O Acervo Origens é uma iniciativa do violeiro, pesquisador e produtor musical Cacai Nunes e visa pesquisar, catalogar, divulgar e compartilhar conteúdos musicais na internet e em atividades culturais das mais diversas como shows, saraus, bailes de forró e programas de rádio.
Ao identificar, articular e divulgar a música brasileira, sua história e elementos – entendidos como o conjunto entrelaçado de saberes, experiências e expressões de pessoas, grupos e comunidades, sobre os mais diversos temas – o ACERVO ORIGENS visa contribuir para a geração e distribuição de um valioso conhecimento, muitas vezes ignorado e disperso pelo território nacional.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Sambistas de raça - Ismael Silva e Ataulfo Alves (28/07/2011)
Eis uma coletânea, lançada em 1972, com clássicos de Ismael Silva e Ataulfo Alves, em gravações originais feitas na década de 1950, depois de passarem pelo moderno processo de beneficiamento nos laboratórios da Phonogram (conforme descrito da contracapa). O disco é o volume 10 de uma série de coletâneas de qualidade indiscutível. Ele tem, no Lado A, composições de Ismael Silva e, no Lado B, Ataulfo Alves. Abaixo, as notas sobre as biografias desses dois grandes nomes da música brasileira.
ISMAEL SILVA
Ismael Silva nasceu em 14 de setembro de 1905, em Niterói. Como perdeu o pai aos três anos, mudou-se com a mãe para o bairro Estácio de Sá. Começou a compor na adolescência, e virou freqüentador dos bares e da boemia da área. Um dia, o cantor Francisco Alves, grande nome do rádio, ofereceu 20 mil réis pela autoria de um samba de Ismael, que, doente em um quarto de hospital, acabou aceitando, e a canção “Me Faz Carinhos” foi lançada com voz e autoria de Francisco Alves. Depois dessa, várias composições, cuja autoria era apenas de Ismael, levaram o nome de Ismael, Francisco Alves e Nilton Bastos, outro parceiro de Ismael. Foi, porém, o ano de 1928 que viria mudar a vida de Ismael e, não é exagero afirmar, a história da música popular brasileira. Ismael fundou a “Deixa Falar”, primeira Escola de Samba do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo. A Deixa Falar desfilou em 1929, com Ismael à frente. Nos anos seguintes, Ismael compôs e gravou três grandes sucessos: Não há, Nem é bom falar e Se Você Jurar, em parceria com Nilton Bastos. A perda precoce do parceiro acabou aproximando Ismael de Noel Rosa, com quem ele compôs Para Me Livrar do Mal, Adeus, Uma Jura que Fiz, e muitas outras.
A maré boa na vida de Ismael foi interrompida porque, em 1935, Ismael foi preso por atirar em um homem. O malandro estava se engraçando com sua irmã, e Ismael acertou-lhe a bunda com vários tiros. Ele foi condenado a cinco anos de prisão, mas saiu em 1938 por bom comportamento. Quando saiu, não podia receber notícia pior: seu grande parceiro, Noel Rosa, havia falecido. Ele ficou tão perdido que acabou se isolando e se afastando do samba. Ele retornou ao samba em 1950, quando Alcides Gerardi gravou sua composição Antonico, inspirada em uma carta de Pixinguinha para Mozart de Araújo, em que o maestro pedia ao amigo um emprego para o sambista em dificuldade. Depois disso, Ismael passou a freqüentar o Zicartola, gravou alguns LPs e voltou à cena musical. Malandro da gema, orgulhava-se de nunca ter tido um emprego fixo na vida. Ele faleceu em 1978, vítima de um ataque cardíaco. Teve uma filha de sangue, com uma passista de escola de samba, mas nunca assumiu a paternidade. Dizem que ele era homossexual, e que a tal passista foi a única mulher com quem ele se envolveu. Mas ele teve filhos no samba. Chico Buarque assumiu sua filiação, dizendo que seu pai musical sempre foi Ismael Silva. Ele inclusive doou um cheque que ganhou como premiação do Governo do Estado da Guanabara para Ismael. Este demorou para descontar o cheque, para mostrar aos amigos o carinho do filho pródigo. O pai das escolas de samba, certa vez, na década de 1970, precisou mendigar uma entrada para assistir ao desfile oficial no carnaval. Indignado, escreveu um bilhete para os órgãos oficiais, em que dizia que não é justo que a criação [as Escolas de Samba] recebam auxílio do governo, enquanto o criador cai no esquecimento. Diante disso, acabou ganhando duas entradas. Que sirva de lição, para que nunca, jamais, nos esqueçamos daqueles que deixaram para nós o nosso maior tesouro, nossa música e nossa cultura.
