O Acervo Origens é uma iniciativa do violeiro, pesquisador e produtor musical Cacai Nunes e visa pesquisar, catalogar, divulgar e compartilhar conteúdos musicais na internet e em atividades culturais das mais diversas como shows, saraus, bailes de forró e programas de rádio. Ao identificar, articular e divulgar a música brasileira, sua história e elementos – entendidos como o conjunto entrelaçado de saberes, experiências e expressões de pessoas, grupos e comunidades, sobre os mais diversos temas – o ACERVO ORIGENS visa contribuir para a geração e distribuição de um valioso conhecimento, muitas vezes ignorado e disperso pelo território nacional.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Emboladores Roque José e Terezinha - Vídeo (30.06.2011)


 Emboladores Roque José e Terezinha fazendo um desafio durante a Sexta do Repente, realizada na Casa do Cantador - Ceilândia/DF, no dia 24 de maio de 2011.

Registro exclusivo do Acervo Origens.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Geraldo Vandré - 5 anos de canção (29/06/2011)

Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nasceu na Paraíba, no dia 12 de setembro de 1935. Quando tinha 14 anos, participou de seu primeiro programa de calouros. Com 16, foi-se embora para o Rio de Janeiro, para tentar a carreira artística. No começo, ele ficava daqui e dali, tentando espaço para cantar. Aos 20 anos, com o pseudônimo de Carlos Dias, participou de um concurso musical promovido pela TV-Rio, defendendo a canção Menina, de Carlos Lyra. Logo depois, ele teve oportunidade de se apresentar em um programa de rádio da Roquete Pinto, e foi aí que começou a usar o nome Vandré, que surgiu a partir de uma abreviatura do nome de seu pai, José Vandresigilo. Na faculdade de Direito, ele conheceu o primeiro parceiro, Carlos Lyra, e desistiu de ser cantor para dedicar-se à composição.  No começo dos anos 60, fez as primeiras gravações, e, em 1964, gravou seu primeiro LP. Foi nesse período que Vandré começou a participar dos festivais da canção, conseguindo destaque em vários deles. Foi também nesse período, precisamente em 1965, que ele gravou esse LP da postagem de hoje, que contém lindas músicas que, de certa maneira, prenunciavam o sucesso, a polêmica e a trajetória única desse grande compositor. O primeiro festival ele ganhou em São Paulo, com a música Porta-estandarte, defendida por Tuca e Airto Moreira. Em 1966, ele ganhou o Festival da Música Popular Brasileira da TV Record com a música Disparada, feita em parceria com Téo de Barros, interpretada por Jair Rodrigues, Trio Novo e Trio Maraia. Em 1967, ele ganhou um programa próprio na TV Record, de nome Disparada.

Nos próximos anos, Vandré iria participar de vários festivais. O mais importante deles, porém, ocorreu logo em 1968, quando ele causou imenso impacto no III Festival Internacional da Canção, com a música Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, que marcou Geraldo Vandré como compositor de músicas de protesto. A música ficou em 2º lugar, a contragosto do público, que vaiou a vencedora, a belíssima Sabiá, de Tom Jobim e Vinícius de Morais. Nesse dia, o Maracanazinho lotado cantou em uníssono: caminhando e cantando e seguindo a canção.... Sua música virou um dos maiores hinos da resistência à ditadura militar, e acabou sendo censurada. Por conta disso, Vandré seguiu para o exílio (na verdade, os mesmos agentes que prenderam Caetano iriam prender Vandré, mas, avisado antes, ele saiu do país). Ele voltou ao país quatro anos e meio depois, e simplesmente sumiu dos palcos, desapareceu da vida artística. Recentemente, ele deu uma entrevista à GloboNews, e lá disse que vive em um Hotel que fica no clube da Aeronáutica, que pertence à FAB, a Força Aérea Brasileira. Disse ele, também, que, nos últimos anos, vem trabalhando em uma obra em homenagem à Força Aérea, cujo nome é Fabiana, em homenagem à FAB. Disse também que nunca foi antimilitarista, e nem nunca fez canção de protesto, apenas fazia música brasileira. Suas posições são estranhas, aparentemente incoerentes com os fatos que o tornaram famoso, mas de uma lucidez desconcertante. Vale a pena conferir a entrevista. Mas, melhor do que isso, é ouvir esse disco, cheio de belas músicas, em que Vandré demonstra o grande compositor que sempre foi.


