O Acervo Origens é uma iniciativa do violeiro, pesquisador e produtor musical Cacai Nunes e visa pesquisar, catalogar, divulgar e compartilhar conteúdos musicais na internet e em atividades culturais das mais diversas como shows, saraus, bailes de forró e programas de rádio. Ao identificar, articular e divulgar a música brasileira, sua história e elementos – entendidos como o conjunto entrelaçado de saberes, experiências e expressões de pessoas, grupos e comunidades, sobre os mais diversos temas – o ACERVO ORIGENS visa contribuir para a geração e distribuição de um valioso conhecimento, muitas vezes ignorado e disperso pelo território nacional.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Vídeo - Mestre Zinho no Forró Lorota Boa (29.04.2011)

Revirando nossos arquivos, encontrei este registro de um dos shows do grande Mestre Zinho no Forró Lorota Boa, evento que nós realizamos entre 2005 e 2008, aqui em Brasília.

Eu sinto uma saudade danada desse tempo !!

Deliciem-se

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Banda de Pífanos de Caruaru (28/04/2011)

O fundador da Banda de Pífanos de Caruaru é Manoel Clarindo Biano. Ele nasceu em Alagoas, em 1890, e casou-se com Maria Pastora em 1910. O casal gerou vários filhos, mas sobreviveram somente Benedito, Sebastião, Antônio, Maria José e Josefa. Sebastião nasceu em 1919, e Benedito em 1912, em Olho D’água do Chicão, em Alagoas. Manoel trabalhava na roça, e levava com ele os dois garotos. Eles eram bem pequenos, e como não conseguiam ainda trabalhar na lida, ocupavam o tempo com outras coisas, como pegar o talo da folha da abóbora, fazer nele uns furinhos e soprar. Claro que os dois meninos não queriam tocar flauta por inspiração divina. Eles imitavam o pai e o tio, que tocavam em bandinhas cabaçais da região. O pai deles, Manoel, tocava zabumba. Ele ficou empolgado vendo o interesse dos filhos em tocar o pífano, e encomendou duas flautinhas para os meninos. Ele sabia executar umas poucas músicas no pífano, e foi com esse pequeno conhecimento que se transformou no primeiro professor de seus filhos. Os garotos eram obstinados, e foram pegando habilidade com as flautinhas. Tanto que o pai começou a tocar com eles em eventos da comunidade, principalmente festas religiosas. A família Biano possuía, como muitas famílias do sertão nordestino, um hábito de vida praticamente nômade. Eles se fixavam em um lugar por alguns poucos anos ou meses, e, quando a seca arrochava, saiam em retirada em busca de um lugar melhor. Então, em 1926, saíram de Mata Grande, a pé, para tentar  chegar em Juazeiro, no Ceará. Pararam no meio do caminho, em Pernambuco, e moraram em uma fazenda entre os municípios de Custódia e Flores. Moraram lá por 3 anos, e a seca os fez mudar para Triunfo, também em Pernambuco;  depois, foram para Bonito de Santa Fé, na Paraíba; voltaram para Pernambuco, precisamente para o município de Poço Comprido. Nessas