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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Viva a Bahia N°2 (11/08/2011)

 O disco de hoje faz parte de uma iniciativa fundamental para a manutenção de algumas tradições folclóricas brasileiras, principalmente a capoeira. A mentora da iniciativa é Emília Biancardi, uma etnomusicóloga especializada na música brasileira, com ênfase naquelas ligadas a festas, rituais e folguedos, como a capoeira, o candomblé, o maculelê, o samba de roda.  Ela nasceu em Salvador, Bahia, e viveu sua infância e parte da adolescência em Vitória da Conquista, interior do Estado. Lá, teve os primeiros contatos com os folguedos populares que vieram a ser objeto de seu interesse por toda a vida. Em 1962, foi nomeada professora de canto do Instituto Normal Isaías Alves, o colégio ICEIA. A responsável pela nomeação foi Maria Rosita Salgado Góes (que fez as adaptações das músicas desse disco). No ICEIA, Emília Biancardi criou o grupo "Viva Bahia", o primeiro grupo parafolclórico do Brasil. O grupo estreou um espetáculo em 1963, na Semana de Música. Eles criaram coreografias para a puxada de rede, para o maculelê, para o candomblé e para a capoeira, inspirados nos passos originais dessas manifestações, e utilizando sua música. Biancardi agregou, para concepção e realização do espetáculo, mestres portadores de conhecimento sobre cada uma dessas tradições: Mestre Popó (José de Almeida Andrade, de Santo Amaro), para o maculelê; Negão Doni (Gilberto Nonato Sacramento), Dona Coleta de Omolu (Clotildes Lopes Alves) e Seu Edson (Edson Santos) para o candomblé; Mestre Acordeon (Ubirajara de Almeida) e Camisa Roxa (Edivaldo Carneiro dos Santos) para a capoeira. O Viva Bahia fez turnê pelo Brasil e exterior, divulgando a capoeira, o maculelê, o candomblé e a puxada de rede. Interessante é constatar que os grupos contemporâneos de capoeira trazem o maculelê, a puxada de rede e o samba de roda em suas práticas; os capoeiristas, nos rituais de ingresso, formaturas e graduações, costumam realizar apresentações onde o maculelê, a puxada de rede e o samba de roda têm lugar. Diz-se que a inclusão deles no universo da capoeira se deu justamente em função dos espetáculos montados por Emília Biancardi e pelo grupo Viva Bahia. Pode-se dizer, então, que Emília Biancardi criou uma tradição, a de agregar o maculelê, o samba de roda e a puxada de rede aos rituais da capoeira.
Em 1968, o espetáculo realizado no Teatro Castro Alves, em Salvador deu origem a este disco. O disco foi gravado em mono, e a captação do som está longe de ser ideal. O lado A tem apenas uma faixa, com diversas cantigas do candomblé. O lado B tem duas faixas, uma com corridos e chulas da capoeira, emendados um no outro, e que até hoje fazem parte das rodas de capoeira; a outra faixa apresenta sambas de roda, tocados com berimbau, além, é claro, de outros instrumentos. O samba de roda é executado conforme os capoeiristas tocam atualmente (observem que esse samba de roda é diferente daquele que hoje é realizado no recôncavo baiano, por grupos como os Filhos da Pitangueira). Esse disco tem, portanto, inestimável valor histórico, porque registrou um momento importante para a capoeira e para outros folguedos praticados na Bahia.

  
Lado A

 1-Candomblé de kêto (Rec. Adapt. Por Maria Rosita Salgado Góes)

Lado B

1-Samba de roda (Rec. Adapt. Por Maria Rosita Salgado Góes)
2-Capoeira (Rec. Adapt. Por Maria Rosita Salgado Góes)

5 comentários:

profJB disse...

Que ótima,a iniciativa de publicar essa maravilha,claro. Mas,há alguns equívocos e omissões no texto. SOU DA PRIMEIRA HORA DO VIVABAHIA e também o responsável pela presença da Capoeira nos primeiríssimos espetáculos. Muito antes dos queridos Irmãos,Mestre Acordeon e Mestre Camisa Rôxa,estávamos lá,eu,Solón,Viló,Paulo Sapo,Lucídio 'Cuspe',Manoel Telefone,Mestre Pastinha( que ensinou tbm às Meninas do Grupo,que antes era o Conjunto Folclórico da Inspetoria de Educação do Estado da Bahia,depois,muito depois,VivaBahia...) e as primeiras Apresentações não ocorreram em 1963,pois que,desde o final dos 50,por volta de 1959 já aconteciam sob o primeiro é extenso nome. Fomos responsáveis pelos convites aos Mestres citados,além de termos ido,eu e Viló( tbm Discípulo Formado do M.Bimba e do Grupo,desde as primeiras horas ) para pedirmos ao Mestre para 'liberar' o pessoal da Academia para participar do ,já,VivaBahia.. É muito bom haver informações sobre esse belo trabalho,sim. Melhor ainda quando tem mais e mais informações sobre esse riquíssimo trabalho,frutobda Pesquisa da grande e esquecida Prócer Emília Bianchardi( sobrinha do grande Educador Prof.Anísio Teixeira,também!...)ao qual a Prova. Rosita Salgado Góes com a sua ótima visão se integrou para promover a produção e Direção desse genial trabalho. Justiça se faça c presença importante para o seu sucesso,claro. Mas,todo esse verdadeiro tesouro não teria sido posto à luz de conhecimento não fosse a iniciativa dessa Mulher extraordinária,a Prof.Emília,responsável inequívoca pela divulgação internacional da nossa belíssima Cultura Popular. O Brasil e a Bahia lhe devem sempre e muitíssimo,com toda certeza!. PARABÉNS p publicação. Gratíssimo.No mais: VIVABAHIA e Emília Bianchardi,para sempre em nossos corações,sentimentos em exemplos insuportáveis!

Mestre Tonho Matéria disse...

Muito bom saber desta história toda porque estou elaborando o tema do Bloco da Capoeira que será "A Internacionalização da capoeira e sua diáspora como desfile de moda". E estou fazendo um analise sobre os grupos folclóricos, e claro que a pesquisa é fundada no VIVA BAHIA de principio.
Obrigado pelas informações precisas.
Mestre Tonho Matéria

Ze disse...

Sou sobrinho de Viló (filho de Alfredo). Meu pai ainda deve ter esse disco!

Ze disse...

Sou sobrinho de Viló (filho de Alfredo). Meu pai ainda deve ter esse disco!

Ze disse...

Oi Prof. Sou sobrinho de Viló. Como faço pra contactá-lo?