Lado A

1-Porta Estandarte (G. Vandré – Fernando Lona)
2-Depois é só chorar (Geraldo Vandré)
3-Tristeza de amar (G. Vandré – Luiz Roberto)
4-Réquiem para Matraga (Geraldo Vandré)
5-Canção do breve amor (G. Vandré – Alaíde Costa)
6-Fica mal com Deus (Geraldo Vandré)

Lado B

1-Rosa Flor (Baden Powel – G. Vandré)
2-Pequeno concerto que ficou canção (Geraldo Vandré)
3-Se a tristeza chegar (Baden Powel – G. Vandré)
4-Canção Nordestina (Geraldo Vandré)
5-Ninguém pode mais sofrer (G. Vandré – Luiz Roberto)
6-Quem quiser encontrar o amor (Geraldo Vandré – Carlos Lyra)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Instrumentos Populares do Nordeste (28/06/2011)

Esse “Instrumentos Populares do Nordeste” é mais um disco pitoresco, resultado dos projetos, da pequena gravadora Marcus Pereira, de registrar as músicas tradicionais brasileiras. Aproveitemos, então, esse disco de hoje para falar um pouco mais de Marcus Pereira e de sua famosa gravadora.

A Marcus Pereira foi criada oficialmente em 1974 (embora seu proprietário tenha feito algumas produções antes, sob o selo “Jogral”, que era o nome de um bar freqüentado por intelectuais em São Paulo), com o objetivo claro de resgatar a verdadeira música brasileira, que estava perdendo espaço para gêneros estrangeiros, principalmente norte-americanos.  O projeto começou no tal Bar Jogral, de propriedade do músico Luis Carlos Paraná, e que era freqüentado por um grupo de amigos, entre os quais estavam compositores como Paulo Vanzolini e Chico Buarque, produtores musicais como Aluízio Falcão e o publicitário Marcus Pereira. No final de 1967, Marcus Pereira resolveu, então, gravar um disco para divulgar os valores musicais que o intrépido grupo de amigos acreditava. Ele gravou “Onze Sambas de Uma Capoeira” (que inclusive está disponível em nosso blog, aqui), com doze composições de Paulo Vanzolini, cantados por vozes como Chico e Cristina Buarque. O disco foi produzido pela Marcus Pereira Publicidade, e patrocinado por um de seus clientes, a Independência S.A, para ser distribuído como brinde de final de ano da empresa. No ano seguinte, o brinde da empresa foi o disco “Brasil, Flauta, Cavaquinho e Violão”, contendo 14 chorinhos.

Foi no ano de 1973 que Marcus Pereira, antes de criar oficialmente a gravadora que levaria seu nome, iniciou seu ambicioso projeto de fazer o mapeamento da música popular brasileira. O “Mapa Musical do Brasil” pretendia fazer o registro do cancioneiro e das manifestações culturais das regiões Nordeste, Centro-Oeste/Sudeste, Sul e Norte. Composto de quatro volumes, com quatro discos em cada volume, cada volume voltado para uma região brasileira, o objetivo era captar in loco algumas manifestações culturais locais, tais como cirandas, repentes e barachos no “Música Popular do Nordeste”; procissões como a do Círio de Nazaré em Belém do Pará, músicas indígenas e carimbós no “Música Popular do Norte”; modas de viola, fandangos, festas como a Folia de Reis e Carnaval no “Música Popular do Centro-Oeste/Sudeste”; e ternos, canções de trabalho, festas como Bandeira do Divino, e modas ligadas ao romanceiro do gado no “Música Popular do Sul”. Junto as gravações feitas  pelos  artistas populares, alguns artistas reconhecidos do público também participaram do projeto, cantando músicas de seu local de origem. Desta forma, a gaúcha Elis Regina participou do “Música Popular do Sul”, e Nara Leão e Clementina de Jesus gravaram para a “Música Popular do Centro-Oeste/Sudeste”.