ATAULFO ALVES
Ataulfo Alves nasceu em uma fazenda em Miraí, Minas Gerais, em 2 de maio de 1909. Seu pai tocava viola, sua mãe gostava de cantar, e a fazenda onde ele cresceu era frequentemente visitada por repentistas, sanfoneiros e todo o tipo de músicos. Foi, então, desde sempre que Ataulfo teve contato com a música. Na infância, enquanto seu pai era vivo, brincava de responder aos seus repentes, aprendendo naturalmente a arte da composição. Com a morte do pai, a família saiu da fazenda para viver na cidade de Miraí, e Ataulfo, que era o filho mais velho, assumiu a responsabilidade pela mãe e pelos irmãos. Ainda menino, trabalhou como apanhador de malas na estação de trem, engraxate, menino de recados, leiteiro, marceneiro, marmiteiro, plantador de café, condutor de bois. Na adolescência, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi entregador de recados, ajudante de lanterneiro, lavador de vidros e prático de farmácia. Quando saía do trabalho, ia para as rodas de samba. Muito jovem, Ataulfo imergiu profundamente no universo do samba. Ele participou ativamente da criação das primeiras escolas de samba, e, tanto pelo talento musical, quanto pela elegância e gentileza, era um sujeito demasiadamente querido por todos. No Estácio, conheceu o Alcebíades Barcelos (o Bide), que levou Ataulfo para os esquemas profissionais do samba, a saber, o rádio e os shows. Durante a Era de Ouro do Rádio, iniciada na década de 1930, Ataulfo consolidou sua carreira de compositor. Em 1933, teve sua primeira composição gravada, a música Sexta-Feira; mas o primeiro grande sucesso, Saudades do Meu Barracão, ele gravou em 1935. Por não possuir grande potência vocal, Ataulfo, a princípio, não gravava, apenas compunha. No ano de 1941, porém, Ataulfo compôs, em parceria com Mário Lago, o samba Ai Que Saudades da Amélia, só que nenhum cantor quis gravá-la para lançá-lo no carnaval de 1942. Então, Ataulfo gravou, acompanhado pelo grupo vocal Academia do Samba e por Jacob do Bandolim. Nem é preciso descrever o sucesso que a música fez, tanto que se transformou em um clássico da MPB.
Depois do estouro do samba para Amélia, Ataulfo assumiu a carreira de cantor, e montou um conjunto com vozes femininas, chamado Ataulfo e Suas Pastoras. Foi ele, então, quem inventou o acompanhamento por vocais femininos no samba, prática que, posteriormente, virou moda. Ataulfo teve cinco filhos com sua esposa Judite, com quem se casou em 1928. Ele faleceu em 1969, vítima de complicações em uma cirurgia para úlcera. Ele deixou mais de trezentas composições, todas elas impecáveis. Dentre seus grandes sucessos, podemos citar: Ai, que saudades de Amélia, Atire a primeira pedra, Leva meu samba, Laranja madura, Meus tempos de criança, Mulata assanhada, Na cadência do samba, Pois é. Seu estilo é marcado por unir suas influências musicais primeiras, vindas do interior de Minas Gerais, com o samba que saía dos morros cariocas.