retiradas, Benedito sofreu um acidente com fogos de artifício, e feriu as mãos. Conseguiram levá-lo ao médico, a quilômetros de distância, que queria amputar-lhe a mão. Mas Manoel não deixou, e a mão de Benedito foi costurada. Ele perdeu a ponta dos dedos, ficou com seqüelas, mas conseguiu reaprender a tocar o pífano. Em 1933, eles foram para Buíque, em Pernambuco, e lá Benedito conheceu Maria Alice, com quem se casou em 1940. Em 1939, sem Benedito, a família mudou-se novamente, agora para Pesqueira, em Pernambuco; no mesmo ano, passaram por Belo Jardim também. No dia 15 de julho de 1939, viajaram de noite na boléia de um caminhão que os deixou, ao amanhecer do dia, na entrada da cidade de Caruaru.  Encontraram uma casa abandonada e a ocuparam. O dono da propriedade, depois, deixou que a família ficasse lá.  Algum tempo depois, Benedito, que tinha se casado, apareceu por lá com sua esposa Maria Alice. Foi então, nesse mesmo ano de 1939, que a família formou a banda, com  Manoel na Zabumba, Sebastião e Benedito nos pífanos e as duas filhas da família no triângulo e na voz. Foi assim, então, a pré-história da mais célebre banda de pífanos de todo o Brasil. Há vários outros discos da Banda de Pífanos de Caruaru aqui no Acervo Origens (Banda de Pífanos de Caruaru - 1973 - Vol.IIBanda de Pífanos de Caruaru - 1979 e Banda de Pífanos de Caruaru), com mais pedaços da história fantástica dessa família musical. O disco da postagem de hoje foi gravado logo depois que o grupo, já com outra formação (porque foram várias, ao longo de sua história), foi morar em São Paulo. Foi o primeiro disco com o selo Copacabana. È sabido que a Banda de Pífanos de Caruaru alterou várias de suas características originais buscando maior inserção mercadológica. Esse disco representa o início desse processo. Ele tem somente metade das músicas instrumentais, porque as músicas vocais têm maior apelo comercial; além disso, estão presentes também músicas não-autorais. Foi também na gravação desse disco que, pela primeira vez, a banda inseriu outros instrumentos na gravação: contrabaixo, cavaquinho e sanfona (reparem que eles estão presentes nas músicas que não são de autoria dos integrantes do grupo). A capa mostra que a banda abandonou os trajes folclóricos, e usa roupas urbanas; os cortes de cabelo black-power também evidenciam que a Banda de Pífanos queria parecer moderninha. Em muitas músicas, os pífanos, alma e essência da banda, ficam um pouco em segundo plano. Quando ouvimos os discos anteriores, percebemos que a mixagem desse disco alterou um pouco a sonoridade da banda, com efeitos como amplificação dos graves da percussão e reverb nos pífanos que, em 1982, pode ter perecido legal, mas, hoje, acho que a maioria de nós prefere o sonzinho puro e simples da banda cabaçal como ela é. Mas o disco vale pelas músicas autorais, como Casa dos festejos e Rela o Bucho, ambas de Sebastião e Benedito Biano.