Esse disco da postagem de hoje, embora não faça parte do Mapa Musical do Brasil, segue o mesmo objetivo, e complementa, de forma espetacular, esse fantástico mapeamento empreendido por Marcus Pereira. Produzido por Antônio Madureira, ele traz artistas que são até hoje grandes expressões de gêneros populares do nordeste. Tem a banda de Pífanos Irmãos Aniceto, maracatu-nação Estrela Brilhante, maracatu-rural Estrela da Tarde, Caboclinhos Cahetês, Reisado do Juazeiro, Orquestra de Mamulengos. Se hoje esses nomes são até relativamente bem conhecidos, e reconhecidos, no início da década de 1970, a maioria das pessoas, assim como o meio musical, considerava esse tipo de música rústica, primitiva, ultrapassada e obsoleta, porque o que valia mesmo era o rock’n’roll. Esse foi outro grande mérito de Marcus Pereira, o de remar contra a maré, tendo absoluta certeza de que estava certo. Apesar de estar certo, as coisas não eram fáceis para ele. Em 1982, depois da recessão de 1979, a gravadora estava atolada em dívidas, e acabou falindo. Marcus Pereira se suicidou. Por sua iniciativa, foram gravados 144 discos, com artistas como Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, Arthur Moreira Lima, Banda de Pífanos de Caruaru, Canhoto da Paraíba, Carlos Poyares, Carmem Costa, Cartola, Celso Machado, Chico Buarque, Chico Maranhão, Clementina de Jesus, Dercio Marques, Dona Ivone Lara, Donga, Elba Ramalho, Elis Regina, Elomar, Evandro do Bandolim, Jane Duboc (Jane Vaquer), Lecy Brandão, Monarco, Nara Leão, Papete, Paulo Marquez, Paulo Vanzolini, Quinteto Armorial, Quinteto Villa-Lobos, Raul de Barros, Renato Teixeira e Roberto Silva, entre outros. A maior parte do catálogo da Marcus Pereira nunca foi lançado em CD. O acervo foi absorvido pela Copacabana, que foi incorporada à EMI. Ele encontra-se, hoje, em um contêiner, no bairro de Cordovil, no Rio de Janeiro, e a EMI não tem a menor intenção de relançá-lo. Mas nós, blogueiros, estamos aqui tapando esses buracos, e levando para o público os tesouros que são, acima de tudo, de todos nós. Então, apropriem-se desse patrimônio!


Lado A

01-Terno de Pífanos – Marcha de Campanha (Grupo dos Irmãos Aniceto)
02-Terno de Pífanos – O Cachorro, O caçador e a onça (Grupo dos Irmãos Aniceto)
03-Caboclinhos – Toque de guerra (Caboclinhos de Cahetés)
04-Viola Nordestina – Toadas e Baiões(depoimentos) (Diniz Vitorino)
05-Maracatú Rural – Baque solto (Marcha I “Estrela da tarde”)
06-Reisado – Jornada (Reisado de Juazeiro)
07-Orquestra de cavalo marinho – Chamada (Alvorada)

Lado B

01-Caboclinos – Baiano (Caboclinhos de Cahetés)
02-Berimbau de lata – A ema
03-Berimbau de lata – Bendito
04-Berimbau de lata – Galope (Severino)
05-Maracatú nação – Baque virado (Toada “estrela brilhante”)
06-Reisado – Combate de espadas (Fragmentos) (Reisado do Juazeiro)
07-Rabeca – Jornada de chegança (Sebastião Cândido da Silva)
08-Maracatú rural – Baque solto (MarchaII) (Estrela da tarde)
09-Terno de Pífanos – Baião Trancelim (Grupo dos Irmãos Aniceto)
10-Terno de Pífanos – Marcha Trancelim (Grupo dos Irmão Aniceto)
11-Orquestra de Mamulengo – Baião (Alvorada)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Luiz Gonzaga - Eu e meu pai (24/06/2011)