Lado A
01-Se você jurar (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves)
02-Que será de mim (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves)
03-Adeus (Ismael Silva – Nilton Bastos – Noel Rosa)
04-Sofrer é da vida (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves)
05-Novo amor (Ismael Silva)
06-Pra me livrar do mal (Ismael Silva – Noel Rosa)
07-Nem é bom falar (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves)
08-Me diga teu nome (Ismael Silva)
Lado B
01-Laranja madura (Ataulfo Alves)
02-Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves – Mario Lago)
03-Ai! Que saudades da Amélia (Mario Lago – Ataulfo Alves)
04-Sai do meu caminho (Ataulfo Alves)
05-Sei que é covardia (Ataulfo Alves – Claudionor Cruz)
06-Vida de mina vida (Ataulfo Alves)
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Duda Orquestra - Frevos (27/07/2011)
José Ursicino da Silva nasceu na cidade de Goiana, em Pernambuco, no ano de 1935. Viveu uma infância interiorana típica, repleta de liberdade e brincadeiras infantis. Em meio a isso, seu pai era alfaiate, e participava da banda Saboeira como percussionista, e foi exatamente por isso que Duda, apelido que os irmãos lhe deram desde pequeno, interessou-se pela música. Quando tinha uns oito anos, procurou a Saboeira para iniciar seus estudos musicais. Aos dez, já tocava clarineta e seu instrumento preferido, o saxofone. Com essa idade, arriscou sua primeira composição, o frevo “Furacão”, e fez para ele um pequeno arranjo. Entregou-o para o mestre da banda Saboeira, que deu uma mexida nele, e, orgulhosamente, deu o arranjo para a Saboeira tocar. Aos 15 anos, o futuro maestro foi morar em Recife, para integrar a Jazz Band Acadêmica, fundada em 1931 por Capiba. Pelo bom desempenho junto à banda, aos 18 anos ele assumiu sua regência. O Maestro trabalhou na Rádio Commercio, de Pernambuco, e chegou a ser chefe do Departamento de Música da TV Jornal do Commercio. Mas, com o fim dos programas de auditório nas televisões, as orquestras foram desfeitas, e nosso Maestro Duda rumou para o sul. Em São Paulo, trabalhou na TV Bandeirantes por quatro anos. De volta a Recife, encontrou, no ano de 1971, um ambiente musical movimentado pelo Movimento Armorial que lá se iniciava. O Maestro Duda chegou a participar de concertos, na cidade de Brasília, com a Orquestra Armorial de Câmara, mas nunca mergulhou de cabeça no Movimento Armorial, embora sua música fosse entranhada no solo nordestino.
A Orquestra de Frevo do Maestro Duda é, sem sombra de dúvida, a maior referência desse tipo de formação. Dentre os vários subgêneros do frevo, o chamado frevo de rua, exclusivamente instrumental, era executado pelas bandas de música e pelas fanfarras de frevo. No Recife da primeira metade do século XX, outras possibilidades de formação instrumental foram sendo experimentadas, e uma delas era baseada nas big bands norte-americanas, que animavam os bailes carnavalescos nos clubes do Recife. O Maestro Duda tinha intimidade com esse tipo de formação em função de seus trabalhos em rádios e televisões. Então, no ano de 1958, ele formou sua primeira orquestra. Como o frevo pernambucano é um ritmo que anima qualquer carnaval, a Orquestra do Maestro Duda acabou sendo contratada para animar o carnaval do Clube Astrea, em João Pessoa, na Paraíba. Foram oito carnavais consecutivos. Com a ida de Duda para São Paulo em 1967, a Orquestra parou por 4 anos, sendo reativada em 1971. A Orquestra passou a ser cada vez mais requisitada, não só para bailes carnavalescos, mas para toda a sorte de eventos. O Maestro Duda está, até, hoje, à frente de sua orquestra, botando o salão para ferver. Ele é hoje reconhecido como um dos maiores arranjadores do Brasil.
Esse disco da postagem de hoje não tem data. Ele foi lançado pela Tapecar, gravadora que existiu na década de 1970. Então, o disco é desse período. Ele tem frevos clássicos, muito bem executados, e com os incríveis arranjos do Maestro Duda. Isso fora o deleite de ouvir o Maestro tocando saxofone. Destaco Frevo Sanfonado, de Glorinha Gadelha e Sivuca; Relembrando o Norte, de Severino Araújo e Nino, o Pernambuquinho, de autoria do Maestro Duda.
