quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cururu e outros cantos das festas religiosas - MT (20.20.2010)

 O Cururu e o Siriri são manifestações culturais ligadas às festividades dos dias santos, que acontecem no Mato Grosso. As rodas de Cururu e Siriri mais importantes ocorrem no ciclo joanino – São Pedro, Santo Antônio e São João -, mas, em outras ocasiões, tais como casamentos, aniversários, outros dias santos, é possível ver o Caruru e o Siriri. A Roda de Caruru é composta por um grupo de homens que dançam em círculos e tocam violas-de-cocho e ganzás, cantando louvações ao santo homenageado, cuja imagem está em um altar. Devotos de um determinado santo organizam-se em irmandades, que promovem anualmente a festa, e convidam um grupo de cururueiros para cantar e dançar.
O Siriri é dançado ao som da viola-de-cocho, do ganzá e do mocho (uma espécie de banco, cujo assento de couro é percutido com baquetas de madeira). O Siriri é dançado principalmente por mulheres, e acontece, em geral, nas mesmas festividades do Cururu. Além de diferenças na dança, na instrumentação e na composição das rodas, o Siriri difere do Cururu nitidamente desde o ponto de vista do ritmo. O Cururu é tocado em compasso binário simples (2/4), e o Siriri em compasso binário composto (6/8). A viola-de-cocho está presente em ambos. O nome desse instrumento tem relação com o cocho, espécie de gamela utilizada para alimentar animais; a técnica usada para escavar o cocho dos animais é a mesma para a viola. A viola-de-cocho pertence à família dos alaúdes curtos, podendo ser considerada um tipo de alaúde brasileiro. Ela é confeccionada seguindo um ciclo lunar específico, para não ser atacada por cupins, e as madeiras mais usadas são sara de leite, ximbuva, cedro, jacote, urucurana, cajueiro, mandiocão e mangueira. Ela pode ter dois ou três trastes, sendo que, no primeiro caso, os intervalos entre eles são de tom e semitom; no segundo caso, os intervalos entre os trastes são de semitons. A viola-de-cocho é produzida unicamente por processos artesanais, em geral por pessoas ligadas ao Cururu e Siriri, e da região de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Por serem manifestações culturais extremamente localizadas, as tradições do Cururu e do Siriri necessitam de apoio para sua manutenção. Nesse sentido, com muita justiça, o Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o complexo cultural do Cururu e Siriri como patrimônio imaterial. Esse disco, produzido pelo Instituto Nacional do Folclore, em 1988, tem gravações de Cururu e Siriri, recolhidas em campo por Elizabeth Travassos, renomada pesquisadora das tradições musicais brasileiras, juntamente com Roberto Correa, violeiro e pesquisador da viola caipira. Nele há cantigas entoadas nas rodas de Cururu e Siriri, cantadas e tocadas pelos cururueiros. Destaco a faixa 10, um rasqueado instrumental, e tem uma bela melodia tocada pela viola de coxo.



 CURURU e outros cantos das festas religiosas – MT

Lado A

01 – Canto da entrada da bandeira de folião
02 – Toadas de cururu
03 – Toada de cururu e baixão
04 – Toada de cururu

Lado B

01- Ladainha (trecho)
02 – Toada de cururu
03 – Toada de cururu e baixão
04 – Toadas de cururu
05 – Siriri: Toque da viola de cocho e “Eu vou na casa dela”
06 – Siriri: “Nhadaia” e “Garça Branca”
07 - Rasqueado

Um comentário:

Vinícius Márcio disse...

Excelente. Viva Mato Grosso e sua cultura.
Por favor teria como postar outras músicas?