Luiz Gonzaga saiu das entranhas do sertão, ganhou o Brasil, o mundo, inventou o baião, e foi coroado seu rei. Mas nunca se esqueceu do pai, Januário José dos Santos, que nunca saiu da Fazenda Caiçara, local onde começou a história do rei do baião. Foi, então, pela influência direta de Januário que Luiz Gonzaga se interessou pela música e pela sanfona. E foi o velho Januário, também, que lhe deu os primeiros ensinamentos. Januário era trabalhador rural, mas animava bailes tocando seu famoso fole de oito baixos. Além disso, ele era também consertador de sanfona de oito baixos. Um dia, quando era ainda muito jovem, procurando um lugar melhor para viver, foi parar na fazenda Caiçara, na Serra do Araripe. A fazenda pertencia aos descendentes do Barão de Exu, título dado a Gualter Martinico Alencar Arararipe, antepassado do escritor José de Alencar e do político Miguel Arraes de Alencar. O jovem Januário trabalhava para João Moreira de Alencar e Dona Nenê de Alencar. Na Fazenda Caiçara, Januário conheceu Ana Batista de Jesus, conhecida por Santana, com quem se casou. Januário era admirado na região do Araripe por ser exímio sanfoneiro. Homem de poucas palavras, dedicou a vida à família. Teve nove filhos, todos nascidos e criados na Fazenda Caiçara. Ele nunca saiu do Araripe, mesmo quando Dona Santana faleceu e, estando todos os filhos morando no Rio de Janeiro, ficou morando sozinho até casar-se novamente, com Dona Maria Raimunda de Jesus. Ele faleceu em 25 de setembro de 1978. Esse LP de hoje foi gravado um ano depois, como despedida de Luiz Gonzaga de seu velho pai. O disco está, então, carregado de emoção. É carregado, também, de músicos bons. Acompanham o Mestre Lua: Dominguinhos e Chiquinho no acordeom, Dino no violão de 7 cordas e Azulão no zabumba. Merece atenção especial a famosa “Respeita Januário”, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, com direito a uma história muito bem contada por Luiz Gonzaga, sobre seu reencontro com seu pai. Também é de chorar a Súplica Cearense, de Gordurinha e Nelinho, que, por si só já é uma obra-prima, com melodia linda, mas aqui ganha cor especial na voz de Luiz Gonzaga. Abaixo, uma foto do Seu Januário, inspiração de toda a vida do Rei do Baião.
Januário José dos Santos, pai de Luiz Gonzaga (foto extraída do livro  Gonzaguinha e Gonzagão: Uma História Brasileira, de Regina Echeverria, lançado em 2006 pela Ediouro).


  


Lado A

    01-Orelha
(Humberto Teixeira)

     02-O mangangá
         (Luiz Ramalho)

     03-Súplica cearense
(Gordurinha - Nelinho)

     04-A vida do viajante
(Luiz Gonzaga – Hervé Cordovil)

     05-Acordo às quatro
(Marcondes Costa)

     06-Respeita Januário
(Humberto  Teixeira – Luiz Gonzaga)


Lado B

                01-Romance matuto                                                   
                     (Luiz Bandeira)                                                       

               02-Sorriso cativante                                                    
                  (Dominguinhos – Anastácia)                                    
              03-Manoelito  cidadão                                               
                           (Luiz Gonzaga – Helena Gonzaga)                          

04-Sou do banco
  (José Clementino – Hildelito Parente)  

05-O caçador
(Janduhy Finizola)

06-Rio Brígida
(Luiz Gonzaga - Luiz Gonzaga Jr)

07-Alvorada nordestina
(Orlando Silveira - Dalton Vogeler)










quinta-feira, 23 de junho de 2011

Vanja Orico (23/06/2011)

Vanja Orico foi cantora, atriz e cineasta, atuando com grande talento em todas essas áreas. Ela nasceu em berço erudito, filha de um acadêmico e escritor. Desde criança, mostrou interesse e talento pelas artes. Ela estreou no cinema em 1954, na Itália, no filme “Mulheres e Luzes”, dirigido por Alberto Lattuada e Frederico Fellini. De volta ao Brasil, participou do clássico “O Cangaceiro”, de Lima Barreto. Ela fez vários filmes no Brasil e no exterior, principalmente relacionados ao cangaço. Ela viajava tanto para lá e para cá que Sérgio Porto, o Stanislaw Ponto Preta, criou para ela o slogan Vanja Vai Vanja Vem. Ela ficou famosa por um belo gesto de coragem e generosidade. Um dia, no ano de 1968, saindo do Teatro Opinião, Vanja e mais um conjunto de artistas participavam de uma passeata de protesto. Soldados e tanques reprimiram a manifestação violentamente, inclusive espancando estudantes. Vanja, então, ajoelhou-se na frente dos carros militares, e gritou: “Não atirem, somos todos brasileiros!”. Por isso, ela foi presa e acabou em exílio. Para ela, isso nem foi o pior. Ela conta que, naquele dia, um estudante caiu morto por uma bala ao seu lado, e isso ela nunca conseguiu esquecer. A imagem e a arte de Vanja foi, então, sempre associada à resistência e à luta por liberdade. Fora isso, ela era uma artista de excepcional talento.