Lado A
01-Duda no Frevo (Senô)
02-Capiba (Capiba)
03-Frevo sanfonado (Glorinha Gadelha – Sivuca)
04-Nino, o Pernambuquinho (Duda)
05-Relembrando o Norte (S. Araujo)
06-Trevo de 04 folhas (M.Dixon – H. Woods – Versão Nilo Sergio)
Lado B
01-Paraíba (H. Teixeira – L. Gonzaga)
02-Marilian (Duda)
03-Isquenta Muié (N. Ferreira)
04-Lágrimas de Folião (L. Ferreira)
05-Pare um minutinho (Duda – Messina – C. Almeida)
terça-feira, 26 de julho de 2011
Inezita Barroso - Vamos falar de Brasil (26/07/2011)
A Diva da música caipira, Inezita Barroso, cujo nome é Inês Madalena Aranha de Lima, nasceu no ano de 1925, na cidade de São Paulo. Já aos sete anos, começou a cantar. Ela morava ao lado de Mário de Andrade, a quem aprendeu a admirar desde a infância. Aos 11 anos, começou a estudar piano. Nas férias, Inezita passava temporadas no interior de São Paulo, onde se apaixonou pela música caipira e pela viola. Antes de começar a atuar profissionalmente como cantora e instrumentista, Inezita formou-se em biblioteconomia e casou-se. Depois disso, começou a cantar músicas folclóricas recolhidas por Mário de Andrade na Rádio Clube do Recife. Começou a gravar no ano de 1951, e desde então não parou mais. Logo depois, estreou no cinema, e passou a apresentar, no ano de 1954, o Programa Vamos Falar de Brasil. Esse disco da postagem de hoje, que leva o nome do seu primeiro programa de rádio, foi gravado em 1955, e rendeu à Inezita o prêmio Roquette Pinto na categoria Melhor Cantora de Música Popular. Nele estão dois dos maiores sucessos de Inezita: Lampião de Gás, de Zica Bergami e Moda da Pinga, de Laureano e Raul Torres.
Lado A
1-Retiradas (Oswaldo de Souza)
2-Peixe vivo – Baião - (Nono Timoneiro)
3-Engenho novo – Cocô (Heckel Tavares)
4-Zabumba de nego – Samba jongo – (Hervê Cordovil)
5-Lampião de gás – Valsa – (Zica Bergami)
6-Ismalia – (Capiba/ Alphonsus de Guimaraens)
Lado B
1-Festa do Congado – (Juracy Silveira)
2-Temporal – (Paulo Ruschel)
3-Lua, lua – Cantoria – (Catulo de Paula)
4-Azulão – (Jayme Ovalle/ Manoel Bandeira)
5-Seresta – Canção – (Georgina Erismann)
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Festa Origens - Domingo 31 de julho
FESTA ORIGENS apresenta:
Samba de Coco Raízes de Arcoverde (PE) + Forró de Vitrola (DJ Cacai Nunes)
Dia 31 de julho -- Domingo - 17horas
no Bar do Calaf - Setor Bancário Sul
Ingressos antecipados a R$ 15 (limitados a 300 unidades)
na hora R$20
Pontos de Venda
BALAIO CAFÉ - 201 NORTE
BENDITO SUCO - 413 NORTE
BAR DO CALAF - SETOR BANCÁRIO SUL
Realização
Acervo Origens
Info: 7813.6248
Samba de Coco Raízes de Arcoverde (PE) + Forró de Vitrola (DJ Cacai Nunes)
Dia 31 de julho -- Domingo - 17horas
no Bar do Calaf - Setor Bancário Sul
Ingressos antecipados a R$ 15 (limitados a 300 unidades)
na hora R$20
Pontos de Venda
BALAIO CAFÉ - 201 NORTE
BENDITO SUCO - 413 NORTE
BAR DO CALAF - SETOR BANCÁRIO SUL
Realização
Acervo Origens
Info: 7813.6248
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Paulinho da Viola - Foi um rio que passou em minha vida (22/07/2011)
Paulinho da Viola é um instrumentista, cantor e compositor de samba, daqueles nascidos no seio da roda de samba, que conviveu com chorões e sambistas desde a mais tenra idade, de forma que a tradição do samba corre em suas veias (comentários sobre a biografia de Paulinho da Viola estão aqui, em outra postagem de nosso blog). Mas, diferentemente dos sambistas mais velhos, que lhe ensinaram tudo, Paulinho começou sua atuação profissional em outra época, depois que a bossa-nova e o tropicalismo já estavam na crista da onda. Mas, diferentemente dos compositores e músicos contemporâneos seus, ele não abandonou o samba para dedicar-se à bossa-nova, ao rock ou ao tropicalismo. Ele seguiu fazendo seus belíssimos sambas tradicionais, incorporando, da bossa-nova e do tropicalismo, apenas aquilo que lhe interessava. Assim, coerentemente com o contexto político de sua época, sua música era engajada, embora conseguisse manter a estética poética do samba; assim, ele se manteve isento de contaminações e modismos, mas não deixou de ser atual.