Lado A

1-Cana caiana
(Alceu Valença)
2-Terra seca
(Tiago Duarte-Gilberto Biano-João Biano)
3-Olinda no frevo
(Sebastião Biano-Benedito Biano)
4-Pife velho
(Plácido de Souza-Manoel Alves)
5-Casa dos festejos
(Sebastião Biano-Benedito Biano)
6-Rela bucho
(Sebastião Biano-Benedito Biano)

Lado B

1-Vide vida marvada
(Rolando Boldrin)
2-    Maria cangaceira (Maria Bonita)
(Téo Azevedo)
3- Choro da morena
(Sebastião Biano-Benedito Biano)
4-Pout-pourri de ciranda
(João Biano)
5-As raízes dos pífanos
(Sebastião Biano-Benedito Biano)
6-Rancheira
(Sebastião Biano-Amaro Biano)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dobrados - Pesquisa, restauração, arranjos e regência Regis Duprat e Rogério Duprat (27/04/2011)

O dobrado é um gênero musical interessantíssimo. Primeiramente, porque todo mundo acha que conhece, principalmente os músicos; mas, na realidade, o dobrado é pouquíssimo conhecido, fato constatado pelas escassas referências bibliográficas sobre o gênero. O que todos sabem é que dobrados são músicas tocadas por bandas militares. Os dobrados, portanto, têm algo a ver com a atividade militar, mesmo que isso pareça uma afirmação meio sem nexo. Mas, voltando no tempo, acharemos a lógica disso. Desde sua origem, as tropas militares marcham, a pé ou a cavalo. Dependendo da ocasião ou da situação tática, a cadência da marcha varia; a marcação dessa cadência sempre foi feita por bombos e tambores, acompanhados por pífanos, flautins, trombetas e outros instrumentos. Ao longo do tempo, o termo marcha passou a designar, além do deslocar-se à pé ou montado, a música produzida pelo grupo que marcava a cadência. As cadências variam conforme as situações táticas; há basicamente três cadências para os deslocamentos da infantaria: o passo de estrada, que é uma marcha lenta e pesada, utilizada em percursos longos; o passo de parada ou passo dobrado, marcha bem mais rápida, com andamento próximo ao dobro do anterior, utilizada em desfiles, continências e paradas militares; e o passo acelerado, marcha de ataque para a tomada de pontos do terreno. As três cadências, nas tropas de cavalaria, correspondem ao passo, ao trote e ao galope. A marcação do tempo, no metrônomo, para as cadências, seria a seguinte: 68 a 76 bpm, para o passo de estrada; 112 a 124 bpm para o passo dobrado; e 160 bpm, para o passo acelerado ou galope. Com o tempo, o termo passo dobrado, que designava o andamento das marchas rápidas, passou a designar todas as marchas das paradas, continências e desfiles. O passo dobrado é, musical e literalmente, o passo doppio dos italianos, o paso doble dos espanhóis, o pas-redoublé dos franceses ou simplesmente a march de ingleses e alemães. Em todos os países, as marchas militares foram incorporando características nacionais. Por exemplo, as marchas inglesas são mais rápidas do que as latinas, que são também mais rápidas do que as norte-americanas. No Brasil, sendo as marchas executadas em todo o território nacional, elas ficaram expostas às influências de vários outros gêneros brasileiros. Lentamente, então, foi se consolidando uma marcha brasileira, que recebeu a denominação genérica de dobrado. O dobrado brasileiro foi adquirindo características próprias, que o afastaram do passo dobrado e de outras marchas européias; desse modo, o dobrado foi se tornando a marcha brasileira. No final do século XIX, o dobrado já possuía características melódicas, harmônicas, formais e contrapontísticas que o distinguiam de outros gêneros musicais, permitindo assim a sua inclusão no rol dos gêneros musicais genuinamente brasileiros. Os dobrados, no Brasil, são tocados não somente por bandas militares, mas por bandas de coretos com várias formações instrumentais. Essas bandas são, historicamente, uma das principais escolas de instrumentistas brasileiros, principalmente de sopro. O disco da postagem de hoje, produzido no final da década de 1970, resultou de pesquisa realizada por Régis e Rogério Duprat, dois dos mais renomados musicólogos do Brasil; embora tenha o selo da Copacabana, o disco foi produzido por Marcus Pereira (que mais uma vez estava à frente de um trabalho realmente importante para a música brasileira). O disco tem dobrados brasileiros típicos. Reparem que as primeiras músicas têm andamento mais acelerado. Sobre isso, o próprio Régis Duprat explica na contracapa: “o ritmo, então, torna-se mais cômodo, mais lânguido; fixa-se o seu andamento por volta de 110 passos por minuto. Poderíamos explicá-lo por seus conluios com a languidez do lundu, do tanguinho, do maxixe, e pela tropicalização generalizada que os gêneros ganharam nestes Brasis.” Ouçamos, portanto, essa verdadeira aula de música brasileira.


Lado A

1-Hespanha (José Randolfo Lorena)
2-Júlio Nolasco (João Pirahy)
3-Gonzaga Falcão (Lodovico da Riva)
4-São Thiago (Dalmácio F. Negão Jr.)

Lado B

1-Tenente Godofredo Lima (José Virgínio Silva)
2-Belo Horizonte (Júlio Cezar do Nascimento)
3-Longe do Mar (Francisco Farina)
4-Saudades d’Apparecida (Domingos José de Paula)
5-Os Conselheristas (Anônimo)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cananéia - Tradição Musical e Religiosa (26/04/2011)