Como cantora, gravou o  primeiro LP em 1954. Esse LP da postagem de hoje é o terceiro de sua  carreira. Nele, ela apresentou canções inéditas, inclusive Opinião, de Zé Kéti, que depois ficou muito famosa na voz de Nara Leão.  Vale a pena ler, na contracapa, o texto de apresentação do disco e de Vanja Orico, escrito por Ary Vasconcelos, um dos maiores musicólogos que o Brasil já teve.


Lado A

01-Dandara (Jorge Ben)
02-Arunda (Carlos Lira – Geraldo Vandré)
03-Afoché (Dorival Caymmi)
04-A morte do Deus do sol (Roberto Menescal – Ronaldo Bôscoli)
05-Ascender as velas (Zé Keti)
06-É Lampa(Gabriel Migliori)

Lado B

01-Opinião (Zé Keti)
02-Maria Moita (Carlos Lira – Vinicius de Morais)
03-Sassaruê (Pernambuco – Marino Pinto)
04-Carroussel (Dulce Nunes – Ronaldo Bôscoli)
05-O Nordeste não se rende (Catulo de Paula)
06-Canção da tristeza (Catulo de Paula)




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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Tributo a Jacob do Bandolim - Camerata carioca, Radamés Gnatalli e Joel Nascimento (22/06/2011)

A Camerata Carioca, pela sua ousadia e inovação, e também pelos grandes músicos que a integraram, foi protagonista de um dos movimentos mais belos e importantes da história recente do Choro. Mas, assim como muitas histórias do Choro, a Camerata Carioca está envolta em mitos e controvérsias. Diz-se que a Camerata Carioca surgiu quando Joel Nascimento pediu a Radamés Gnattali que transcrevesse a sua “Suíte Retratos”, originalmente escrita para bandolim, quinteto de cordas, cavaquinho, violão e pandeiro, para um conjunto formado por três violões, cavaquinho, pandeiro e bandolim. O grupo, que ainda não tinha nome, era formado por Celsinho Silva no pandeiro, Luciana Rabello no cavaquinho, Joel Nascimento no bandolim, e Luiz Otávio Braga, Maurício Carrilho e Raphael Rabello nos violões. O grupo, ainda sem nome, fez apresentações no Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo e Brasília. O grupo, então, entrou em estúdio para gravar o disco “Tributo a Jacob do Bandolim”, cujo falecimento completava 10 anos. Foi nessa ocasião que Hermínio Bello de Carvalho deu o nome de Camerata Carioca ao grupo.  O disco tem arranjos de Radamés Gnattali, e belíssimas interpretações de Joel Nascimento, herdeiro direto de Jacob do Bandolim na escola brasileira desse instrumento. A Camerata Carioca foi uma das melhores produções da música brasileira. Ela conseguiu reunir, em um grupo, os melhores instrumentistas da época. Só a presença de Raphael Rabello já tornava qualquer trabalho especial; somados a Radamés, Joel Nascimento e mais um grupo de chorões da gema, o resultado é primoroso. O destaque fica para todo o Lado A, que tem a Suíte Retratos, obra composta por Radamés Gnattali para homenagear os grandes compositores do Choro, destinada à interpretação de Jacob do Bandolim. No Lado B, o destaque é Vibrações, uma obra-prima de Jacob do Bandolim.


Lado A

Retratos (4 movimentos)

01-Pixinguinha
02-Ernesto Nazareth
03-Anacleto de Medeiros
04-Chiquinha Gonzaga

Lado B

01-Gostosinho (Jacob do Bandolim)
02-Conversa mole\Jacobiana (Radamés Gnatalli)
03-Doce de côco (Jacob do Bandolim)
04-Voo da mosca (Jacob do Bandolim)
05-Noites cariocas (Jacob do Bandolim)
06-Vibrações (Jacob do Bandolim)




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terça-feira, 21 de junho de 2011

Forró de Vitrola - Quarta, 22.06, 21h


FORRÓ DE VITROLA
Pé de Serra ao som do Vinil com o DJ Cacai Nunes
Quarta-Feira (Véspera de Feriado) - 21h - ENTRADA GRATUITA
ASMRE (Setor de Clubes Sul - ao lado do Arena)
Estacionamento interno grátis
Info: (61) 7813.6248