Os sambas de Paulinho da Viola, de harmonia e melodia simples, caracterizados pela batida tradicional da percussão, encontram sua melhor expressão nesse LP “Foi Um Rio que Passou em Minha Vida”, que nosso blog posta hoje. A canção que dá nome ao disco (Faixa 6 do Lado A) é seu maior sucesso até hoje. Ela foi feita como declaração de amor à Portela, sua escola do coração. O disco tem instrumentação típica do samba, embora, em alguns momentos, apareçam arranjos de orquestra, coisa comum nas gravações da época. A maioria das músicas é de autoria de Paulinho da Viola, à exceção de duas, dentre as quais merece destaque a linda Meu Pecado, de Zé Kéti.
Lado A
01-Para não contrariar você (Paulinho da Viola)
02-O meu pecado (Zé Keti)
03-Estou marcado (Paulinho da Viola)
04-Lamentação (Mauro Duarte)
05-Mesmo sem alegria (Paulinho da Viola)
06-Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
Lado B
01-Tudo se transformou (Paulinho da Viola)
02-Nada de novo (Paulinho da Viola)
03-Jurar com lágrimas (Paulinho da Viola)
04-Papo furado (Paulinho da Viola)
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Máximo de Sucessos (21/07/2011)
O título desse LP, lançado em 1973, realmente condiz com seu conteúdo. Ele traz artistas que estiveram na crista da onda dos idos anos 1970. Os quase quarenta anos que nos separam do lançamento dessa coletânea podem fazer-nos acreditar que, de fato, os sucessos daquela época tinham substância, porque não foram sucessos de uma estação, um ano ou uma década. Eles permanecem, até hoje, como grandes canções da música brasileira. Mas pesquisando o acervo do grande jornalista musical Aramis Millarch, entendemos que o fato de tão boas músicas estarem reunidas em um LP-coletânea se deve ao esforço da Phonogram, a gravadora responsável por esse trabalho, em possuir no cast artistas de verdadeira qualidade musical.
A seguir, transcrevo um trecho do texto de Aramis Millarch: A Phonogram vem conseguindo um verdadeiro milagre em matéria de disco-antologia de sucessos do trimestre. A sua série "Máximo de Sucessos", ao invés de ser, como acontece na maioria das séries de outras fábricas, uma insonsa e medíocre fusão de músicas comuns que, por razões que o bom gosto desconhece, atingem os primeiros lugares das paradas, é, na verdade uma boa amostragem dos trabalhos mais recentes de nomes representativos da nossa MPB. E com isso pode-se chegar a conclusão de que o gosto do público consumidor está melhorando, pelo menos em relação aos artistas do catálogo nacional da Phonogram, etiqueta que é muito restritiva em relação aos seus contratados: prefere ter poucos mas bons (ao menos em venda) em seu elenco tupiniquim. (Fonte: http://www.millarch.org/artigo/os-bons-sucessos). Pois é, Millarch nos ensina que o lixo musical não é novidade, e que, então, viva as boas gravadoras. O disco, repleto de sucessos, é uma delícia de ouvir. O destaque fica para Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, interpretada por Elis Regina, porque Elis e Pixinguinha são destaques em qualquer tempo e lugar.