De acordo com o dicionário do folclore de Câmara Cascudo, o termo fandango designa, no Brasil, o auto marítimo do ciclo natalino, encontrado em alguns estados nordestinos, e o baile sulista, encontrado no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. O disco da postagem de hoje refere-se especificamente ao fandango realizado na ilha de Cananéia, no litoral paulista. Tal tradição musical não é apenas herança ibérica, mas tem também elementos da música indígena que já havia na região antes da chegada dos portugueses. O fandango é uma manifestação associada ao modo de vida caiçara; assim, as ocasiões em que ele acontecia eram ligadas ao calendário das atividades caiçaras, como, por exemplo, as puxadas de rede, os roçados, colheitas, e outros trabalhos coletivos. Em comemoração, e até como forma de pagamento, era oferecido aos trabalhadores um fandango, tipo de baile com muita comida. O contexto dos mutirões e de outros trabalhos coletivos perdeu considerável espaço, e praticamente desapareceu. O fandango, então, toma curso em outros lugares, como clubes de bailes, festas comunitárias, grupos artísticos e outros.
O fandango engloba diversas formas de execução de instrumentos musicais, melodias, versos e coreografias. Normalmente, o fandango tem dois tocadores de viola, que cantam as melodias em intervalos de terças, um tocador de rabeca e um tocador de adufe. Alguns grupos têm violão e/ou cavaquinho, e outros instrumentos de percussão, como pandeiros, surdos e tantans. A maioria dos instrumentos é de fabricação artesanal, e a madeira mais utilizada é a caixeta. A viola do fandango é parecida com a viola nordestina; mudam o número de cordas, e há também a presença da turina, cantadeira ou piriquita, uma corda mais curta que termina no meio do braço da viola. O adufe é uma espécie de ancestral do pandeiro, que tem o couro propositalmente deixado mais frouxo, para obtenção de um som mais grave. Antigamente, o adufo era feito com couro de veado, cutia ou cachorro-do-mangue. Atualmente, é proibida a caça desses animais, então se uso o couro de boi ou bode.  O disco da postagem de hoje é um registro, feito em 1982, das cantigas do fandango paulista, interpretadas pela comunidade da Cananéia.


Lado A

1-Reiada de Cananéia-chegada
2-Reiada de Cananéia-despedida
3-Romaria do Divino Espírito Santo-chegada
4-Romaria do Divino Espírito Santo-despedida

Lado B

1-Terço cantado
2-Fandango (São Gonzalo – Queromana e Xinxará – Rufado – Andorinha)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Programa Acervo Origens - 35 (25.04.2011)

Com certeza, este é um dos Programas mais especiais que já fizemos: Especial Dia Nacional do Choro.

Vamos ouvir o Regional do Canhoto, Luperce Miranda, Altamiro Carrilho, Canhoto da Paraíba, Garoto e Chorões de Brasília em gravação dos anos 80.


Simplesmente imperdível !!

    

sexta-feira, 22 de abril de 2011

João Mulato e Douradinho - Saudade de um amor passado (22/04/2011)

João Mulato nasceu em Passos, Minas Gerais, com o nome de Wilson Leôncio de Melo. Ainda criança, mudou-se com a família para Araçatuba, em São Paulo. Na juventude, João Mulato foi tentar a sorte em São Paulo. Lá, conheceu um jovem violeiro conhecido por Bambico. Com ele, formou a primeira dupla de nome João Mulato e Douradinho. O nome dele era Domingos Miguel dos Santos, e ele nasceu em Taciba, São Paulo, em 1944. Disseram já que, se Tião Carreiro é o Pelé da Viola, Bambico é o Garrincha. João Mulato teve uma carreira enorme, e formou dupla com vários artistas. Existem até dúvidas de quantos cantores fizeram as vezes de Douradinho ao lado de João Mulato. Conforme já foi mencionado, o grande "mistério" na dupla "João Mulato e Douradinho" é a quantidade de companheiros com os quais João Mulato já fez dupla e que adotaram esse nome. Foram mais de 8 músicos, nos diversos LP's e CD's , e pouco se sabe sobre a identidade e a carreira artística dos muitos Douradinhos. Mas o primeiro, o Bambico, é insubstituível, pelo seu enorme talento como violeiro. Ele faleceu em 1982, e foi daí em diante que João Mulato começou mudar de Douradinho. Com Bambico, João Mulato gravou apenas 2 LPs, sendo o primeiro esse da postagem de hoje. Daí o seu caráter especialíssimo. É um verdadeiro clássico dos clássicos do cancioneiro caipira. Desfrutem!!!

