenas 26 anos. Muitas histórias são contadas sobre a causa da morte de Patápio, e a mais famosa é a que diz que enveneraram o bocal de sua flauta. Mas as evidências, levantadas pelo pesquisador Maurício de Lima Oliveira, em sua dissertação de mestrado (http://www.tede.ufsc.br/teses/PHST0294-D.pdf) mostram que Patápio morreu de gripe mesmo.

Esse disco, gravado em 1984, foi financiado pela FUNARTE, cujos projetos visavam proteger e divulgar o patrimônio musical brasileiro. Ele contém as obras principais e mais conhecidas de Patápio Silva, boa parte delas tocadas por Altamiro Carrilho, outro grande nome da flauta brasileira. Observem que Patápio compunha peças eruditas e populares com a mesma propriedade. Dou destaque para Primeiro Amor, sua composição mais conhecida, não só pela beleza dela em si, mas também pelo primor da execução de Altamiro Carrilho.
Abraços a todos e até amanhã



1984 - Patápio Silva

      Lado A

1-     Primeiro amor (Altamiro Carrilho e Luizinho Eça)
2-    Margarida (Altamiro Carrilho e Luizinho Eça)
3-    Evocação (Altamiro Carrilho e Luizinho Eça)
4-    Sonho (reedição Altamiro Carrilho e Alceo Bocchino)
5-    Serata d’more (reedição Altamiro Carrilho e orquestra)
6-    Oriental (Altamiro Carrilho)

Lado B

1-     Volúvel (Galo Preto)
2-    Polca (Galo Preto / participação especial Beto Cazes)
3-    Joanita (Galo Preto/ participação especial Mauricio Carrilho)
4-    Sabão (Banda do corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro)
5-    Amor perdido (Banda do corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro)
6-    Beija-flor (Banda do corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro)

Um comentário:

criacoescamaleao disse...

valeu muitíssimo obrigado.