Lado A
01- Ouro de Tolo – Raul Seixas
(Raul Seixas)
02-Esse cara – Maria Bethania
(Caetano Veloso)
03-Cala a boca Zebedeu – Sergio Sampaio
(Maestro Raul G. Sampaio)
04-Lá vem Salgueiro – Jorge Ben
(Jorge Ben)
05-Trem das onze – Gal Costa
(Adoniram Barbosa)
06- Só quero um xodó – Gilberto Gil
(Dominguinhos-Anastácia)
07-Estácio, Holly Estácio – Luiz Melodia
(Luiz Melodia)
Lado B
01-Carinhoso - Elis Regina
(Pixinguinha-João de Barro)
02-Orgulho de um sambista – Jair Rodrigues
(Gilson de Souza)
03-Último pau de arara - Fagner
(Venâncio-Corumba-J. Guimarães)
04-Quero de volta o meu pandeiro – Ivan Lins
(Ivan Lins-Ronaldo Monteiro de Souza)
05-Desafio - Alcione
(Luiz Américo-Bráulio de Castro-Clovis de Lima)
06-Tudo se transformou – Caetano Veloso
(Paulinho da Viola)
07-A velhice da porta - Bandeira
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Nordeste: Cordel, Repente, Canção (20/07/2011)
Esta é a trilha sonora do filme de mesmo nome, dirigido por Tania Quaresma (que vive em Brasília), e que se transformou em uma referência dos registros da cultura nordestina. O LP, lançado em 1975, é um verdadeiro tesouro da cultura nordestina. Tânia cuidadosamente escolheu artistas de rua nordestinos, demonstrando sensibilidade aguçada, porque sua seleção é simplesmente espetacular, ainda mais considerando que, naquela época, esses artistas eram todos ilustres desconhecidos. Foi depois de participar desse disco que Zé Ramalho, que era roqueiro, aproximou-se da música nordestina. É lindo ouvir Caju e Castanha meninos, cantando que nem gente grande com suas vozes ainda infantis. No início da Faixa 2 do Lado A, eles falam um pouquinho sobre sua arte, e demonstram que já tinham aprendido bastante coisa. Diz-se que foi, também, o primeiro registro em áudio dos versos de Zé Limeira, o poeta do absurdo (Martelo Alagoano, faixa 4 do Lado A). Além desses, o LP traz ainda Cego Oliveira, Otacílio Batista, Diniz Vitorino e outros. Simplesmente espetacular.
Lado A
1- Verdadeiro romance de João Calais - Romance
(Editor proprietário João José da Silva com o cego Oliveira)
(Com Caju 10 anos de idade e Castanha 7 anos)
3- Martelo Agalopado – Improviso
(Diniz Vitorino-Silveira)
4- Martelo Alagoano
(Zé Limeira-Zé Ramalho-Lula Cortêz)
5- Canção do lenço
(Severino Pelado - “Olho de Gato”)
6- Nas portas dos cabarés
(Antonio Lidio Fraustino com o cego Oliveira)
Lado B
1- Gemedeira - Gênero de repente de viola
(Santinha e Misael)
2- Princesa Isabel
(Improviso de José Pedro Pontual)
3- Canonização do Padre Cícero
(Folheto de Pedro Bandeira com o autor)
4- Grande debate de Lampião com São Pedro
(Folheto de José Pacheco com Manuel José)
5- Gado bom quem tem sou eu – Toada de vaquejada
(Otacílio Batista com o autor)
6- Um Adeus por despedida – Canção
terça-feira, 19 de julho de 2011
Tôco Preto - Chora cavaquinho (19/07/2011)
O tal do Toco Preto é realmente um mistério. Não há quase nenhuma informação sobre ele na Internet, nem em livros sobre música brasileira. O que dá para saber é que ele é um grande cavaquinista dos tempos do rádio, que ficou conhecido como solista, mas que também é um excelente acompanhador.