    
Lado A

1-Cruel destino – C.Rancheira (Vicente P. Machado – João Mulato)
2-Amanhã eu vou – Balanço (Compadre Moreira)
3-Afogando meu pranto – Milonga (Zezito – Douradinho)
4-Missão dolorosa – Corta Jaca (Arlindo Rosa – Armando Puzi)
5-Escola do mundo – Pagode (Arlindo Rosa – Lourival dos Santos)
6-Encontro fatal – Cururu (Arlindo Rosa – Augusto Alves Pinto)

Lado B

1-Saudade de um amor passado – Guarânia (João Mulato – Douradinho)
2-Vou onde tem amor – Pagode (Zezito – Douradinho)
3-Menina do riacho – Cururu (Moacyr dos Santos – Sulino)
4-Quero você lá em casa – Balanço (Vicente P. Machado – João Mulato)
5-A palavra de Deus – M. viola (Moacyr do Santos – Belmiro)
6-Golpes da vida – Cateretê (Luiz de Castro)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Viva o Frevo (21/04/2011)

Nelson Ferreira, o maestro da Orquestra de Frevos Mocambo, que gravou esse disco da postagem de hoje, tinha o apelido de Moreno Bom, e nasceu em 1902, em Bonito, Pernambuco. O pai dele era vendedor de jóias e tocava um violãozinho, e a mãe era professora primária. Ele começou a tocar violão, piano e violino na infância e, aos 14 anos, já era compositor (compôs uma valsa encomendada por uma companhia de seguros). Ele compunha em vários gêneros, mas foi se especializando em frevos. No começo do rádios, foi convidado para ser o diretor artístico da Rádio Clube de Pernambuco. Ele apresentava os mais variados tipos de programas, conseguindo boa audiência. Também em função da rádio, ele fundou várias orquestras. Na década de 1940, fundou uma Orquestra de Frevos, de fama que extrapolou as fronteiras pernambucanas e ganhou o território nacional. Paralelamente, ele foi diretor do selo Mocambo, da gravadora Rosenblit, a única que, na época, operava fora do eixo Rio-São Paulo. Nelson Ferreira é um dos compositores mais produtivos do nordeste, com centenas de composições gravadas por dezenas de artistas. Na década de 1970, a Mocambo resgatou, em 4 LPs, uma produção de 50 anos do querido maestro, abrangendo valsas e frevos de rua, de bloco e canção. Essa coletânea documental é da maior importância para a história sócio-cultural de Pernambuco.Ele faleceu em 1976. Nesse dia, Gilberto Freyre escreveu no Diário de Pernambuco:  “O vazio que deixa é o que nos faz ver como era grande pela sua música, pelo seu sorriso, pela sua fidalguia de pernambucano.”


Lado A

1-Zé Pereira (Motivo popular)
2-Quebra quebra Guabiraba (Plínio de Brito)
3-Vassourinhas no rio (Carnera)
4-Bicho danado (Zumba)
5-Ogênia, tem dó de mim (do clube Vassourinhas)
6-Tudo é assombração (Casaquinha)
7-Agora é que eu quero ver (Jones Johnson)
8-Borboleta não é ave (Nelson Ferreira)
9-Agüenta a virada (Edvaldo Pessoa)

Lado B

1-Se essa rua fosse minha (Matias da Rocha) Vassourinhas
2-Buliçosa (Zumba)
3-O salão esta vasio (Jones Johnson)
4-Fortunato no frevo (Nelson Ferreira – Sebastião Lopes)
5-Tira teima (Carnera)
6-Recordação de Ciciliano (Zumba)
7-Óia a virada (Nelson Ferreira)
8-Evocação (Nelson Ferreira)
9-Faz chorar (Motivo popular)
10-Final – Despedida do carnaval

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sivuca - Onça Caetana (20/04/2011)