Trio Nagô (21/06/2011)

Eis aqui um dos mais importantes trios vocais da música brasileira. O Trio Nagô foi criado em 1950, em Fortaleza. Seus integrantes eram Evaldo Gouvêia (compositor, cantor e violonista), Mário Alves (cantor e violonista) e Epaminondas de Souza (cantor e tocador de atabaque). No princípio, eles usavam o nome de Trio Iracema, e costumavam apresentar músicas do folclore nordestino da Rádio Clube do Ceará. Em 1952, começaram a apresentar um programa semanal na Rádio Record de São Paulo. Em 1953 e 1954, gravaram alguns compactos. E foi em 1954 que gravaram seu primeiro sucesso, a toada “Prece ao Vento”, de Alcyr Pires Vermelho, Fernando Luiz e Gilvan Chaves, com acompanhamento de Radamés Gnattali e seu conjunto. Nesse ano, também, receberam o prêmio Roquete Pinto na categoria “Melhor Conjunto Vocal” do ano. Até o ano de 1961, quando encerrou suas atividades, o trio gravou alguns LPs e dezenas de 78 rpm. Fizeram turnê pelo México, Argentina, Uruguai e outros países da América Latina. Foram também para a Europa e para a América do Norte. O grande sucesso que fizeram se deu em parte porque eram eles muito talentosos, e encontraram uma fórmula cuja sonoridade é particularmente agradável: misturava os sons dos trios latinos com os ritmos, instrumentos, poesias e temas brasileiros. Além disso, não se pode deixar de dizer, o trio dispunha de dois galãs, Evaldo e Epaminondas que, podem reparar, são os dois mais bonitinhos da capa. Eles arrancavam gritos histéricos da platéia feminina, público fiel que contribuiu muito para o sucesso do grupo. Esse disco da postagem de hoje foi o primeiro disco gravado em 33 ½ rpm. O trio acertou em várias coisas: o repertório é muitíssimo bem selecionado (mas destaco Saudades da Bahia, de Dorival Caymmi), os arranjos vocais são lindos (e eram o forte do grupo), a instrumentação também é muito boa; isso tudo resultou em um disco muito bom de ouvir. Vale a pena.




Lado A

01-Conceição (Dunga – Jair Amorim)
02-Saudades da Bahia (Dorival Caymmi)
03-Lei do tempo (Hortêncio de Aguiar)
04-Quero-te assim (Tito Madi)

Lado B

01-Laura (João de Barro – Alcyr Pires Vermellho)
02-Jezebel (Wayne Shanklin – Caribé da Rocha)
03-Dô de cotovelo (Manézinho Araujo – José Renato)
04-Ave Maria do Morro (Herivelto Martins)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Aleluia Umbanda (17/06/2011)

Esse disco, que tem vários pontos de umbanda tradicionais, foi gravado por iniciativa de Ismael Rangel, ogã ligado ao Pai Élcio de Oxalá. Na tradição umbandista, os ogãs são os médiuns responsáveis pelo canto e pelo toque. A palavra Ogã tem origem no Yorubá, e significa senhor da minha casa. Considerando a centralidade da música nos rituais da umbanda, é possível ter idéia da importância e da responsabilidade dos ogãs nesses eventos. Os pontos, como são chamadas as músicas na gira, são responsáveis por conduzir todo o ritual. Eles marcam os momentos da defumação, abertura das giras, chamada, subida, sustentação dos guias e fechamento de gira.  Tradicionalmente, os ogãs são do sexo masculino. Isso se fundamenta no fato de que o ogã deve ter estabilidade emocional, que é dificultada pela sensibilidade mediúnica feminina, e pelos seus ciclos hormonais característicos. Os ogãs devem ser bem preparados, e iniciados como tais para poder exercer essa função em um Terreiro. Diz-se que são instrumentos puros dos orixás, que falam por meio de suas mãos e vozes.  A música é linguagem de expressão em várias manifestações da cultura afrobrasileira; ela é central, e, portanto, os instrumentos são também ferramentas pelas quais essas culturas nutrem profundo respeito. Assim é com os tambores na umbanda. Eles têm poder mágico e expressam a consagração espiritual, ligando os iniciados às divindades, e a realidade mundana ao universo sagrado. Então, ouçamos, com devoção, a música dos povos de santo.