Há, porém, uma entrevista, concedia para Aramis Milarch, provavelmente na década de 1970. Nessa entrevista, ele conta que seu nome é Ormindo Pontes de Melo, e que nasceu em 7 de junho de 1933, no Rio de Janeiro. Criado em Jacarepaguá, ele diz que seu pai tocava cavaquinho, e, quando o velho dormia, o garoto pegava o instrumento para brincar. Disse ele que nunca tomou aulas, e que aprendeu tudo sozinho.
O apelido de Toco Preto ele ganhou porque teve a cabeça raspada quando adolescente; então, a turma toda começou a chamá-lo de Toco Preto, e o apelido pegou para sempre. Ele começou profissionalmente em uma rádio em Jacarepaguá. Depois, foi para a rádio Mayrink Veiga, e posteriormente, esteve na Rádio Tamoio e Rádio Tupi. Depois disso, gravou 3 discos pela CBS, na década de 1970. Ele acompanhou vários cantores de samba, como Roberto Ribeiro. Tocou cavaquinho também acompanhando grupos de música nordestina. Ele fez parte de um grupo de nome Chapéu de Palha, do qual faziam parte Zé da Velha e Josias Nunes.
Na entrevista, ele deixa transparecer uma enorme simplicidade, e, ouvindo ele falar, parece que nunca fez grandes coisas. Mas não é bem assim. Ele é, sem dúvida, um dos maiores cavaquinistas do choro e do samba.
Nesse disco da postagem de hoje, Toco Preto interpreta grandes sucessos da música brasileira. O destaque fica para Lágrimas de Chorões, a única música do disco de autoria do próprio Toco Preto, em parceria com Julho Reis. Além da performance incrível do Toco Preto, o regional que o acompanha também dá um show (David Moura no contrabaixo; José Siqueira no cavaquinho centro; José Luiz na bateria; Jayme Luiz na sanfona; Pedro Alves no violão; e Geraldo Barbosa, Clara da Bocada, Alfredo Bessa e Jaime Silva nas percussões).
O apelido de Toco Preto ele ganhou porque teve a cabeça raspada quando adolescente; então, a turma toda começou a chamá-lo de Toco Preto, e o apelido pegou para sempre. Ele começou profissionalmente em uma rádio em Jacarepaguá. Depois, foi para a rádio Mayrink Veiga, e posteriormente, esteve na Rádio Tamoio e Rádio Tupi. Depois disso, gravou 3 discos pela CBS, na década de 1970. Ele acompanhou vários cantores de samba, como Roberto Ribeiro. Tocou cavaquinho também acompanhando grupos de música nordestina. Ele fez parte de um grupo de nome Chapéu de Palha, do qual faziam parte Zé da Velha e Josias Nunes.
Na entrevista, ele deixa transparecer uma enorme simplicidade, e, ouvindo ele falar, parece que nunca fez grandes coisas. Mas não é bem assim. Ele é, sem dúvida, um dos maiores cavaquinistas do choro e do samba.
Nesse disco da postagem de hoje, Toco Preto interpreta grandes sucessos da música brasileira. O destaque fica para Lágrimas de Chorões, a única música do disco de autoria do próprio Toco Preto, em parceria com Julho Reis. Além da performance incrível do Toco Preto, o regional que o acompanha também dá um show (David Moura no contrabaixo; José Siqueira no cavaquinho centro; José Luiz na bateria; Jayme Luiz na sanfona; Pedro Alves no violão; e Geraldo Barbosa, Clara da Bocada, Alfredo Bessa e Jaime Silva nas percussões).
Lado A
01-Banho de cheiro (Carlos Fernando)
02-O destino de Maria (Guará – Jorginho das Rosas – Reinaldo Villas)
03-Manhã de carnaval (Luiz Bonfá – Antonio Maria)
04-Rendição (Almir Guineto – Capri – Adalto Magalha)
05-Bate coração (Cecéu)
Lado B
01-Sonho meu (Yvone Lara – Delcio Carvalho)
02-Noites cariocas (Jacob do Bandolim)
03-Rei dos Reis (Maria Elza de Jesus – Tôco Preto)
04-Lágrimas de chorões (Julio Reis – Tôco Preto)
05-Fricote (Luiz Caldas – Paulinho Camafeu)
06-A noite do meu bem (Dolores Duran)
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