Sivuca nasceu Severino Dias de Oliveira, no dia 26 de maio de 1930, em Itabaiana, na Paraíba. Sua família era de agricultores e sapateiros, e o garoto começou a tocar sanfona em batizados, festas e feiras, ainda com nove anos de idade.Quando tinha 15 anos, participou do programa de calouros Divertimentos Guararapes, na rádio de mesmo nome, tocando “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu. O maestro Nelson Ferreira gostou do garoto, e o convidou para participar de um programa na Rádio Clube de Pernambuco. Foi lá que ele começou a ser chamado de Sivuca. Alguns anos depois, Sivuca começou a tomar aulas com o Maestro Guerra Peixe, para estudar composição e arranjo. Tocando em Recife,foi visto por Carmélia Alves, que o convidou para gravar em São Paulo. Com 20 anos, em 1950, da parceria de Sivuca com Humberto Teixeira, saiu seu primeiro disco. Nessa época, também, realizou temporadas em São Paulo; ficou pouco tempo em São Paulo, porque em 1955, mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi também na década de 1950 que Sivuca embarcou, com o grupo Os Brasileiros, para uma caravana que levou música brasileira para a Europa. O Acervo Origens postou um disco desse grupo, integrado pelos maiores nomes da música brasileira, como Trio Irakitan, Abel Ferreira, Pernambuco, Dimas e Guio de Moraes e o próprio Sivuca. O sanfoneiro, resolveu, então, ir morar em Lisboa. Depois, foi para Paris. Em 1962, inclusive, gravou o disco Rendez-vous a Rio, e venceu o prêmio de melhor músico do ano, concedido pela imprensa francesa. Em 1964, foi morar em Nova Iorque. Sivuca foi casado com a compositora Gloria Gadelha, com quem desenvolveu um vasto trabalho, com destaque para o forró "Feira de Mangaio". Outras parcerias bem-sucedidas foram "João e Maria", com Chico Buarque e "No Tempo dos Quintais" e "Cabelo de Milho", ambas com Paulo Tapajós. Sivuca morreu aos 76 anos, em decorrência de câncer na laringe. O disco da postagem de hoje foi lançado em 1983. Neste trabalho Sivuca conta com os arranjos e a participação de Antonio Adolfo, Reinaldo Arias e Claudio Jorge. No repertório há o belíssimo instrumental , de Reinaldo Arias, "Central do Brasil". Esta música já vale o disco. Mas há outras belas composições, tanto próprias, quanto em parcerias com outros autores.


Lado A

01-Central do Brasil
(Reinaldo Arias)

02-Conto de fadas
(Sivuca-Paulinho Tapajós)

03-Em cada parte, em cada ponte
(Glorinha Gadelha-Afonso Gadelha)

04-Imburana, pau-de-abelha
(Sivuca-Glorinha Gadelha)

05-Subindo ao céu
(Aristides Borges)

 Lado B

01-Onça Caetana...
(Glorinha Gadelha-Afonso Gadelha)

02-Novas canções
(Glorinha Gadelha-Afonso Gadelha)

03-Mistura fina
(Luiz Bandeira)

04-Pro que der e vier
(Sivuca-Paulinho Tapajós)

05-Amigo de fé
(Claudio Jorge-Ivan Wrigg)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Carioca e sua Orquestra de Baile - Chôros (19/04/2011)

Ivan Paulo da Silva, conhecido como Maestro Carioca, era paulista, e nasceu em 1910, na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo. Ele começou a carreira em 1938, atuando como trombonista da orquestra de Fon-Fon. Em 1943, começou a trabalhar na Rádio Nacional com sua orquestra, indo depois para a Rádio Tupi. Em 1944, ele escreveu o prefixo para o Repórter Esso, gravado por ele mesmo no trombone, Luciano Perrone na bateria, e Francisco Sergi e Marino Pissiani nos pistons. Ele trabalhou durante anos como integrante da Orquestra da Rádio Nacional. Carioca fez dezenas de gravações e arranjos para canções de gêneros nacionais e estrangeiros. Em 1958, foi contratado pelo selo Rádio, pelo qual gravou 5 LPs nesse mesmo ano, incluindo esse da postagem de hoje. O disco tem os clássicos dos clássicos do repertório chorístico, com bons arranjos para orquestra, demonstrando porque o Maestro Carioca não ficava sem trabalho. Fora tudo isso, o Maestro Carioca participou da elaboração das famosas calçadas musicais de Vila Isabel: a ele coube a simplificação das partituras (o repertório foi escolhido por Almirante). Carioca faleceu no Rio de Janeiro, em 1991.


