quinta-feira, 2 de junho de 2011

Gilberto Gil - Expresso 2222 (02/06/2011)

Gilberto Passos Gil Moreira nasceu em Salvador, em 1942, mas cresceu em Ituaçu, no interior da Bahia. Aos nove anos, voltou para Salvador, e começou a brincar de sanfona. Com 18 anos, ele chegou a ter um conjunto. Só que, influenciado por João Gilberto, ele acabou decidindo tocar violão. O jovem baiano seguiu a vida como se não fosse ser músico. Entrou no curso de administração de empresas. Enquanto fazia o curso, gravou um compacto solo, e conheceu Caetano Veloso, Maria Bethania, Gal Costa e Tom Zé. Eles fizeram o show de nome Nós Por Exemplo, em Salvador. Mas, logo em seguida, Gil se mudou para São Paulo, e trabalhou na Gessy-Lever. Mas não largava a música: nesse período, conheceu Chico Buarque, Torquato Neto e Capinam. Em 1965, ele fez a primeira participação em um festival, cantando a música Iemanjá, no 5º Festival da Balança, promovido pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. O festival foi gravado pela RCA, e, quando viu, Gil estava no programa “O Fino da Bossa”, comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Ele apresentou várias músicas, mas Louvação e Eu Vim da Bahia fizeram mais sucesso. Daí, em 1967, gravou o LP Louvação. Nesse mesmo ano, ficou em segundo lugar no festival de música da Record com Domingo no ParqueAlegria Alegria, de Caetano Veloso, ficou em quarto lugar. Foi exatamente aí que começou o famoso movimento, de nome tropicalismo. Gil e Caetano imergiram na cultura brasileira, principalmente a baiana e nordestina, e começaram a formatar o tropicalismo. O ano de 1968 foi de intensa criação para o grupo revolucionário da música popular brasileira. Gil lançou os LPs Gilberto Gil e Panis et Circenses, este último que contou com a participação de Caetano, Os Mutantes, Torquato Neto, Gal Costa, Tom Zé e Nara Leão. A agitação revolucionária durou pouco, porque, em 1969, Gil e Caetano foram considerados subversivos pelo regime militar, e partiram para o exílio na Inglaterra.

E foi, então, justamente na volta do exílio, em 1972, que Gilberto Gil lançou esse incrível disco, de nome Expresso 2222. Ele traz ao conhecimento do público, pela primeira vez, o grande violonista que Gilberto Gil é, cuja habilidade é muito bem demonstrada na faixa-título do álbum. Esse mesmo disco também lançou para a fama nacional a Banda de Pífanos de Caruaru, que, até então, era conhecida apenas regionalmente; junto com ela, toda a tradição das bandas de pífanos brasileiras foi divulgada e valorizada. Esse disco é, portanto, um divisor de águas na história das bandas de pífano. Além disso, tem O Canto da Ema, de Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale, um clássico do baião, que a voz de Gilberto Gil ajudou a ganhar o Brasil, e o samba nacionalista Chiclete com Banana, de Gordurinha e Almira Castilho, que já havia feito sucesso com Jackson do Pandeiro, mas agora ganhava ares de resistência anti-imperialista com a sonoridade tropicalista. Em suma, este é um álbum clássico da música popular brasileira, que reflete, com autenticidade e verdade, a realidade da música brasileira naquele tempo. Gil une, com a coerência que somente os gênios da música conseguem, as influências absolutamente heterogêneas que ele recebeu, desde sua infância, até os anos no exílio. Então, o disco é baião-jazz-samba-pop-regional-rock, ou seja, música brasileira na veia.


Lado A

1-Pipoca moderna – com a Banda de Pífanos de Caruaru
2-Back in Bahia (Gilberto Gil)
3-O canto da Ema (Ayres Viana – Alventino Cavalcante – João do Vale)
4-Chiclete com Banana(Gordurinha – Almira Castilho)
5-Ele e eu (Gilberto Gil)

Lado B

1-Sai do sereno (Onildo Almeida)
2-Expresso 2222 (Gilberto Gil)
3-O sonho acabou (Gilberto Gil)
4-Oriente (Gilberto Gil)




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