terça-feira, 14 de maio de 2013

Copinha - Jubileu de Ouro (1975)


Amigos, estamos atualizando os links dos discos aqui do Acervo Origens.
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Hoje, colocamos este disco do Copinha com texto maravilhoso da parceira Gabriela Tunes, que também é responsável pelos textos do nosso Programa na Nacional FM.


 Copinha - Jubileu de Ouro (1975)

Se Altamiro Carrilho é o nome mais conhecido da flauta brasileira, Copinha é provavelmente a flauta mais escutada. Embora fosse chorão benemérito, de carteirinha, com registro de interpretações antológicas, e assinando algumas composições, a carreira flautística de Copinha não se restringiu ao choro. Era ele dotado de imensa versatilidade que, aliada ao invejável bom gosto, fazia-o músico requerido para fazer as flautas de acompanhamento de cantores de diversos estilos. Em vários dos grandes álbuns de cantores e compositores brasileiros está lá a flauta de Copinha, em magníficas introduções e inteligentes contrapontos. Assim, quem quer que seja que tenha um pouco de apreço por música brasileira, e um mínimo de memória, será capaz de cantarolar uma frasezinha da flauta de Copinha, ainda que não tenha a menor idéia de quem tenha sido o flautista. O exemplo clássico é a abertura, em solo de flauta, de “Chega de Saudade”, de João Gilberto, música que lançou a bossa nova em 1957.

Nicolino Copia nasceu em São Paulo, no dia 03 de março de 1910, em uma grande família de pai e mãe italianos e nove filhos, todos músicos. Copinha começou a estudar aos 7 anos de idade, trilhando os árduos caminhos do estudo da música erudita, que inclui solfejo, harmonia, leitura, teoria. Com nove anos de idade começou efetivamente a prática com a flauta. Ainda com essa idade, já fazia serenatas com o luxuoso acompanhamento do violonista Canhoto (Américo Jacomino). Além da flauta, Copinha dominava também a clarineta e o saxofone, que aprendeu no Conservatório Dramático Musical de São Paulo. Copinha fez reconhecida carreira como músico de orquestra e de grandes conjuntos. A primeira orquestra de que fez parte foi a Orquestra Irmãos Cópia, liderada por seu irmão mais velho, Vicente. Depois, participou da Orquestra Juca e Seus Rapazes, e, posteriormente, participou da Orquestra do Maestro Gaó, chamada Orquestra Colúmbia, que se apresentava em rádios paulistas. No ano de 1930, Gaó e sua orquestra mudaram-se para o Rio de Janeiro, para tocar em boates, cabarés, teatros, cassinos. Tocaram no Cassino do Copacabana Palace e no Cassino da Urca; nesse período, Copinha teve contato com Pixinguinha. Na década de 1940, Copinha criou a primeira orquestra sob sua liderança, com o nome de Copia e Sua Orquestra. Foi com ela que, ao longo de 20 anos, Copinha foi acompanhador dos maiores cantores da MPB, incluindo Silvio Caldas, Francisco Alves, Mário Reis, Carmem Miranda, Aracy de Almeida, Orlando Silva, Dorival Caymmi, entre outros. Em 1958, sua Orquestra foi enriquecida com Hermeto Paschoal, que tinha acabado de chegar ao Rio de Janeiro, e João Donato.  

Na década de 1960, porém, as mudanças na indústria fonográfica, no rádio de na TV forçaram o desaparecimento de várias orquestras, cujo custo de manutenção era elevado demais quando comparado aos custos de pequenos conjuntos. Isso acertou em cheio a carreira de Copinha, que era centrada em sua orquestra. Ele fechou sua orquestra, indo trabalhar nas orquestras da TV Tupi e da Rede Globo. Em pouco tempo, ambas também tiveram suas atividades encerradas. Copinha foi salvo, porém, pela sua incrível versatilidade. Nesse mesmo período, surgia uma nova safra de cantores e compositores brasileiros, que gravavam um disco atrás do outro. Lá estava, então, o grande Copinha, enflautando as canções de gente como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Cartola e Ivan Lins, apenas para citar alguns. E assim foi com centenas de músicas, arranjadas e enflautadas por Copinha, o que fez dele um músico muito escutado, porém pouco conhecido, porque músicos acompanhadores nem sempre têm o reconhecimento que efetivamente merecem. Possuidor de tanto conhecimento musical, é de se esperar que Copinha se destacasse também como compositor. Mas a falta de tempo não permitiu que ele se dedicasse à composição, e o resultado disso é que tem apenas 20 composições gravadas. Como solista de choro, realizou algumas dezenas de gravações, demonstrando estilo interpretativo de extremo bom gosto. Copinha conseguiu também arrumar tempo para ensinar, e, entre seus discípulos, está o flautista e saxofonista Eduardo Neves. Copinha faleceu um dia depois de completar 74 anos, no dia 4 de março de 1984, um domingo de carnaval.

Esse disco que postamos hoje fornece uma pequena amostra do talento e da versatilidade de Copinha. Ele traz vários gêneros, como bossa-nova, choro, samba e baião; tem também arranjos tanto para orquestras quanto para regionais. O disco também evidencia o absurdo prestígio que Copinha tinha. Participaram deles, sem exagero, algumas dezenas dos melhores músicos brasileiros de todos os tempos.


LADO A
  1.  Pimavera (Carlos Lyra e Vinícius de Morais)
  2. Chega de Saudade (Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Morais)
  3. Samba de Uma Nota Só (Antônio Carlos Jobim)
  4. Saia do Caminho (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy)
  5. Cadência (Joventino Maciel)
  6. Reconciliação (Copinha)
  7. Lambada (Copinha)

    LADO B

  8.  Kalú (Humberto Teixeira)
  9.   Derramaro o Gai  (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
  10. Trepa no Coqueiro (Ary Kerner)
  11.  Chegando Mais (Luiz Bandeira Távora e Fernando)
  12. Agora é Cinza (Bide e Marçal)
  13. O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa e Kid Pepe)
  14. 14.  Apito no Samba (Luiz Bandeira)
  15. Naquele Tempo (Pixinguinha e Benedito Lacerda)
  16.  Primeiro Amor (Pattapio Silva)
  17. Notícia (Nelson Cavaquinho, Nourival Bahia e Alcides Caminha)
  18. Mariana (Paulinho da Viola)


6 comentários:

J Thyme...kind disse...

Thank you.

Héracles disse...

Por favor, corrija o link!

Héracles disse...

Por favor, corrija o link!

Acervo Origens disse...

Link corrigido, Héracles.
Grato pelo alerta
Abs

Nick Drake Brasil disse...

Muito obrigado!

Nick Drake Brasil disse...

Muito obrigado.