Lado A

1-1x0 (Pixinguinha – Benedito Lacerda)
2-Paraquedista (José Leocadio)
3-Um passeio à tarde (Carioca)
4-Murmurando (Fon-Fon)
5-Numa seresta (Luiz Americano)

Lado B

1-Bem-te-vi atrevido (Lina Pesce)
2-André de sapato novo (André Victor Correia)
3-O xameguinho dela (Porfírio Costa)
4-Fica entre nós (Geraldo Medeiros)
5-Sonoroso (Caximbinho)

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Programa Acervo Origens - 34 (18.04.2011)

No programa de hoje, temos Téo Azevedo, Waldir Azevedo, Nenete e Dorinho, Jair Alves, Trio Nagô e Guriatã de Coqueiro cantando com João Tavares.

Aproveitem !

            


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Clara Nunes (15/04/2011)

Clara Nunes nasceu em Paraopeba, Minas Gerais, em 1943. Seu pai era violeiro, e participava das Folias de Reis, e foi por isso que, desde a infância, Clara teve contato com a música popular. Em 1959, Clara, que já era órfã, mudou-se para Belo Horizonte. Começou a carreira artística em um concurso de calouros, em 1960. Ela venceu a fase regional do concurso, e assumiu um emprego na Rádio Inconfidência, chamado “Clara Nunes convida”. Ela fez muito sucesso na rádio, então, em 1963, foi convidada para estrear um programa de entrevistas e música na TV Itacolomi. Por causa desse programa, Clara foi ficando famosa na região, e foi travando contatos importantes com artistas e produtores do Rio de Janeiro e São Paulo. Então, logo em 1965, fez um teste na gravadora Odeon. Aprovada, mudou-se para o Rio de Janeiro. Os planos da Odeon para Clara Nunes eram transformá-la em uma grande cantora de boleros. A gravadora investiu pesado: quando Clara gravou o primeiro LP, em 1966, fez muita propaganda e enfiou a cantora em vários programas de auditório de sucesso. Mas a estratégia não funcionou. Embora Clara cantasse muito bem, não fez o sucesso esperado. A Odeon insistiu, e Clara cantou e gravou vários gêneros, como bolero, romântico e boleros, também sem conseguir sucesso. Em 1968, a própria Clara, com ajuda de Ataulfo Alves, pediu aos diretores da Odeon que a deixassem gravar samba, um genro que andava em baixa. Ela fez relativo sucesso, mas não o que a gravadora Odeon esperava. Então, nos anos de 1969 e 1971, uma mudança crucial tomou curso em sua vida. Clara nasceu católica e fez a primeira comunhão, mas, no Rio de Janeiro, ao conhecer a umbanda, teve com ela profunda identificação. Ela fez uma viagem para a África e, quando voltou, se aproximou mais ainda da umbanda. Então, ela apresentou à Odeon uma nova proposta de carreira, com mudanças no repertório e referências marcadas à cultura afrobrasileira, incluindo as religiões. A proposta era arrojada, e a gravadora ficou reticente. Mas Clara insistiu, e o projeto foi levado adiante. Então, a nova fase da carreira de Clara Nunes associava a cantora ao samba e à umbanda. Ela imprimiu um novo estilo à sua imagem artística. Passou a se apresentar apenas de branco, gravou pontos de umbanda e candomblé, fez até curso de expressão corporal e dança afro. Ela também procurou se aproximar de compositores como Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeias, Romildo e Toninho, Martinho da Vila, João Nogueira e outros. Foi nesse período também que conheceu a Portela, escola de samba de seu coração. Ela fazia questão de revelar e valorizar sua fé. Foi nesse período que gravou o LP da postagem de hoje, o primeiro dessa fase da cantora, que logo virou sucesso de vendas. Ela inclusive quebrou um tabu, o de que “mulher não vende disco”, chegando a vender 400 mil cópias, mais até do que o Rei Roberto Carlos. Em 1974, Clara terminou um relacionamento com Adelzon Alves, que era também seu parceiro musical, e um dos responsáveis pela aproximação de Clara da umbanda e do samba. No ano seguinte, ela gravou Claridade, o disco de maior vendagem. Logo depois, ela casou-se com Paulo César Pinheiro, e foi se afastando da umbanda, e se aproximando novamente do catolicismo. Mas, em suas declarações, ela deixava clara a sua espiritualidade evoluída, que entendia que todas as religiões podem fazer alguém efetivamente se aproximar de Deus (ou se afastar Dele, em alguns casos). Mesmo longe da umbanda, Clara continuou cantando e gravando o melhor da música brasileira, até falecer, em 02 de abril 1983, depois de 28 dias de agonia, hospitalizada após um choque anafilático ocorrido durante uma cirurgia de varizes.