 Lado A

1-Louvação a Oxalá (D.P.)
Abaluaê (D.P.)
Oxum da cachoeira (D.P.)
Oxum dos rios (Ismael Rangel – Onae)
Oxum pureza (Ismael Rangel – J.Ferreira)

2-Louvação aos caboclos (Ismael Rangel – Marina Pumar)
Sarava caboclo (Ismael Rangel)
Linda cabocla (Armando Carvalho – R. Figueiredo)

3-Suará (J.B. de Carvalho)

4-Pai Xangô (Ismael Rangel – Geraldo Gomes)
Livro de Xangô (D.P.)
Gino da cobra (D.P.)

5-Inhasã do cabelo louro (D.P.)
Inhasã menina (Ismael Rangel – Onae)
Moça bonita (J.B. de Carvalho – J.B. Junior)

6-Rainha do mar (J.B. de Carvalho – J.B. Junior)

Lado B

1-Atraca, atraca (J.B. de Carvalho – J.B. Junior)
Cacurucaia de Umbanda (Ismael Rangel – J. Ferreira)

2-Três estrelas (D.P.)
Festa no Abacá (Ismael Rangel)

3-Velho de Angola (Ismael Rangel – Boanerges Lavra)
Rosário sagrado (Ismael Rangel – Marina Pumar)
Cachimbo do velho (Ismael Rangel – Marina Pumar)

4-“Seu” Sete Encruzilhada (Ismael Rangel)
Exú da ventania (D.P)
Morada de Exu (Ismael Rangel – Onae)

5-Cavaleiro da alvorada (Ismael Rangel)
Clarim na lua (D.P.)
Cavaleiro do céu (Zé Pitanga – Dengoso)

6-Prece de Cáritas (D.P.)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Coronel Narcizinho e seus Artistas (16/06/2011)

Narciso Gomes da Silva nasceu em 1922, no Piauí. Ele iniciou a carreira de radialista no ano de 1947. Coronel Narcizinho ficou famoso por apresentar, na década de 1960, o programa “Alvorada Sertaneja”, na rádio Mayrink Veiga. Sua primeira composição gravada foi o coco “Cabo João”, registrado na voz de Zé Fernandes, no ano de 1957. Depois, em 1960, Adolfo do Acordeom gravou Unha de Gato, composição de Coronel Narcizinho em parceria com Adolfo Pereira. Foi em 1960, também, que gravou seu primeiro LP, “Entardecer do Sertão”, pela gravadora Chantecler. Narcizinho gravou vários LPs e alguns 78 rpms. Mas foi no rádio mesmo que ele deu sua maior contribuição, divulgando, durante décadas, grandes artistas brasileiros. O disco de hoje, lançado em 1981, é possivelmente uma coletânea. O destaque fica para a lindíssima toada Saudade, Meu Bem, Saudade, de Zé do Norte.


Lado A

1-Prende a saia Maria - Baião
(Ceniro Silva-Rangelito) Rangelito
2-Silêncio – Cateretê
(Nenê-Pereirinha) Nonô e Nenê
3-Fole veio no remelejo - Forró
(Ary Coutinho) Ary Coutinho
4-A melhor laçada – Moda campeira
(Pirassununga-Badú)
5-Noite de insônia - Baião
(Narcizinho-Raimundo Martins) Raymundo Mundola
6-Saudade de Itapiuna - valsa
(Raymundo Mundola) Raymundo Mundola
Declamação: Cel. Narcizinho
7-Volta morena - Cururu
(Rancho Velho-Coronel Narcizinho)

Lado B

1-Rio   IVº  centenário - Dobrado
(Cel. Narcizinho-Geraldo Nunes) Ary Coutinho
2-Promessa a São Francisco - Baião
(Raymundo Mundola-Armando Mathias) Raymundo Mundola
3-Não chores não – Arrasta-pé
(Nonô-Cel. Narcizinho) Nonô e Nenê
4-Pagode no terreiro – Forró
(Landinho do Acordeon-Antonio Alves)
5-Relógio da Central - Embolada
(Zé do Norte) Rangelito
6-Saudade meu bem saudade - Toada
(Zé do Norte)
7-Zuza meu irmão – Declamação