Lado A

1-Aruandê... Aruandá (Zé da Bahia)
2-Participação (Didler Ferraz-Jorge Belizário)
3-Meu lema (João Nogueira-Gisa Nogueira)
4-Ê baiana (Fabricio da Silva-Baianinho-Enio Santos-Miguel Pancrácio)
5-Puxada da rêde do Xaréu (1º parte) (Maria Rosita Salgado Goes)
6-Novamente (Luiz Bandeira)
7-Misticismo da África ao Brasil (Mário Pereira-Vilmar Costa-João Galvão)

Lado B

1-Sabiá (Luiz Gonzaga-Zé Dantas)
2-Rosa 25 (Geovana)
3-A favorita (Francisco Leonardo)
4-Puxada da rêde do Xaréu (2º parte) (Maria Rosita Salgado Goes)
5-Feitio de oração (Valdico-Noel Rosa)
6-Canseira (Paulo Diniz-Odibar)
7-Morrendo verso em verso(João Nogueira)      


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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quinteto Violado (14/04/2001)

Ôba, mais um disco do Quinteto Violado aqui no Acervo Origens. Tem outros dois disponíveis (A Feira e Antologia do Baião); nessas postagens tem também informações sobre a história e trajetória do grupo. Mas esse disco do Quinteto Violado é particularmente especial. Ele foi o primeiro do grupo, lançado pela gravadora Phillips, antes do Quinteto realizar as históricas gravações com a Marcus Pereira. A história da capa desse disco também é curiosa. Nesse mesmo ano (1972) uma banda de hard Rock inglesa, chamada Paladin, lançou o disco Charge!, com essa capa que vemos abaixo:


Reparem que é praticamente idêntica à capa do disco do Quinteto Violado. Quem fez a ilustração do disco do Paladin foi Roger Dean, um ilustrador que assinou as capas de dezenas de discos de bandas progressivas da década de 1970. Parece que a Phillips, gravadora do disco do Quinteto, usou o desenho e ainda introduziu nele algumas alterações, como o chapéu de cangaceiro do cavaleiro. Foi em uma turnê ao Japão que os músicos do Quinteto tomaram conhecimento dessa cópia, e, a partir daí, os relançamentos desse disco passaram a ter outra capa, com essas aves brancas voando.


Exatamente por isso, os LPs com essa primeira capa são raridades, peças de colecionador. Mas as músicas são as mesmas. Como foi o primeiro disco do Quinteto Violado, está repleto de clássicos, como Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Vozes da Seca e de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. O destaque fica para o belíssimo arranjo de Asa Branca.


Lado 1

1-Asa Branca
(Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira)
 2-Freviola
(Marcelo Melo)
 3-Santana
(Fernando Filizola)
 4-Reflexo
(Luciano Pimentel-Fernando Filizola-Toinho Alves)
5-Imagens do Recife
(Deda- Marcelo Melo-Toinho Alves)

Lado 2

1-Roda de ciranda
(Marcelo Melo-Toinho Alves)
2-Baião da garoa
(Luiz Gonzaga-Hervê Cordovil)
3-Acauã
(Zé Dantas)
4-Marcha nativa dos índios Quiriris
(Marcelo Melo-Toinho Alves)
 5-Vozes da seca
(Luiz Gonzaga- Zé Dantas)
 6-Agreste
(Fernando Filizola-Sando)